Coronavírus

Vacina contra a covid-19 desenvolvida pela UFPR recebe investimento do governo

Ainda em fase de testes, a vacina paranaense que poderá custar apenas R$ 10 a dose já apresentou ótimos resultados

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da AEN
Vacina contra a covid-19 desenvolvida pela UFPR recebe investimento do governo
Foto: Ilustrativa/REUTERS/Amanda Perobelli

22 de abril de 2021 - 16:29 - Atualizado em 22 de abril de 2021 - 16:29

A vacina contra a covid-19 que está sendo desenvolvida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) irá receber um investimento inicial de R$ 700 mil do governo estadual. Com resultados promissores, o imunizante, que ainda está em fase de testes, apontou a produção de anticorpos comparáveis e até superiores aos reportados pela vacina AstraZeneca/Oxford, em estudos na fase pré-clínica, e poderá ser uma alternativa para o Brasil que encontra dificuldades na compra de vacinas para toda a população. 

De acordo com o Governo do Paraná, o apoio financeiro à pesquisa foi formalizado nesta quinta-feira (22) e irá ocorrer por meio da Unidade Gestora do Fundo Paraná (UGF), vinculada à Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). 

Vacina da UFPR contra a covid-19

A vacina da UFPR usa um polímero bacteriano chamado polidroxibutirato (PHB), que utiliza a proteína spike da covid-19, responsável por ligar o coronavírus a células humanas e de outros mamíferos. As partículas do PHB são recobertas com a proteína do Sars-CoV-2, induzindo o organismo a uma forte resposta imune. Esse fato já foi demonstrado em camundongos.

Micropartículas de PHB com antígenos superficiais já foram utilizadas com sucesso para imunizar camundongos contra hepatite C e tuberculose. A vacina desenvolvida na universidade deve ser protocolada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a fase clínica em seis meses, solicitando a autorização para os testes em voluntários. O custo da dose, incluindo materiais e insumos, é calculado a um custo aproximado de R$ 10,00.

O professor da UFPR Emanuel Maltempi, doutor em Bioquímica e coordenador da pesquisa, explica que o polímero, quando combinado com a proteína S (utilizada pelo vírus para infectar a célula humana), induz a produção de anticorpos pelas células de defesa. A preparação vacinal será testada na forma nasal.

“Vamos realizar os testes da vacina injetada e também com aplicação nasal, para facilitar os ensaios clínicos. Essa nova plataforma tecnológica que desenvolvemos será um legado não só relacionado ao combate à Covid-19, como no desenvolvimento de outras vacinas paranaenses”,

ressalta o professor.

Além de agilizar a segunda etapa de testagem, a parceria entre o Governo do Estado e a UFPR também vai proporcionar a contratação de novos bolsistas de pós-doutorado que atuarão na pesquisa da vacina paranaense. O edital para a seleção dos bolsistas será realizado pela Fundação Araucária.

Próxima etapa da pesquisa

Os próximos testes pretendem descobrir se os anticorpos produzidos pela imunização com a vacina da UFPR têm efeito neutralizante, isto é, se eles impedem que o vírus interaja com os receptores das células.

“Digamos que uma pessoa tenha, no organismo, anticorpos com potencial para reconhecer o coronavírus. Se a pessoa for infectada e esses anticorpos reconhecerem rapidamente o coronavírus e se ligarem aos receptores do vírus antes que eles reconheçam os receptores das células do organismo, há o efeito neutralizante, pois provavelmente o vírus não conseguirá infectar células do trato respiratório”,

explica o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da UFPR e um dos responsáveis pelo estudo, Marcelo Müller dos Santos.

Os pesquisadores acreditam que, pela quantidade de anticorpos presente no sangue imunizado, as chances de que tenham esse efeito neutralizante são altas. O projeto de investimento acontece em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que fornecerá recursos humanos e laboratórios durante o desenvolvimento do projeto, incluindo os testes pré-clínicos da vacina da UFPR contra a covid-19.

“É um passo importante para o Paraná e uma parceria fundamental entre UFPR, Seti e Tecpar. Nesse processo nós vamos avançar, não só na fase de testes clínicos, mas também nas etapas de produção e fornecimento ao Sistema Único de Saúde”,

destaca o diretor-presidente do Tecpar, Jorge Callado.

Até o momento, a pesquisa do imunizante paranaense recebeu aporte de aproximadamente R$ 230 mil pela Rede Vírus, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), além de outros R$ 40 mil em recursos próprios da universidade. De acordo com o reitor da UFPR, os custos envolvidos podem chegar a R$ 30 milhões, considerando todas as fases dos testes pré-clínicos e clínicos, baseando-se em pesquisas já finalizadas e no material publicado sobre o assunto.

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