Coronavírus

Um ano da covid-19 no Paraná: números assustadores e crise na saúde, “não esperávamos uma situação tão crítica”

Além dos altos números do coronavírus, estado vive crise na saúde com mais de mil pessoas aguardando um leito

Guilherme
Guilherme Becker / Editor
Um ano da covid-19 no Paraná: números assustadores e crise na saúde, “não esperávamos uma situação tão crítica”
(FOTO: EDUARDO MATYSIAK)

12 de março de 2021 - 09:00 - Atualizado em 12 de março de 2021 - 09:00

No dia 12 de março de 2020, o Ministério da Saúde anunciava os seis primeiros casos da covid-19 no Paraná. Na época eram cinco moradores de Curitiba e um de Cianorte que tiveram o resultado positivo para a doença. Em um ano, o coronavírus avançou pelo estado, chegou a todos os 399 municípios e atingiu números assustadores: 740.955 contaminados e 13.053 mortos.

No início, a expectativa das autoridades era que a pandemia fosse até setembro ou mais tardar até o final de 2020. Porém, novas ondas da doença atingiram todo o mundo e, consequentemente, o Paraná também sofre com as marcas da doença. Com a ocupação dos leitos em 95%, atualmente 1.184 pessoas aguardam por uma vaga em um hospitais para atendimento, sendo quase 600 pacientes precisando de UTI.

“Hoje a gente vive uma situação de colapso, o sistema também está doente, não só as pessoas. Há uma escassez de leitos, leitos de UTI, leitos de enfermaria, há uma escassez global de leitos. Nós não esperávamos que depois de um ano de pandemia a gente ia se encontrar em uma situação tão crítica”,

declarou Rafael Deucher, presidente da Sociedade de Terapia Intensiva no Paraná.

Doença atinge os jovens

Um ano depois dos primeiros casos no estado, a recomendação das autoridades para prevenção da doença seguem as mesmas: uso de máscara, higienização com álcool em gel e distanciamento social. Mesmo com tanta repercussão nos veículos de comunicação, com a palavra de especialistas e com cenas chocantes dos hospitais, algumas pessoas ainda não se conscientizaram.

“As pessoas precisam se cuidar, porque algumas pessoas ainda estão em uma negação que a doença não é tão grave assim, que a mídia fica fazendo apocalipse, que os médicos são exagerados, elas vão sentir na pele se precisarem de um leito ou se um familiar precisar”,

comentou Deucher.

Diferente do início da pandemia, onde a maior parte dos internados e vítimas eram idosos, com a nova variante e o avanço da doença, jovens passaram a ser alvos da covid

“A doença é outra, a doença que já era grave, agora parece ter uma gravidade muito maior. Ela com certeza está atingindo jovens, que antes se sentiam naturalmente imunes e hoje não. Temos pessoas de 30, 33 anos, de 40, de 50 anos perdendo a vida. Hoje temos UTIs repletas de jovens”,

disse o médico.

Poucas expectativas

Para diminuir a circulação do vírus é necessário que a população siga as orientações das autoridades, aliado com uma vacinação em massa. No Paraná, a primeira dose da vacina foi aplicada no dia 18 de janeiro. Na época, o estado celebrou a chegada dos imunizantes, porém, o ritmo de aplicação das doses ainda está devagar.

O estado já recebeu 1.001.600 mil doses do Governo Federal, entretanto, até esta sexta-feira (12), foram aplicadas 600.421 doses. Sendo que apenas 149.832 paranaenses receberam as duas doses.

“Infelizmente o cenário, as previsões, não são boas. O cenário não é favorável para as próximas duas ou três semanas. Chegamos a 12 meses de trabalho exaustivo. Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, todos os profissionais que trabalham com coronavírus, seja na UTI ou fora, estão naturalmente esgotados. Além do esgotamento físico, existe o esgotamento emocional”,

contou Deucher.