Coronavírus

UFPR apresenta vacina em desenvolvimento à Frente Parlamentar do Coronavírus

Vacina em estudo pela UFPR parece ser mais segura, eficaz e prática no transporte do que as atualmente usadas na imunização da população

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da UFPR
UFPR apresenta vacina em desenvolvimento à Frente Parlamentar do Coronavírus
Pesquisa com vacina contra Covid-19 da biofarmacêutica CureVac em Tuebingen

29 de março de 2021 - 19:07 - Atualizado em 29 de março de 2021 - 19:07

Resumo da matéria

  • A vacina em estudo pela UFPR, até o momento, posssui resposta imune superior à da AstraZeneca
  • Pesquisa está em fase pré-clínica e, assim que conluída, irá para os testes em humanos.
  • A vacina em estudo usa biopolímeros biodegradáveis, com partes específicas de proteínas virais, o que a torna mais estável e fácil de transportar que outras existentes
  • Tecnologia desta vacina poderá ser aplicada na solução de outras doenças, como zika, dengue, chikungunya e parasitoses.

Uma vacina contra a Covid-19, que está sendo desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), foi apresentada aos participantes da Frente Parlamentar do Coronavírus, da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na manhã desta segunda-feira (29). Os pesquisadores puderam mostrar em que estágio está a pesquisa, como ela é feita e quando poderá estar disponível para produção em larga escala.

O reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, agradeceu a oportunidade de interlocução com os deputados estaduais e enfatizou a estratégia da UFPR de oferecer uma alternativa vacinal viável e eficaz, com produção inteiramente nacional. Esclareceu também que hoje, entre as vacinas em desenvolvimento no Brasil, a da UFPR se encontra entre as cinco primeiras que alcançaram o atual estágio de pesquisa.

Outro ponto abordado pelo reitor foi a importância da ciência no contexto da pandemia para esclarecer a população e oferecer soluções para a doença. “Em tempos de tranquilidade, ou de crise absoluta, a voz da ciência deve ser ouvida. Mais de 90% da produção de ciência e tecnologia estão dentro das universidades públicas. As respostas que o Brasil e o Paraná precisam estão nas universidades”, sintetizou.

Estágio atual

Os pesquisadores explicaram o conceito da vacina e o que falta para que os testes pré-clínicos sejam concluídos, viabilizando assim a testagem em humanos. A tecnologia utilizada para desenvolver a vacina da UFPR é fruto de outras pesquisas com biopolímeros biodegradáveis e com partes específicas de proteínas virais.

Emanuel Maltempi de Souza explicou que os testes revelaram uma produção de anticorpos superior à da vacina AstraZeneca/Oxford. Embora esse tipo de experimento seja de difícil comparação, os resultados têm superado as expectativas da equipe. A conclusão dos testes pré-clínicos poderá ocorrer em cerca de seis meses. “Cronograma em ciência é uma coisa incerta, mas acreditamos que no final do ano consigamos juntar os dados para a fase clínica”, apontou.

O professor Marcelo Müller dos Santos explicou que três aspectos da vacina da UFPR são relevantes para o sucesso de sua implementação: o fato de a substância já ter aprovação de órgãos como o FDA para uso médico, o que deve facilitar a aprovação dos ensaios clínicos; a parceria com empresas que produzam o biopolímero; e a comprovada estabilidade do imunizante, que por estar imobilizado no biopolímero, facilita o acondicionamento e o transporte.

Já o professor Breno Castello Branco Beirão detalhou que os testes com animais apresentaram resultados biológicos consistentes, o que propicia a continuidade dos testes pré-clínicos. “Estamos próximos da conclusão e buscamos esse impulso para que o produto não seja só um papel, mas algo que possa proteger a população”, sintetizou. Beirão destacou ainda a possibilidade de adaptação futura da tecnologia aplicada nessa vacina para a solução de outras doenças, como zika, dengue, chikungunya e parasitoses.

Recursos

Até o momento, a pesquisa recebeu aporte de aproximadamente R$ 230 mil pela Rede Vírus, do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), além de outros R$ 40 mil em recursos próprios da universidade. De acordo com Souza, os custos envolvidos podem chegar a R$ 30 milhões, considerando todas fases dos testes pré-clínicos e clínicos, baseando-se em pesquisas já finalizadas e no material publicado sobre o assunto.

Durante a reunião, o coordenador da frente parlamentar, deputado Michele Caputo, salientou o “esforço heroico” dos pesquisadores em avançar nos testes com o valor obtido até agora. Caputo anunciou que a frente solicitará à mesa Diretora da Alep o aporte de R$ 2 milhões para incremento das pesquisas.

https://ricmais.com.br/noticias/coronavirus/

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