Coronavírus

Professores estaduais dizem que não retornarão às aulas presenciais na segunda

A pedido da APP-Sindicato, cientista constatou que terceira onda está chegando em abril. E se a situação continuar fora de controle. a quarta onda será em junho.

Giselle
Giselle Ulbrich
Professores estaduais dizem que não retornarão às aulas presenciais na segunda
Sala de aula vazia de curso de farmácia em escola alemã

11 de março de 2021 - 21:55 - Atualizado em 11 de março de 2021 - 21:55

Resumo da matéria

  • Professores e trabalhadores da rede estadual de ensino dizem que não vão voltar ao trabalho presencial na segunda-feira. Pedem continuação de aulas online.
  • Cientista realizou estudo afirmando que Curitiba terá terceira onda em abril e quarta onda em junho
  • Volta às aulas na segunda também também foi discutida na reunião da Frente Parlamentar do Coronavírus, na Alep
  • Alguns deputados se manifestaram contra o retorno presencial. A Seed se manifestou afirmando que as escolas tem ambiente controlado e é seguro para retorno presencial
  • Escolas particulares também se manifestaram e dizem que possuem condições biossanitárias de retorno seguro

Professores e outros trabalhadores da rede estadual de ensino prometem cruzar os braços e não voltar às aulas na segunda-feira (15). Se o governador Ratinho Júnior não recuar na decisão de voltar às aulas presenciais nesta data, diz a APP-Sindicato, a categoria promete entrar em greve. No entendimento do sindicato, é impossível voltar às aulas com este agravamento da pandemia.

Lucas Ferrante, cientista coordenador de um estudo que aponta o descontrole da epidemia de Covid 19 em Curitiba, alertou à APP-Sindicato sobre uma terceira onda da doença que elevará o número de mortes para até 100 por dia na capital, no começo de abril. E em junho, deveremos chegar a uma quarta onda, caso a situação fique fora do controle. A APP defende que as aulas continuem no mesmo modelo do ano passado, com aulas à distância.

A APP ainda pediu Ferrante, que é cientista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), para fazer um estudo semelhante ao realizado em Curitiba abrangendo todo o Paraná. “Essas pesquisas regionalizadas vão nos dar um quadro real da situação em todo o Estado”, explica Leão. O trabalho deve estar pronto daqui a duas semanas.

Frente Parlamentar do Coronavírus

Na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), o retorno às aulas presenciais, programado para a segunda-feira (15) em toda a rede de ensino público estadual no Paraná, também foi debatido durante a reunião da Frente Parlamentar do Coronavírus.

A preocupação com a disseminação da cepa da variante amazônica do vírus foi demonstrada pela representante da APP Sindicato, Walkiria Mazeto. Segundo ela, as escolas municipais e estaduais paranaenses não têm estrutura adequada para garantir a biossegurança dos alunos.

“Não é um ambiente controlado. Se o Estado não consegue dar conta do uso de máscaras e distanciamento, como os professores e profissionais vão controlar a interação social aguardada pelas crianças e adolescentes? Nossos profissionais usam transporte coletivo urbano para ir às escolas e um professor interage durante o dia com pelos menos 100 estudantes”, declarou Walkiria.

A crítica foi à afirmação feita pelo representante da Secretaria de Estado da Educação, diretor de educação Roni Miranda, de que a rede de ensino está totalmente adequada. “Acreditamos no espaço escolar como ambiente controlado, com profissionais de educação, professores, pedagogos e administrativo preparados para receber os estudantes com orientação da secretaria”.

“Houve evasão de 70 mil estudantes em 2020, tanto do fundamental quanto do médio. O ensino remoto do Paraná foi exemplo para o Brasil, mas é paliativo. O momento agora é de retorno, presencial”, disse Miranda.

A afirmação foi contestada por Walkiria Mazeto. De acordo com ela, 70 escolas que tiveram casos confirmados no retorno às aulas em fevereiro não tiveram a suspensão das atividades autorizadas pela SEED.

A solicitação foi acompanhada pela deputada Luciana Rafagnin. “Como vamos colocar em risco nossas crianças, professores e profissionais da educação? Sugiro encaminhar um ofício ao governador para que as aulas sejam suspensas em pelo menos 30 dias. Precisamos ter a situação controlada. Que este requerimento seja encaminhado com urgência”, cobrou.

De acordo com Douglas Oliani, diretor do Sindicato das Escolas Particulares de Curitiba, 95% das escolas particulares atenderiam a todos os critérios para voltar às aulas presenciais. Ele pediu ajuda dos parlamentares paranaenses para encaminhar à Câmara Federal a recolocação dos professores e profissionais de educação na escala de prioridades da vacinação no país, de quarto para segundo grupo a receber a imunização.