Coronavírus

Pesquisa aponta que a vacina tríplice viral ajuda o organismo no combate à covid-19

O imunizante usado contra sarampo, caxumba e rubéola pode estimular o sistema imunológico dos vacinados e auxiliar na luta contra o novo coronavírus; assista entrevista abaixo! 

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com entrevista de Camila Andrade da RIC Record TV, Curitiba
Pesquisa aponta que a vacina tríplice viral ajuda o organismo no combate à covid-19
Foto: Pixabay

11 de março de 2021 - 18:39 - Atualizado em 11 de março de 2021 - 18:59

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e do Hospital Universitário em Florianópolis, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (Fapesc), apontou que a vacina tríplice viral, velha conhecida dos brasileiros, pode ajudar o organismo a combater à covid-19

Segundo o coordenador do projeto, o médico Edison Natal Fedrizzi, a ideia de buscar uma vacina já existente contra o novo coronavírus surgiu logo que os primeiros casos da doença foram identificados no Brasil, em março de 2020. Na ocasião, ao analisar estudos prévios, os pesquisadores observaram que as vacinas BCG, VIP e tríplice viral têm a capacidade de estimular o sistema imunológico do vacinado e, com isso, dar ao organismo uma proteção contra outras infecções. “Os estudos já mostram que as pessoas recentemente vacinadas com essas vacinas diminuíram muito as infecções respiratórios, do trato gastrointestinal, mortalidade nas crianças, e que provavelmente, o mecanismo seria por ativação dessa imunidade. Então, nós começamos a avaliar qual dessas três seria a ideal e encontramos a tríplice viral”, explicou Fedrizzi. 

O teste feito com 430 voluntários mostrou que a tríplice viral diminuiu a chance dos infectados apresentaram sintomas leves e graves da covid-19.

“Em julho a gente já começou a fazer o estudo com os voluntários, são todos profissionais na área da saúde com o risco aumentado de se expor ao vírus, e acompanhamos eles durante todo esse período de praticamente seis meses, fazendo avaliações mensais. Na metade de janeiro, a gente já teve o número suficiente de infectados com covid-19 para ser possível fazer uma comparação entre o grupo que recebeu vacina  e o grupo de que recebeu placebo. O que nós observamos é que as pessoas vacinas tiveram menos covid sintomático e tiveram menos chances de serem hospitalizadas”, disse o coordenador. 

Fedrizzi ressalta, no entanto, que para a tríplice viral funcionar contra a covid-19 é necessário que ela tenha sido tomada no máximo há seis meses. Esse é o período no qual o sistema de defesa permanece estimulado depois de entrar em contato com os microorganismos vivos e atenuados do imunizante. 

“As pessoas que já fizeram a vacina da tríplice viral, elas têm uma proteção provavelmente para o resto da vida para sarampo, caxumba e rubéola. O mecanismo de ação dessa proteção são os anticorpos. Para fazer uma ação contra a covid-19, nós precisamos estimular uma outra fase do nosso sistema de defesa que é a chamada fase inicial, a imunidade nata e a imunidade celular. Essa imunidade é estimulada por essas vacinas que apresentam microorganismos vivos e atenuados, como é o caso da tríplice viral. Então para ter uma ação benéfica de melhora do nosso sistema de defesa e para diminuir a evolução da covid, ela precisa ser feita neste momento ou, pelo menos, a menos de seis meses. Passando de seis meses, essa imunidade nata, essa imunidade que dá essa proteção inicial, tende a desaparecer.” 

Segundo o estudo, a tríplice viral combate o novo coronavírus. (Foto: Reprodução/FioCruz)

Ainda conforme o médico, é preciso ter em mente que o estudo não vê a tríplice viral como um tratamento precoce ou uma substituta às vacinas contra a covid-19, mas sim como uma forma emergencial de melhorar a imunidade da população até que todos tenham acessa ao imunizante adequado e específico. 

Mesmo com o animador resultado da pesquisa, é necessário aguardar um posicionamento dos governantes para saber se o país poderá disponibilizar a vacina para ser usada contra o novo coronavírus, sem afetar sua distribuição para o protocolo atual, que é sarampo, caxumba e rubéola. Fedrizzi também alerta que os postos de saúde não irão vacinar aqueles que estão com a tríplice viral em dia na Carteira de Vacinação.

O próximo passo da equipe de 20 profissionais envolvidos na pesquisa é publicar os resultados para que eles possam ser analisados pela comunidade científica.“Os nossos órgãos de saúde já tiveram acesso a esses resultados, o que nós precisamos agora é fazer com que esses resultados se tornem um artigo publicado em uma revista científica e conceituada para que possa ter os dados escritos e os resultados com todas as informações possíveis”, completou Fedrizzi. 

Assista à entrevista completa: