Coronavírus

Pela primeira vez, Cascavel confirma mais de mil casos ativos de covid-19

Segundo o boletim epidemiológico deste sábado (27), existem 1.103 pessoas infectadas e com potencial transmissor do novo coronavírus no município

Redação RIC Mais
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Pela primeira vez, Cascavel confirma mais de mil casos ativos de covid-19
Foto: Geraldo Bubniak/AEN

27 de fevereiro de 2021 - 14:58 - Atualizado em 27 de fevereiro de 2021 - 16:41

A cidade de Cascavel, no oeste do Paraná, como todo o estado, está enfrentando nos últimos dias a pior fase de covid-19 desde o início da pandemia. Neste sábado (27), a Secretaria de Saúde confirmou, pela primeira vez, mais de mil casos ativos da doença no município. São 1.103 pessoas infectadas e com potencial transmissor do novo coronavírus. 

De acordo com o boletim epidemiológico da cidade, nas últimas 24h, foram registrados 443 novos casos de covid-19 e seis óbitos em decorrência de complicações causadas pela infecção. As mortes são de cinco homens e uma mulher com idades de 38 a 84 anos.

Uma enfermeira, que prefere não se identificar, conta que nos últimos dias o número de atendimentos no estabelecimento de saúde em que trabalha mais do que triplicou em comparação com o pior período enfrentado em 2020. 

“Se for comparar com o pico da pandemia do ano passado, só nessa semana, mais do que triplicaram os atendimentos. São muitos pacientes jovens, sem comorbidades, com dificuldade respiratória com baixa saturação e precisando de oxigênio. Muitos pacientes idosos que antes a gente conseguia tratar em casa e agora estão precisando de oxigênio. Pacientes que precisam de internamento e a gente não consegue direcionar para os hospitais porque não tem vaga, não tem leito. Não tem como mandar esses pacientes para casa porque também não tem mais cilindro de oxigênio, nem transformador que um aparelho que a gente usa para o paciente ficar em casa”, relata. 

Ela ainda completa:  

“Essa semana a gente atendeu mais de 400 pacientes, mais ou menos 70% desses casos estão positivando, desses uns 30% são pacientes graves. A equipe está saturada, a gente está trabalhando sem parar, atendendo um atrás do outro. A gente está tendo que transferir nossos pacientes para outras regionais, onde também estão acabando as vagas. A tendência é que piore na semana que vem porque até tem leitos que estão vagando, mas os leitos que estão vagando não é porque as pessoas estão melhorando e indo para para casa. É porque as pessoas estão morrendo com três, quatro dias de internamento. São casos que evoluem muito rápido. Está bem complicado. Bem difícil”, desabafa a profissional de saúde.

Vagas em hospitais

A taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI’s), exclusivos para covid-19, da região macro-oeste que engloba inúmeros municípios das regiões de Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão e Pato Branco, está em 98,69%. Enquanto a ocupação dos leitos de UTI somente de Cascavel e também destinados a pacientes de covid-19 está em 98,57%

Já os leitos de enfermaria encontram-se em uma situação menos pior, sendo que na região macro-oeste a taxa de ocupação é de 73,58% e dentro de Cascavel de 89,47%. 

Os números mostram que até mesmo a transferência de doentes para outras cidades, como última tentativa de salvar a vida dos pacientes, está dificultada pela alta taxa de ocupação em todos os hospitais da região macro-oeste. 

Paraná em alerta

Na sexta-feira (26), o governador Carlos Massa Ratinho Junior anunciou uma série restrições de circulação e funcionamento de comércios e serviços na tentativa de conter o avanço de casos da covid-19 no Paraná. As medidas começam a valer neste sábado e vão até às 5h do dia 8 de março.

Entre as ações estão:

  • a proibição de circulação em espaços e vias públicas, das 20h às 05h;
  • a proibição de comercialização e consumo de bebidas alcoólicas em espaços de uso público ou coletivo no período das 20h às 05h;
  • a suspensão da volta as aulas presenciais;
  • a suspensão de cirurgias eletivas em todo o Estado por 30 dias;
  • a suspensão de serviços e atividades consideradas não essenciais.

As vésperas de publicar o novo decreto, o governador já havia falado sobre a situação preocupante da rede de saúde após alta de casos de covid-19.

“Serão dias turbulentos, mas as medidas servirão para salvar vidas. Não podemos ter um colapso na saúde. Vamos vencer mais esse momento. […] Além disso, há muitos jovens sendo internados, o que antes não ocorria, e houve um aumento de 900% na fila de pessoas precisando de leitos hospitalares. É um cenário gravíssimo”, disse na ocasião.

Também na sexta-feira, o Brasil atingiu o terceiro dia consecutivo com recorde diário de mortes por covid-19. Foram registrados ontem 1.152 óbitos, maior número desde o início da pandemia, acima dos 1.148 da terça-feira (25) e dos 1.123 de quarta-feira (24).

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