Coronavírus

“Nem sempre os finais são felizes como esse”, diz médico sobre alta do pai que teve covid-19

O idoso de 69 anos ficou hospitalizado por 37 dias na mesma instituição de saúde em que o filho trabalha

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com Assessoria de Imprensa
“Nem sempre os finais são felizes como esse”, diz médico sobre alta do pai que teve covid-19
Foto: Divulgação

26 de janeiro de 2021 - 18:20 - Atualizado em 26 de janeiro de 2021 - 18:21

“Nunca acreditei em Deus, mas agora sei que Deus é o amor que sentimos”. Com essas palavras, Jarbas da Silva Motta, 69 anos, deixou a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para pacientes com covid-19 do Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, após 37 dias de internação. 

A alta hospitalar, realizada na última sexta-feira (22), foi cheia de emoção. O motivo é que um dos principais médicos intensivistas da instituição, Jarbas da Silva Motta Junior, é filho do aposentado.

“Hoje sou só gratidão, a todos os profissionais que me acolheram e me cuidaram tão bem. Sinto que invertemos um pouco os papéis na família, agora sou um pouco filho e ele é um pouco pai”, disse o idoso emocionado.

Para o médico, que optou por transferir o pai da cidade de Igrejinha, no Rio Grande do Sul, para Curitiba, no Paraná, mais de 720 quilômetros de distância, dois dias após a confirmação do diagnóstico da covid-19, o pai se mostrou um guerreiro muito mais forte do que ele imaginava.

“Tive a sorte de participar da alta de vários pacientes, mas essa é especial. Agora ganhei mais um filho e pude comprovar o quanto a minha equipe da UTI é dedicada. O mérito da alta de hoje é dele e da equipe aqui do hospital”, afirmou.

Linha de frente

O intensivista do Hospital Marcelino Champagnat foi um dos primeiros médicos da capital paranaense a atender um caso grave covid-19, em março do ano passado. Mesmo assim, por motivos éticos e para não deixar que a emoção atrapalhasse a razão na tomada de decisões, o médico não ficou à frente dos cuidados do pai. 

Inclusive, quando o estado de saúde do aposentado ficou crítico e inspirando mais cuidados, o filho se afastou da UTI e passou a atender pacientes na outra unidade de terapia intensiva do hospital.

“Assim que ele chegou aqui no hospital, olhei para a equipe e disse que a partir daquele momento eu era apenas filho. Vi a dedicação de cada um e percebi como é estar do outro lado. Muitas vezes a gente atua no automático, tudo para salvar a vida do paciente, esquecendo da família que está aflita lá fora. Tudo fica como um grande aprendizado”, conta. “Por tudo isso, mais uma vez ressalto: a vacina chegou, mas não é hora de nos descuidarmos. Essa doença é grave e nem sempre os finais são felizes como esse”, friza.

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