Coronavírus

Municípios denunciados por fura-fila da vacina tem até esta terça para se explicar

Caso prefeitos e demais políticos não expliquem de forma convivente o que aconteceu, podem até ficar inelegíveis na próxima eleição.

Giselle
Giselle Ulbrich com informações da repórter Camila Andrade, da RIC Record TV
Municípios denunciados por fura-fila da vacina tem até esta terça para se explicar
Foto: REUTERS/Carla Carniel

12 de abril de 2021 - 23:20 - Atualizado em 12 de abril de 2021 - 23:20

Resumo da matéria

  • 18 municípios paranaenses são investigador por furar a fila da vacinação, todos de pequeno porte
  • O ex-prefeito de Paiçandu, Tarcísio Marques, é um dos denunciados e alega que foi vacinado porque é profisisonal de saúde
  • "Multivacinados": averiguação constatou que 498 doses foram aplicadas em somente 165 CPFs
  • Políticos em prefeituras que não conseguirem se explicar e tiverem contas reprovadas pelo TCE podem ficar inelegíveis na próxima eleição.

Pelo menos 18 municípios do Paraná são investigados por denúncia de furar a fila da vacina contra a Covid-19. Todos foram notificados, para que prestem explicações para o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) até esta terça-feira (13). Porém até a noite desta segunda, nenhum tinha apresentado qualquer argumentação sobre as denúncias.

Uma das promotorias do Ministério Público do Paraná (MPPR) pediu ao TCE para acompanhar as investigações. Até o momento, conforme o coordenador de fiscalização do TCE, Rafael Ayres, há denúncias de pelo menos um prefeito, três ex-veradores e dezenas de veradores que furaram a fila da vacina. São políticos que alegaram que eram desde motoristas de ambulância, até médicos, porém sem comprovarem a devida função ou formação acadêmica.

Um deles é o ex-prefeito de Paiçandu, Tarcísio Marques, que afirmou à equipe da RIC Record TV que é profissional da saúde privada há mais de 30 anos em atividade. “Entraram em contato comigo e fui lá tomar a vacina. Não há irregularidade”, disse ele, que não explicou, nem comprovou qual é sua formação e a atividade que exerce.

Multivacinados

O TCE cruzou as informações que tinha com dados da Controladoria Geral da União (CGU) para “contabilizar” as irregularidades e constatou diversos casos de “multivacinados“, ou seja, pessoas que, na teoria, tomaram diversas doses da vacina. Foram 498 doses, aplicadas em somente 165 CPFs.

A investigação apurou que 70% dos casos se concentram em quatro municípios, todos de pequeno porte. “Não se verifica ocorrências nas grandes cidades. As práticas mais frequentes foram em municípios menores, provável por terem a sensação de impunidade e isolamento“, analisa Ayres.

A investigação está sendo feita em sigilo. Mas o conselheiro não descarta uma investigação in loco nestas cidades. O prazo para que os denunciados se expliquem termina nesta terça-feira (13) e, caso as respostas não sejam satisfatórias, diz Ayres, o TCE vai instaurar um processo próprio para avaliar as responsabilidades.

Ao final do procedimento do TCE, isso pode resultar no julgamento da irregularidade das contas destas prefeituras que, confoirme avaliação da Justiça Eleitoral, pode levar políticos a ficarem inelegíveis na próxima legislatura.

O telefone para denúncias de casos de fura-filas da vacina da Covid é o 0800 645 0645.

Assista a reportagem de Camila Andrade e Clemar Malmann:

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