Coronavírus

Hemepar busca doação de plasma de pacientes que tiveram Covid-19

Desde o ano passado, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) faz a coleta e a produção de plasma hiperimune para repassar a hospitais que usam a terapia como alternativa no tratamento dos pacientes internados.

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da Agência Estadual de Notícias
Hemepar busca doação de plasma de pacientes que tiveram Covid-19

11 de março de 2021 - 22:40 - Atualizado em 11 de março de 2021 - 22:40

Pessoas que já se recuperaram da Covid-19 podem ajudar outros pacientes de uma forma bastante simples: doando plasma. Um dos componentes sanguíneos, justamente a parte líquida do sangue, o plasma de pacientes que tiveram a doença pode concentrar uma grande quantidade de anticorpos que agem no combate à infecção – é o chamado plasma hiperimune ou plasma convalescente.

Desde o ano passado, o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) faz a coleta e a produção de plasma hiperimune para repassar a hospitais que usam a terapia como alternativa no tratamento dos pacientes internados. Mais de mil bolsas foram produzidas no período, mas para atender à demanda, que é diária, é necessário que mais pessoas façam a doação ao Hemepar.

Para isso, o paciente recuperado precisa esperar até 45 dias do diagnóstico do RT-PCR ou 30 dias após o fim dos sintomas. Também é necessário agendar a coleta no Hemepar (AQUI).

A coleta de sangue pode ser feita em qualquer unidade da Hemorrede no Paraná. Já a coleta somente do plasma, nas doações por aférese, é feita apenas em Curitiba, assim como a produção do material que é destinado aos hospitais. Para isso, o sangue do doador é analisado para ver a quantidade de anticorpos IgG (Imunoglobulina G) circulante. Caso haja uma boa titulação de anticorpos, é feita a produção. Cada bolsa de sangue produz 200 ml de plasma hiperimune.

Na outra técnica, a doação por aférese, uma máquina separa todos os componentes primários do sangue, podendo coletá-los individualmente. Dessa forma, só o plasma é retirado, e em maior quantidade. “Com a aférese conseguimos coletar até 600 ml de plasma, o que corresponde a três doses. Além disso, as pessoas podem doar uma vez por semana, diferente da doação de sangue convencional, que só pode ser feita novamente com um intervalo de 60 a 90 dias”, explica a diretora-geral do Hemepar, Liana Labre de Souza.

TERAPIA

A transfusão de plasma convalescente é experimentada há tempos como terapia para doenças infecciosas. Chegou a ser usada na pandemia de gripe espanhola, no início do século passado, e também em surtos mais recentes, como do sarampo, da influenza e até do ebola. O Hemepar prepara um estudo junto com médicos do Hospital do Rocio, de Campo Largo, Região Metropolitana de Curitiba, para avaliar a efetividade da terapia.

No caso da doença causada pelo novo coronavírus, a transfusão é feita no início da infecção, nos primeiros cinco dias, em pacientes que não estejam com o pulmão muito comprometido e sempre com autorização dos familiares. “Temos efetivamente bons resultados com o plasma convalescente, e um estudo será publicado com essa avaliação nos pacientes com Covid-19. Mas ainda é tudo muito empírico, é preciso que mais trabalhos científicos sejam publicados”, afirma Liana.

“A Covid-19 é uma doença nova, e os médicos e cientistas ainda buscam por um tratamento eficaz. As terapêuticas que temos hoje, inclusive a transfusão de plasma, ainda não tratam a patologia, mas dão uma boa melhorada. Temos boas respostas em alguns pacientes, e resposta nenhuma em outros”, ressalva. “Mesmo depois de um ano de pandemia ainda não há um tratamento de eleição, somente indicativos de melhora. O que se sabe de concreto é que distanciamento, uso de máscaras e higiene das mãos é o que efetivamente dá certo”, acrescenta.