Coronavírus

“Fase mais crítica dos últimos 100 anos”: infectologista relata dia a dia no hospital

Com o aumento drástico no número de casos de pessoas infectadas pela covid-19 no Estado, a preocupação é que faltem leitos nos hospitais e que a população não possa ser atendida

Daniela
Daniela Borsuk
“Fase mais crítica dos últimos 100 anos”: infectologista relata dia a dia no hospital
(Foto: Fabrício Calixto/ RIC Mais)

5 de março de 2021 - 18:44 - Atualizado em 5 de março de 2021 - 18:44

Na tarde desta sexta-feira (5), em entrevista ao vivo para o portal RIC Mais, a médica infectologista Dra. Fernanda Pedroso, pesquisadora da vacina da Jassen, falou sobre a covid-19 no Paraná, as novas variantes do novo coronavírus, a eficácia das vacinas e o dia a dia nos hospitais. Para a médica, o cenário é preocupante e o sistema de saúde do país está “à beira do colapso”. 

“Eu digo para vocês que a gente está à beira do colapso. Não é para deixar as pessoas nervosas, angustiadas, mas é para deixar elas em casa. Este é o meu recado principal. A gente tem que diminuir a circulação de pessoas, porque assim a gente vai diminuir a circulação viral”, explica. “É a fase mais crítica que a gente já teve no Brasil nos últimos 100 anos”.

Alerta. 

Com o aumento drástico no número de casos de pessoas infectadas pela covid-19 no Estado, a preocupação é que faltem leitos nos hospitais e que a população não possa ser atendida. 

“Neste momento, se você tiver um infarto, se você tiver um AVC, você precisa de um leito, precisa de uma vaga e não tem. Neste momento, não tem. E isso é muito, muito preocupante. As pessoas vão acabar falecendo”.

Diz a infectologista. 

Ao ser questionada sobre como está o dia a dia dentro das unidades de atendimento, a Dra. Fernanda Pedroso, que é intensivista, atua em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e como responsável pelo Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Centro Hospitalar Nossa Saúde, afirmou que os profissionais estão cansados e exaustos, e pediu o apoio de quem está fora dos ambientes hospitalares para que se conscientizem e tomem os cuidados necessários. 

“Não quero ser alarmista, mas eu quero passar a impressão do que a gente tá vendo na linha de frente, o que a gente tá enfrentando: é cenário de guerra, de verdade, eu quero que as pessoas se preocupem porque realmente os números estão alarmantes”.

Desabafa Fernanda. 

Novas variantes 

As novas variantes do novo coronavírus já estão em circulação no Brasil e, de acordo com a infectologista Dra. Fernanda Pedroso, são mais transmissíveis do que a cepa do vírus “selvagem”, ou seja, sem mutação. 

“Existem três variantes no mundo, nós temos a variante de Manaus, que é a variante P1, temos a variante do Reino Unido e temos também a variante da África do Sul. Agora, a gente tem uma variante chamada P2 que é lá do Rio de Janeiro também, que é uma novidade, que é uma variante que tá circulando”.

Diz Fernanda.

“O que a gente sabe da nossa variante aqui, que é a P1, é bem parecida com a da África do Sul, a gente tem certeza e sabe que ela é muito mais transmissível, ou seja, ela infecta muito mais pacientes. O que a gente está achando, mas ainda não tem certeza, é que é uma variante mais virulenta, ou seja, uma variante mais agressiva.” Para confirmar se as variantes são mais letais do que as vistas anteriormente, são necessários mais estudos, afirmou a médica infectologista.  

Ainda não é possível confirmar se as vacinas serão eficazes contra as novas cepas do coronavírus. Além disso, é preciso ressaltar que, mesmo com a imunização, as pessoas deverão continuar com os cuidados. A previsão é de que o relaxamento das medidas só seja seguro quando mais de 90% da população brasileira esteja imunizada. 

“Mesmo pessoas vacinadas continuam transmitindo o vírus. Elas podem ter doença leve mesmo sendo vacinadas e a transmissão acontece do mesmo jeito, então têm que ter o mesmo cuidado”.

Frisa a médica. 

Acompanhe a entrevista completa que foi ao ar na Live RIC Mais, clicando aqui.

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