Coronavírus

Ex-prefeito de Paiçandu nega que tenha furado fila da vacina de covid-19

Ele foi um dos denunciados ao TCE/PR por ter recebido a vacina de forma indevida; o órgão deu às prefeituras cinco dias para responderem aos apontamentos

Redação RIC Mais
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Ex-prefeito de Paiçandu nega que tenha furado fila da vacina de covid-19
Foto: Reprodução/RIC Record TV

9 de abril de 2021 - 16:05 - Atualizado em 9 de abril de 2021 - 16:25

Paiçandu, no noroeste do Paraná, foi um dos 18 municípios notificados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE/PR) para esclarecer situações de supostas irregularidades na vacinação contra a covid-19. Entre as denúncias, está a de que o ex-prefeito Tarcísio Marques dos Reis furou a fila ao afirmar que estaria trabalhando como psicólogo. 

Reis, que esteve à frente da cidade por oito anos e deixou o cargo em 2020, conversou com a RIC Record TV e alegou que tomou a 1ª dose do imunizante porque foi chamado pela Secretaria de Saúde Municipal e que embora não “saia anunciando”, ele nunca deixou de atuar como psicólogo clínico

“Eu sou profissional da saúde privada, estou na ativa há mais de 30 anos. Sou formado em psicologia pela UEM, em Maringá, nunca deixei de atender em psicologia clínica, sou especialista inclusive. Então, não existe irregularidade porque chegou o momento, no cronograma da vacinação, que pessoas da saúde privada poderiam tomar. Então, entraram em contato comigo, eu tomei a vacina, segundo a orientação da própria epidemiologia de Paiçandu”, disse o ex-prefeito de Paiçandu. Ele ainda completou: “Eu não sou obrigada a sair pela rua falando quem eu atendo, quantos eu atendo, onde eu atendo porque a nossa profissão é protegida pelo Código de Ética da psicologia brasileira”. 

Irregularidades na vacinação do Paraná

As 18 notificações encaminhadas pelo TCE/PR pedem explicações sobre a aplicação de vacinas contra a covid-19 indevidas em um prefeito, três ex-prefeitos e dezenas de vereadores do interior do Paraná.

De acordo com o órgão, as pessoas citadas, aparentemente, não se enquadram em nenhum dos grupos prioritários para imunização, conforme os critérios definidos pelo Ministério da Saúde. 

Conforme apurado pelo Tribunal, diversos vereadores foram indevidamente vacinados na condição de “motorista de ambulância”, apesar de as informações presentes nos sistemas das prefeituras não demonstraram o exercício da atividade pelos parlamentares. Também foram registrados casos de agentes políticos vacinados apenas com a justificativa “outros“, sem a apresentação de quaisquer informações adicionais.

Entre as diversas situações detectadas, destacam-se a de um vereador sem formação superior que foi vacinado como farmacêutico; de outro que, apesar de ser motorista do quadro de servidores do município, foi imunizado como médico; e de uma parlamentar que recebeu a vacina por ser ex-sócia de uma clínica médica pertencente ao marido.

O TCE/PR ainda solicitou informações a quatro municípios sobre casos de multivacinados – quando o portador de um mesmo CPF supostamente recebe diversas doses do imunizante. Essa situação foi verificada a partir de informações fornecidas pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Punições

Agora, o Tribunal aguarda a posição das administrações municipais sobre as irregularidade identificadas. Caso elas não sejam capazes de explicar devidamente as ocorrências, os gestores ficarão sujeitos à aplicação de multas e outras sanções. Os responsáveis também podem ter de responder no âmbito administrativo-disciplinar, bem como judicialmente nas esferas cível e penal, por atos de improbidade administrativa e crimes como peculato, corrupção e abuso de poder.

Para o coordenador-geral de Fiscalização do TCE-PR, Rafael Ayres, é improvável que as possíveis ilegalidades tenham sido causadas por falhas técnicas. “Essa hipótese pode ser descartada, já que tanto os casos de agentes políticos fura-filas quanto de multivacinados ocorreram somente em municípios de médio e pequeno porte. Nenhum caso foi registrado em Curitiba, Maringá e Ponta Grossa, por exemplo”, explicou ele.

Denuncie

Cidadãos que tomarem conhecimento de irregularidades na vacinação contra a covid-19 no Paraná podem fazer uma denúncia. Os contatos com a Ouvidoria podem ser feitos de três maneiras:

  • pela internet, via portal do TCE-PR;
  • por ligação telefônica gratuita, pelo número 0800-645-0645, das 12 às 18 horas de dias úteis;
  • por carta endereçada à Praça Nossa Senhora de Salete, s/n, Centro Cívico, Curitiba-PR, CEP 80530-910.