Coronavírus

Especialistas tiram dúvidas sobre medidas sanitárias necessárias para população vacinada

Curitiba já vacinou 58,1% da população com 18 anos ou mais com pelo menos uma dose do imunizante anticovid. Apesar desse avanço, especialistas reforçam que não é hora afrouxar nos cuidados de prevenção

Daniela
Daniela Borsuk com informações da Prefeitura de Curitiba
Especialistas tiram dúvidas sobre medidas sanitárias necessárias para população vacinada
(Foto: Daniel Castellano / SMCS)

6 de julho de 2021 - 15:11 - Atualizado em 6 de julho de 2021 - 15:11

Mesmo com o avanço da vacinação contra a covid-19 em Curitiba, especialistas da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) alertam que a pandemia não acabou e os protocolos sanitários de prevenção devem ser mantidos.

Curitiba já vacinou 58,1% da população com 18 anos ou mais com pelo menos uma dose do imunizante anticovid. Apesar desse avanço, a infectologista da secretaria Marion Burger reforça que não é hora afrouxar nos cuidados de prevenção. Ainda é necessário manter os protocolos sanitários – como uso de máscara, higienização constante das mãos e distanciamento social – essenciais no combate do novo coronavírus. 

“Ao acompanhar as notícias de outros países que têm permitido a flexibilização dos protocolos sanitários, muitas pessoas acham que já podem voltar a uma rotina normal. Ainda não é possível fazer o mesmo por aqui”.

destaca Marion.

Ela reforça que os municípios ainda contabilizam centenas de novos casos diários e muitas mortes por covid-19 e que, enquanto persistir a grande circulação do novo coronavírus no Brasil, é possível que uma pessoa imunizada contraia e transmita o vírus.

Apesar de ser a mais forte arma no combate à pandemia, a vacina sozinha não é capaz de cumprir essa missão, complementa o epidemiologista da SMS Diego Spinoza dos Santos. Os demais cuidados de prevenção seguem com papel fundamental na queda da circulação do vírus.

“Só voltaremos à normalidade quando a curva de novos casos da doença cair drasticamente, com a consequente queda de internações e óbitos. A vacina precisa de ajuda para isso ocorrer”.

recomenda o epidemiologista. 

Após a vacinação parcial (somente a primeira dose recebida), já existe alguma proteção contra as formas mais graves da doença, mas ainda há risco de contágio e transmissão. Mesmo após estar com o esquema vacinal completo, não há proteção 100% assegurada. Daí a importância de seguir com as demais medidas adotadas para evitar a transmissão do novo coronavírus e colaborar para o controle da epidemia.

Tira suas dúvidas

A Prefeitura de Curitiba elaborou uma série de perguntas e respostas com a ajuda dos especialistas Marion e Spinoza para esclarecer as principais dúvidas da população sobre os cuidados que devem ser mantidos mesmo com a vacina.

Veja:

Quem recebe a primeira dose da vacina está protegido?

Não. As vacinas precisam de um tempo após aplicação para o desenvolvimento da imunidade contra a covid-19. Das quatro vacinas aprovadas para aplicação no Brasil, três delas – CoronaVac, AstraZeneca ou Pfizer – têm esquema vacinal em duas doses. Portanto, é preciso receber também a segunda dose para obter a proteção conferida por elas. Somente a primeira dose desses imunizantes oferece uma proteção parcial. A vacina Janssen é recomendada em dose única e também precisa de um tempo após a aplicação para atingir seu máximo de proteção.

Quanto tempo a vacina leva para proteger o indivíduo?

As vacinas contra a covid-19 levam de duas a três semanas após o recebimento do número total de doses preconizadas para cada imunizante para desencadear a resposta imune. O corpo humano não gera uma resposta imediata à vacina e, até que a imunidade ocorra, a pessoa continua suscetível à infecção e transmissão do vírus SARS-CoV-2.

Quem já teve covid-19 precisa se vacinar?

Sim. Apesar de ser verdade que o corpo humano possa gerar anticorpos após a doença, nem sempre há o desenvolvimento da chamada “memória imunológica”, que é a capacidade de reconhecer o vírus e evitar que ocorra uma nova infecção. Em pessoas que já tiveram covid-19, a vacina pode desencadear uma imunidade mais duradoura. A recomendação é que nessas pessoas o imunizante seja aplicado pelo menos quatro semanas após a recuperação. 

Quem já recebeu uma ou duas doses da vacina pode deixar de usar máscara?

Não. A vacinação é uma estratégia coletiva de proteção e enquanto persistir a circulação do novo coronavírus e a imunização não atingir pelo menos 70% da população, será necessário que todos – vacinados ou não – sigam com os protocolos sanitários de prevenção da covid-19, inclusive o uso da máscara.

Quem já está vacinado pode pegar covid?

Sim, é possível ter covid-19 mesmo após receber as doses recomendadas. Isso porque além de nenhuma vacina ofertar 100% de eficácia, o tempo em que o corpo está produzindo os anticorpos deve ser considerado. Pessoas que contraíram o vírus nos dias anteriores ou logo após receber a vacina ainda não estarão protegidas e podem, inclusive, apresentar as complicações da infecção pelo SARS-CoV-2.

Quem já está vacinado pode transmitir o novo coronavírus?

É possível. A grande proteção que as vacinas disponíveis conferem é para as formas graves da doença. Ainda não há estudos que apontem que os imunizantes promovam a interrupção da transmissão do vírus. Assim, mesmo que a pessoa imunizada esteja protegida de desenvolver quadros graves da doença, pode ser infectada e transmitir o vírus outros indivíduos. 

Se há risco de contaminação e transmissão da covid-19 mesmo após a imunização, qual a função da vacina?

O maior benefício que qualquer vacina oferece é diminuir drasticamente as chances de complicações e morte decorrentes da infecção. Esse também tem sido o maior efeito das vacinas contra covid-19. A imunização também contribui para a redução da circulação do novo coronavírus, diminuindo as chances de surgimento de novas variantes do SARS-CoV-2. A expectativa é que esse efeito ocorra quando, no mínimo, 70% da população esteja vacinada, o que é conhecido como “imunidade coletiva”.

Quais cuidados devem ser mantidos mesmo após a imunização?

O protocolo sanitário básico deve ser mantido independentemente de a pessoa estar ou não imunizada. Isso inclui o uso da máscara, manter um distanciamento de 1,5 metros das outras pessoas, a higienização das mãos (com água e sabonete ou álcool em gel), evitar ambientes em que houver aglomeração de pessoas, além do imediato isolamento de casos suspeitos (pessoas com sintomas respiratórios que são sugestivos de covid-19). Sem esses cuidados, a vacinação, sozinha, não será suficiente para conter a pandemia.

É necessário usar uma ou duas máscaras?

Estudos apontam que o uso de duas máscaras pode ampliar a proteção e evitar o contágio do SARS-CoV-2. Contudo, mais importante é usar corretamente a máscara, que pode ser de dupla camada de tecido, tipo cirúrgica ou N95. Além de cobrir o nariz e a boca, é preciso se certificar que a máscara esteja bem ajustada ao tamanho e formato do rosto da pessoa, que não haja frestas nas laterais e que não fique caindo. É importante não tocar máscara e, caso ocorra, deve ser feita a higienização das mãos.

Com a chegada do inverno, como manter arejados e bem ventilados os ambientes fechados?

A queda das temperaturas faz com que as pessoas fiquem mais tempo em ambientes fechados e garantir a boa circulação do ar é fundamental para prevenir a transmissão do vírus e outros agentes infecciosos.Se o frio não permitir manter as janelas ou portas abertas o tempo todo, programe-se para abri-las por 15 minutos a cada duas horas para ventilar adequadamente o ambiente.

Até quando devemos seguir os protocolos sanitários?

Os protocolos sanitários e a vacinação devem continuar e a vacinação deve prosseguir até que haja o controle da epidemia, com a redução da velocidade de propagação do novo coronavírus. Ou seja, até que o número de novos casos da doença caia drasticamente, com queda de internamentos e óbitos por covid-19.

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