Coronavírus

Em quatro meses, mortes por Covid-19 de pessoas entre 40 e 49 anos são 55% maiores do que todo o ano de 2020

Pacientes graves, com filhos pequenos, são cada vez mais comum nas UTIs Covid

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais Com informações do Hospital Marcelino Champagnat.
Em quatro meses, mortes por Covid-19 de pessoas entre 40 e 49 anos são 55% maiores do que todo o ano de 2020
Foto: arquivo Pessoal Ciro Godói

25 de maio de 2021 - 16:25 - Atualizado em 25 de maio de 2021 - 16:26

O metalúrgico Ciro da Silva Porto, 41 anos, precisou de 34 dias na UTI para se recuperar da Covid-19. Casado, com filhos de 7 e 10 anos, ele sentiu os primeiros sintomas da doença no dia 6 de março. No dia 11, a saturação caiu e ele foi internado no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba (PR), e intubado, com 50% do pulmão comprometido.

Infelizmente, a história de pacientes jovens com risco de morte é cada vez mais comum nos hospitais de todo país. Dados do Cartório de Registro Nacional mostram que o número de óbitos por Covid-19 em pacientes com idade entre 40 e 49 anos aumentou 55% nos primeiros quatro meses de 2021, se comparado a todos os 12 meses de 2020. Foram 19.006 mortes registradas entre janeiro e abril deste ano, contra 12.195 mortes no ano passado.

Assim como muitos infectados, Ciro travou uma batalha contra o coronavírus. Depois de 11 dias foi extubado, mas menos de 48 horas depois voltou para a ventilação mecânica e precisou de uma traqueostomia.

“É comum observarmos uma fraqueza na musculatura dos pacientes e isso, muitas vezes, leva a uma nova intubação. A Covid-19 é uma doença muito agressiva, que exige muito dos pacientes, da família e da equipe de saúde”

Frisa o intensivista do Hospital Marcelino Champagnat, Jarbas da Silva Motta Junior.

“No início, a gente acha que tudo vai passar logo. Os amigos falam: ‘sete dias e ele está em casa´. Depois são 10 dias, 15 e o tempo não para de aumentar. Minha mãe também foi hospitalizada com coronavírus na mesma época e eu e meus filhos tivemos resultados positivos.

Enquanto eles travavam uma luta no hospital, eu fiquei trancada com os meninos e precisando ser forte pelas crianças, apesar da angústia diária”, conta a dona de casa Deisi Godói.

“No dia em que eu enterrei a minha mãe, meu marido foi intubado pela segunda vez. Até hoje não sei como tive forças”, desabafa.

O metalúrgico teve alta no dia 24 de abril. Ele ainda utilizou o oxigênio por duas semanas e, desde então, faz sessões de fisioterapia para recuperar a parte pulmonar e os 15kg de massa muscular que perdeu com a doença, mas agora está em casa.

Apoio

Além de contar com a ajuda e o apoio da família e dos amigos, Deisi conta que o cuidado do setor de psicologia do hospital fez diferença.

“O meu marido foi internado na sexta-feira e na segunda fizeram a primeira ligação por vídeo. Ele estava pronado, intubado, mas o fato de vê-lo fez toda a diferença, mesmo que pelo celular. Não sei explicar, mas é muito diferente do que só ouvir o médico falando sobre o estado de saúde”

lembra.

Enquanto Ciro estava desacordado, a equipe de psicologia fazia ligações diárias e colocava áudios da família e dos amigos para ele escutar.

“Sempre pedimos áudios da família e colocamos diariamente para os pacientes. Isso ajuda no tratamento. Quando acordam, os vídeos dos filhos, das pessoas mais próximas, refletem positivamente no estado de saúde. Quando têm filhos pequenos, o cuidado é ainda maior. Esse contato, mesmo que virtual, dá a força para que continuem o tratamento com mais vontade e esperança”, ressalta a psicóloga da UTI do Hospital Marcelino Champagnat Rosane Melo Rodrigues.

“A gente reunia a família para falar com ele. Meus filhos, os pais dele, todos com uma alegria enorme em ver a melhora e os progressos diários”, relembra a esposa de Ciro.

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