Coronavírus

Dois médicos de Cantagalo são denunciados por negligenciar diagnóstico de COVID. Paciente morreu

Um dos médicos atendeu o paciente por telemedicina e prescreveu soro. O outro atendeu presencialmente no hospital. A vítima estava grave e não foi encaminhada para um leito de UTI.

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações do MPPR
Dois médicos de Cantagalo são denunciados por negligenciar diagnóstico de COVID. Paciente morreu
Paciente com Covid-19 na UTI. (Foto: Reuters)

18 de fevereiro de 2021 - 21:35 - Atualizado em 18 de fevereiro de 2021 - 21:35

Resumo da matéria

  • Os dois médicos de Cantagalo negligenciaram o atendimento a um paciente de 66 anos, com suspeita de COVID-19. O idoso morreu.
  • O primeiro médico, em teleconsulta, prescreveu soro. O segundo, no hospital, não encaminho o paciente grave à UTI. Cidade tinha 10 leitos disponíveis
  • Ambos estão sendo denunciados por homicídio culposo, crime que pode dar de um a três anos de prisão.

O Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Cantagalo, no Centro-Sul do estado, ofereceu denúncia criminal por homicídio culposo contra dois médicos que teriam sido negligentes no atendimento a um paciente de 66 anos, que faleceu. Conforme apurado pela Promotoria de Justiça, amparada por parecer técnico da junta médica do MPPR, os médicos Elzio Teixeira Machado e Piero Victor Deki Serur não consideraram o caso do paciente como suspeito de Covid-19, apesar dos sintomas apresentados por ele (tosse, dores no corpo, dispneia, febre, queda de saturação de oxigênio no sangue), além do histórico de visitas a local com alto índice de casos positivos.

De acordo com a denúncia, o idoso foi atendido pelo primeiro médico em regime de telemedicina, sendo prescrito soro ao paciente, com a recomendação de que fosse encaminhado para o hospital de Laranjeiras do Sul caso seu quadro se agravasse. Já o segundo denunciado, apesar de receber o paciente no hospital com sintomas de Covid-19 e com piora rápida do quadro, também deixou de utilizar os protocolos do Ministério da Saúde para diagnóstico e definição de casos suspeitos de contaminação por coronavírus.

O paciente chegou a apresentar saturação de oxigênio igual a 85% (o que caracteriza hipóxia muito grave) e, apesar de o Hospital de Laranjeiras do Sul contar com dez leitos de UTI para Covid-19 na ocasião, diante da ausência de diagnóstico, nenhum leito foi destinado ao paciente, que faleceu em 26 de junho de 2020.

A denúncia por homicídio culposo (que tem pena de detenção de um a três anos) requer ainda o agravamento da pena (em um terço) previsto quando o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, conforme define o Código Penal no parágrafo 4º do artigo 121.

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