Coronavírus

“Comércio não é o grande problema”: Ratinho Jr. explica restrições da covid-19 e fala sobre cenário no Paraná

Ratinho Junior explicou como as medidas restritivas impostas pelo Governo têm impactado no número de transmissões e casos da doença

Daniela
Daniela Borsuk
“Comércio não é o grande problema”: Ratinho Jr. explica restrições da covid-19 e fala sobre cenário no Paraná
(Foto: Reprodução/ Jovem Pan Curitiba)

30 de março de 2021 - 09:16 - Atualizado em 30 de março de 2021 - 09:16

Nesta terça-feira (30), o governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior, participou do programa Jornal da Manhã, da Jovem Pan Curitiba, onde falou sobre o cenário da covid-19 no Estado e explicou como as medidas restritivas impostas pelo Governo têm impactado no número de transmissões e casos da doença.

Ratinho Junior frisou ainda que o Paraná enfrenta um vírus diferente do que no início da pandemia com a chegada da cepa P1, a cepa Amazônica, que fez com que o Estado entrasse rapidamente em colapso no sistema de saúde público e privado.

“É importante as pessoas terem consciência que essa nova cepa, a chamada P1, que é a cepa do Amazonas, ela é outra doença, aquele covid que nós conhecemos o ano passado, ele não tem nada a ver com esse. Essa cepa é uma cepa muito mais voraz, muito mais perigosa, muito mais rápida na transmissão, os especialistas dizem que ela tem a força de transmitir quatro a seis vezes mais rápido do que a cepa do ano passado, então você tem que montar um novo planejamento, uma nova estratégia para atender a população”. 

Disse o governador.

O governador também destacou a mudança no perfil dos pacientes infectados e a necessidade de mais tempo de internamento, o que também contribuiu para que o número pacientes na fila de espera por leitos de enfermaria e também para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aumentasse consideravelmente.

Ratinho Junior contou sobre como está a situação no Hospital do Rocio, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, o maior hospital da América do Sul, que recebeu 50 novos leitos nesta segunda-feira (29):

“É o maior hospital que atende disparadamente o nosso Estado, mais de 60% dos pacientes internados têm entre 20 e 50 anos,  a cepa passada pega pessoas acima dos 60 anos, essa não, essa está pegando os jovens. Com uma diferença: ela faz com que o jovem ou a pessoa internada fique entre 11% a 13% mais tempo internada. Então às vezes você pergunta assim ‘mas porque não abriu mais leitos?’, primeiro que nós estamos abrindo leitos todos os dias, desde o dia 20 de fevereiro de 2021 até agora, foram 600 novos leitos de UTI abertos”.

Contou o governador.

“Do dia 10 para dia 12 de fevereiro, foram de 40 para 450 pessoas na fila de espera. Até o dia 15, três dias depois, passou de 800. Quer dizer, é uma agressividade do vírus absurda.”, argumentou Ratinho Junior. “Essa nova cepa faz com que a gente tenha que redesenhar tudo o que a gente fez no ano passado“.

Outra dificuldade é em encontrar profissionais de saúde para atuar nas unidades e atender os pacientes. Em regime de trabalho intenso desde o início da pandemia, muitos estão esgotados física e psicologicamente. Um exemplo dado pelo governador foi da quantidade de profissionais necessários para cuidar de um leito de UTI: são ao menos cinco pessoas, entre médico intensivista, fisioterapeuta pulmonar, enfermeiros, etc.

Transmissão

Ao ser questionado se o pior já passou no Estado, o governador afirmou que não é possível ter essa certeza já que, entre outubro, novembro e dezembro, com a queda de infectados e a expectativa da vacina, acreditava-se que a pandemia estava começando a amenizar no Paraná. Porém, a nova cepa da covid-19 surpreendeu as autoridades.

Agora, diante do maior pico de mortes e casos entre fevereiro e março, o cenário aparenta começar a melhorar.

“Eu acredito que as mudanças que foram tomadas pelos prefeitos e pelo Governo do Estado para tentar restringir ao máximo a movimentação, elas colaboraram. Nós tínhamos uma taxa de transmissão, a RT, que quando chegou no pico, lá pelo dia 10, 12, 15 de fevereiro, ela chegou a 1.7 o volume de transmissão. Para as pessoas entenderem, quando chega a 1.15, a cada 100 pessoas estão passando para 115, que já é uma pandemia fora do controle […] Então quando se chega em um patamar de 1.7, ela vira aquele tal do espiral, um furacão que perde totalmente o controle. Hoje, nós estamos em 0.83 em Curitiba e Região Metropolitana. Isso é bom, significa que uma pessoa não está passando para mais uma. Isso dá um certo controle”. 

Descreve Ratinho.

“Agora dizer que está tranquilo, que o pior já passou, é muito difícil você calcular, nós imaginávamos em outubro, novembro e dezembro, quando estava decrescendo a curva, que a gente estava no fim da pandemia, chegando a vacinação, e que não teríamos mais esse problema”, expos.

Restrições

Na conversa durante o programa da Jovem Pan, Ratinho Junior explicou algumas das decisões tomadas durante a pandemia, como os decretos com restrições para circulação de pessoas e fechamento de atividades consideradas não essenciais.

“O comércio não é o grande problema, inclusive na minha avaliação, eu não vejo também que a pessoa entrou em uma loja e vai se infectar, o problema é as pessoas saírem de casa em um volume, em especial nos mesmos horários. Você fazer com que todo mundo saia, Curitiba e a Região Metropolitana, que comporta 25 cidades no entorno de Curitiba, e uma grande parcela dessas pessoas que moram na Região Metropolitana vem trabalhar em Curitiba, essas pessoas saem de casa no mesmo horário”.

Explicou.

“Então você não tem sistema público de transporte no mundo que suporte fazer um transporte com 40 pessoas, com 30 pessoas dentro do ônibus. O transporte público, na minha opinião, é o grande transmissor. Qual é a ideia: você tentar segurar as pessoas em casa para evitar o volume de pessoas na rua. Quanto menos pessoas essa pessoa conversar, muito provavelmente ela terá menos chances de ser infectada ou ela passar para outras pessoas“, descreveu o governador.

O governador afirmou que o lockdown é uma decisão triste e difícil, mas necessária, e que os impactos da medida às vezes demoram para serem percebidos. Ele ainda destacou que o Paraná foi um dos Estados que menos fez fechamento pesado no Brasil, mas que foi obrigado a intensificar as medidas diante do colapso.

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