Coronavírus

“Acho que o bem é muito maior”, diz médico agredido por alertar familiar sobre covid-19

O profissional que atua na linha de frente de combate à covid-19 declarou que, apesar da violência sofrida, acredita o bem irá vencer a ignorância

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com reportagem do Balanço Geral Oeste
“Acho que o bem é muito maior”, diz médico agredido por alertar familiar sobre covid-19
Foto: Reprodução/Instragram @joseeduardopanini

2 de março de 2021 - 15:44 - Atualizado em 2 de março de 2021 - 15:52

O médico infectologista José Eduardo Mainart Panini, que foi brutalmente agredido por um familiar quando pediu que o homem não fosse a uma festa devido a alta de casos de covid-19, concedeu uma entrevista à RIC Record TV. Durante a conversa, ele declarou que, apesar da violência sofrida, não desanimou e acredita que o bem é muito maior e irá vencer essa batalha. 

“Eu não estou desmotivado. Acho que o bem é muito maior. […] Talvez o impacto dessa tristeza aconteça a longo prazo. Agora, eu vou só descansar alguns dias, mas eu devo voltar logo a trabalhar porque este é um momento que nós não devemos parar, é o pior momento da pandemia desde início. Então, a gente tem que tentar trabalhar, seguir o que a ciência fala e tentar minimizar as coisas no intuito de salvar vidas. Porque, infelizmente, a gente corre um grande risco de não conseguir prestar assistência para todos as pessoas”, disse o médico. 

As agressões ocorreram na última sexta-feira (26), em Toledo, no oeste do Paraná. Panini, que trabalha na linha de frente de combate à pandemia, explica que havia acabado de sair de uma reunião na qual o município decidiu seguir o Decreto Estadual 6.983/2021, quando encontrou o familiar se preparando para ir a uma festa.

“Na tentativa de explicar para essa pessoa que não era adequado, que era só aguardar esses oito dias para ver como a situação iria ficar, que a pessoa se exaltou e aí iniciou a confusão. Eu tomei soco, eu tomei chute deitado. Depois chegou um colega dele que me segurou e ele continuou me batendo”, contou. 

O Decreto Estadual 6.983/2021 foi publicado pelo governo do Paraná na sexta-feira (26) para tentar impedir um colapso da rede de saúde do estado. Entre as medidas tomadas estão uma série de restrições de circulação e funcionamento de serviços e comércios com duração prevista até o dia 8 de março. 

Para se ter uma ideia do quando a situação é preocupante, naquele dia, a taxa de ocupação das UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) exclusivas para covid-19, destinadas para adultos, estava acima de 90% nas cinco macrorregiões do estado. No oeste, que engloba inúmeros municípios das regiões de Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão e Pato Branco, a situação era a mais alarmante com 97% de taxa de ocupação. Porcentagem, inclusive, que permanece conforme o boletim desta terça-feira (2).

“Eu tinha acabado de sair de uma reunião com todas as esferas do município sobre acatar o decreto estadual, visto que é uma lei estadual. E o que assusta muito são os dados, a quantidade de pessoas esperando por vagas de UTI, tudo aquilo te deixa preocupado e você quer repassar essa sua preocupação para as pessoas pelo menos as mais próximas”, completou Panini. 

Com 10 anos de profissão, o médico registrou um Boletim de Ocorrência contra o agressor e recebeu apoio de inúmeros paranaenses e entidades de saúde. 

Em nota, o Conselho Municipal de Saúde de Toledo afirmou que repudia qualquer ato de violência contra os profissionais de saúde que atuam incansavelmente para salvarem vidas em meio a uma pandemia. 

Já o Conselho de Medicina do Paraná (CRM-PR) manifestou apoio ao profissional e declarou que todas as medidas institucionais sobre o caso serão tomadas. 

Assista à entrevista:

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