Clarice Ebert
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Por Clarice Ebert

Saúde
Clarice Ebert

O dia internacional da mulher

O dia internacional da mulher na agenda anual é um convite à reflexão e não apenas uma data para mimos, paparicos e homenagens triviais.

O dia internacional da mulher

8 de março de 2020 - 00:00 - Atualizado em 4 de junho de 2020 - 14:56

Porque o dia internacional da mulher?

Ainda é comum haver questionamentos sobre o porquê do “dia internacional da mulher”. Esses questionamentos apenas revelam o quanto realmente se faz necessária, não somente a marcação na agenda anual do dia internacional da mulher, mas também a importância das reflexões propostas para essa data.

Um equívoco sobre essa data

Muitos ainda confundem essa data, como se fosse um dia somente para exaltar as mulheres com homenagens especiais, como escrever bilhetes e cartões, dar flores, perfumes e chocolates, carinhos e abraços, e postagens em redes sociais. Algumas pessoas, equivocadas sobre o sentido do dia internacional da mulher, criaram na contrapartida o dia do homem, por acharem que se a mulher merece um dia para ser mimada, seria injusto para com os homens não terem um dia para serem paparicados também. No entanto, apesar das exaltações e mimos serem agradáveis e mesmo bem vindos, tanto para homens como para mulheres, o dia internacional da mulher propõe outras pautas que trazem um convite à reflexão.

Um convite à reflexão

A principal reflexão, para o dia internacional da mulher, diz respeito ao tratamento dado à mulher ao longo da trajetória humana. Uma reflexão que leva à uma concepção de igualdade de direitos e equidade entre homens e mulheres. Isso significa basicamente, que independente do gênero, os seres humanos têm direito à vida, saúde, educação, trabalho, amor, respeito e reconhecimento de sua dignidade. O reconhecimento dos direitos, independente do gênero, confere, tanto aos homens como às mulheres, um espaço para existir e atuar em sociedade, no desempenho de suas capacidades e potencialidades afetivas, culturais e intelectuais. Da mesma forma confere à todos o direito a voz e voto.

Nem femismo nem machismo

A ideia não é elevar a mulher à um patamar acima do homem. Isso seria o femismo (1), que envolve uma militância que prega a superioridade das mulheres em relação aos homens. Mas, também não é mais manter os homens numa postura elevada em relação à mulher, isso seria o machismo, que se baseia na supervalorização das características físicas e culturais associadas ao sexo masculino, em detrimento daquelas associadas ao sexo feminino, pela crença de que homens são superiores às mulheres.

Reflexão sobre a violência

Uma reflexão importante para o dia internacional da mulher é sobre a violência. Essa que não deve ser direcionada a ninguém. No entanto, culturalmente e historicamente, devido a subjugações e lentes distorcidas de quem seria a mulher na sociedade, esta foi alvo de violência, e ainda o é em muitas situações e contextos. No entanto, isso precisa acabar. Dentre os cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher a serem combatidos, que foram listadas pela Lei Maria da Penha (2), Capítulo II, art. 7º, incisos I, II, III, IV e V, se destacam os seguintes:

Violência física

Qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher. Inclui: espancamento; atirar objetos, sacudir e apertar os braços; estrangulamento ou sufocamento; lesões com objetos cortantes ou perfurantes; ferimentos causados por queimaduras ou armas de fogo; tortura.

Violência sexual

Qualquer conduta que constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso de força. Inclui: estupro; obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa; impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar; forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação; limitar ou anular os direitos sexuais e reprodutivos da mulher.

Violência patrimonial

Qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. Inclui: controlar o dinheiro; deixar de pagar pensão alimentícia; destruição de documentos pessoais; furto, extorsão ou dano; estelionato; privar de bens, valores ou recursos econômicos; causar danos propositais a objetos da mulher ou dos quais ela goste.

Violência moral

Qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. Inclui: acusar a mulher de traição; emitir juízos morais sobre a conduta; expor a vida íntima; fazer críticas mentirosas; rebaixar a mulher por meio de xingamentos que incidam sobre sua índole; desvalorizar a vítima pelo seu modo de vestir.

Violência psicológica

Qualquer conduta que: cause dano emocional e diminuição da autoestima; prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher; ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. Inclui: ameaças; constrangimento; humilhação; manipulação; isolamento (proibir de estudar e viajar ou de falar com amigos e parentes); vigilância constante; perseguição contumaz; insultos; chantagem; exploração; limitação do direito de ir e vir; ridicularização; tirar a liberdade de crença; distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (Gaslighting).

O dia internacional da mulher

Portanto, nessa data, somos convidados à reflexão. Novas perspectivas ultrapassam os mimos, exaltações e homenagens triviais. As mudanças se mostram em novas posturas que refletem uma humanidade mais empática e solidária, mais madura para ver o outro como um ser humano igual, independente de gênero. Se não avançarmos nisso, os mimos e exaltações, no dia internacional da mulher, não passam de címbalos que retinem, ou seja, fazem um barulho enorme, mas não mantém o ecoo de seu som.

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(1) Observação: a palavra não está escrita de forma errada, pois é femismo mesmo, que é o contrário de machismo. Feminismo tem outro significado.
(2) Instituto Maria da Penha. Tipos de violência. Disponível em: http://www.institutomariadapenha.org.br/lei-11340/tipos-de-violencia.html Acesso em: 06 março 2020.