Clarice Ebert
Vida Familiar

Por Clarice Ebert

Saúde

10 de maio de 2020 - 00:00

Atualizado em 30 de junho de 2020 - 13:35

O Dia da Mãe!

Comercialmente a ênfase pode ser no plural: o Dia das Mães! Afetivamente, no entanto, o realce é no singular: o dia da mãe, da nossa mãe de cada dia!

Clarice Ebert
Vida Familiar

Psicóloga e terapeuta familiar no Instituto Phileo. Professora, palestrante e escritora. Autora do livro "Eduque seu filho, nisso há esperança".

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O Dia da Mãe!
Dia da Mãe

Gratidão e honra no dia da mãe nossa de cada dia

Comercialmente a ênfase pode ser no plural: o Dia das Mães! Afetivamente, no entanto, o realce é no singular: o dia da mãe! A celebração é dela, da nossa mãe de cada dia. No dia da mãe direcionamos, intencionalmente, amor, gratidão e honra para ela, que, em meio a sabedorias e insanidades, se reinventou em inúmeras situações. Em tantas vezes, foi exigida para ocupar um lugar divino e julgada condenável por não conseguir assumir esse papel.

O dia é de absolvições

O dia da mãe, parece ser um dia de absolvição das limitações, imperfeições e culpas maternas. Assim sendo para um dia, quem sabe podemos ajustar nossas lentes para os demais dias também. Dessa forma, as mães e seus filhos e filhas, poderiam deixar a vida mais leve, reconhecendo que não há mães perfeitas. Apenas na medida certa, sem ser uma medida exata. Significa que nossa mãe não precisa ser rotulada com extremos, ou seja, não precisa ser deificada no trono do Olimpo, mas também não precisa ser renegada ao Limbo, muito menos banida ao Hades.

O dia é de reconhecimento

O reconhecimento do seu empenho, na expressão de seu amor e cuidado, será o suficiente.  Basicamente envolve reconhecer que a nossa mãe não é a fonte de todas as bênçãos, mas também não é a raiz de todas as maldições. Sim, a nossa mãe terá de ser perdoada de algo, pois, assim como não há mães perfeitas, a nossa também não é. Caso não evoluirmos nesse entendimento, podemos ficar reféns dos erros maternos por muito mais tempo do que o desejado, senão para sempre. Por outro lado, além dos erros maternos a serem perdoados, haverá muito do que ser validado, por nossa mãe ser quem é, com suas histórias, intervenções, personalidade, dons e talentos.

Paradoxalmente nossa mãe é insuficiente e suficiente

Cura insuficiente, porém suficiente bálsamo que alivia tantas dores e feridas.

Amizade insuficiente, porém suficiente apoio que revigora esperanças tantas vezes.

Proteção insuficiente, porém suficiente segurança em limites e fronteiras.

Amparo insuficiente, porém suficiente confiança e autoconfiança.

Certezas insuficientes, porém suficiente fé germinando possibilidades.

Abundância insuficiente, porém suficiente fortalecimento da resiliência.

Razão e emoção insuficiente, porém suficiente equilíbrio mental.

Segurança insuficiente, porém suficiente ladrilho para os passos na caminhada.

Perfeição insuficiente, porém referencial suficiente que ensina posturas.

Conforto insuficiente, porém suficiente colo da alma para incluir e fazer parte.

Riqueza insuficiente, porém suficiente amor, afeto e ternura na formação da vinculação.

Vigília insuficiente, porém suficiente cuidado preservando a alma e a vida.

Provisão insuficiente, porém suficiente rega do potencial e o suprimento do essencial.

Força insuficiente, porém suficiente respeito às limitações e potencialidades.

Lei insuficiente, porém suficientes princípios de justiça e valores consistentes.

Presença insuficiente, porém suficientes relacionamentos significativos.

Áurea divina insuficiente, porém suficiente altruísmo, humildade, generosidade, compaixão, empatia, bondade e abnegação promovendo crescimento e amadurecimento.

No dia das mães e em todos os outros dias

Felizes são os filhos que conseguem perdoar suas mães por suas insuficiências e qualificá-las por suas suficiências! Mas, felizes também são as mães que se equilibram entre elas.