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Justiça revoga prisão de homem que matou familiares da ex-esposa em Curitiba

A motivação dada foi a idade do acusado, de quase 60 anos, que o inclui no grupo de risco do novo coronavírus

Caroline
Caroline Berticelli / Editora com reportagem de Thaís Travençoli da RIC Record TV, Curitiba
Justiça revoga prisão de homem que matou familiares da ex-esposa em Curitiba
Isaac Sales da Silva confessou o crime. (Foto: Reprodução/RIC Record TV)

27 de março de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:49

A Justiça revogou a prisão e solicitou o monitoramento eletrônico de Isaac Sales da Silva preso por matar duas pessoas e esfaquear uma terceira no bairro Cajuru, em Curitiba, em novembro de 2019. A motivação dada foi a idade do acusado, de quase 60 anos, que o inclui no grupo de risco do novo coronavírus. 

Paulo Roberto Nogueira Zomer, de 30 anos, e Peterson Efligênio, de 39 anos, foram mortos com golpes de faca em um rua do bairro. O crime foi registrado por câmeras de segurança e as imagens mostram que as vítimas não tiveram nenhuma chance de defesa. 

“Eu acho que não deve soltar ele. Ele vai causar problemas e eu não quero outra morte na minha família”, diz entre lágrimas Lindamir Aparecida Zomer, mãe de Paulo Roberto.

As vítimas fatais, no entanto, não eram o alvo de Isaac, mas sim sua ex-companheira Edna de Araújo, que agora teme por sua vida.

“Dá medo. Quando eu soube ontem dessa decisão da juíza voltou tudo aquilo que eu sentia antes. Eu estou muito abalada porque eu temo muito ele aqui fora, mesmo com tornozeleira eletrônica. A gente não sabe o que está se passando na cabeça dele”, desabafa Edna. 

O crime

Edna foi casada com o Isaac por oito anos e o crime aconteceu poucos dias após ela sair de casa. Segundo conta, o ex-marido não aceitou a separação e foi até a residência de familiares na noite de 27 de novembro. Na ocasião, ocorria uma confraternização e os participantes notaram que uma pessoa estava deitava embaixo de uma árvore do outro lado da rua. Preocupados, acreditando que se tratava de alguém passando mal, eles foram até lá e foram surpreendidos pelo ataque do homem

Isaac foi preso logo depois e confessou o crime. “Eu tinha que me defender. Era eu ou eles. Lógico, quem não se arrepende do que faz? Eu não queria fazer. Agora, se você está acuado, você tem que fazer”, declarou na época. 

Os sobreviventes são Edson de Araújo, irmão de Edna, que ficou em estado grave e Paulo Marcos Zomer, afilhado da mulher, que foi ferido de raspão. Ambos também têm medo do que possa acontecer daqui para frente. 

“Nós estamos com medo, a gente não sabe o que pode acontecer. Ficamos sabendo essa semana que saiu essa decisão e estamos apreensivos. Sendo que a primeira vez que ele fugiu, ele já esteve aqui na proximidade”, explica Edson.

Menos de um mês após o crime, no dia 18 de dezembro, Isaac conseguiu fugir do 11° Distrito Policial de Curitiba, onde estava detido. Ele foi recapturado horas depois perto da casa da ex-mulher e estava com uma faca

“A medida protetiva não segurou ele naquela noite em que ele veio matar minha irmã e não vai ser agora, a tornozeleira eletrônica, que vai segurar ele”, declara Edson. 

No entanto, para a responsável pelo caso, Isaac não é um homem perigoso, já que parte da decisão diz: “É certo  que a gravidade concreta do delito permanece, eis que três pessoas foram feridas, duas delas fatalmente. Contudo, há que se levar em conta que o acusado não aparenta ser pessoa voltada a prática de crimes, sendo o ocorrido fato isolado de sua vida”.

Tragédia anunciada 

Juliana Gimenes Molina, advogada de Edna, não concorda com a decisão da Justiça e também teme pela vida da cliente:

“A decisão que revogou a prisão levou em conta somente as resoluções do Conselho Nacional de Justiça com relação a pandemia de Covid-19 no Brasil. Porém não levou em conta as particularidades do caso concreto, ou seja, é uma tragédia anunciada”, declara.