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Reino Unido e UE retomam discussões comerciais em uma “última cartada”

Reuters
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6 de dezembro de 2020 - 13:00 - Atualizado em 6 de dezembro de 2020 - 13:00

Por Estelle Shirbon e Robin Emmott

LONDRES / BRUXELAS (Reuters) – Negociadores do Reino Unido chegaram a Bruxelas, neste domingo, para uma tentativa de última hora de fechar um acordo comercial com a União Europeia para o pós-Brexit e evitar uma saída caótica ao fim deste ano.

O primeiro-ministro britânico Boris Jonhson e a presidente da Comissão Europeia, Ursula van der Leyen, conversaram no sábado e instruíram suas equipes a retomar as conversas que foram pausadas um dia antes por um impasse em três questões chaves.

Em um comunicado conjunto após a conversa, Johnson e Van der Leyen afirmaram que nenhum acordo seria viável se diferenças significativas sobre pesca, competição justa e a maneira de resolver futuras disputas não fossem solucionadas.

“É a última cartada”, disse uma fonte britânica próxima às negociações.

Desde que o Reino Unido saiu formalmente da UE, em 31 de janeiro, os negociadores perderam uma série de prazos para chegar a um acordo com o maior bloco comercial do mundo antes do fim do período de transição, em 31 de dezembro.

O principal negociador do Reino Unido, David Frost, afirmou a repórteres após chegar a Bruxelas, neste domingo, que sua equipe trabalharia muito duro para tentar um acordo.

O negociador da UE, Michel Barnier, tinha uma reunião marcada para informar embaixadores dos estados-membros em Bruxelas sobre o status da negociação, neste domingo, mas ela foi adiada para a manhã de segunda-feira.

Se eles não chegarem a um acordo, o divórcio de cinco anos do Reino Unido terminará em confusão, no momento em que o Reino Unido e a UE lidam com o custo econômico da pandemia de Covid-19.

Especialistas alertaram que um cenário sem acordo causaria enormes impactos de longo prazo à economia do Reino Unido.

A maioria dos ministros de Johnson estaria disposta a apoiá-lo se ele decidir que um acordo não interessa o Reino Unido, segundo o jornal The Times, dizendo que 13 deles confirmaram que o fariam.

O ministro da Agricultura, George Eustice, afirmou que o país se preparou bastante para não ter um acordo e que estava pronto para avançar nesse cenário.

“Continuaremos a trabalhar nessas negociações até que não haja mais sentido continuar”, disse à Sky News.

Mas o ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Simon Coveney, figura chave das discussões sobre o Brexit desde o referendo de 2016, disse que não era verossímil o governo indicar que conseguiria lidar com um cenário sem acordo.

Mesmo assim, ele afirmou ao Sunday Independent, da Irlanda, que era “sua opinião convicta” que um acordo poderia ser firmado.

Mesmo que um acordo seja fechado antes de 2021, ainda haverá uma grande perturbação no movimento de bens e pessoas porque o Reino Unido ficará fora do mercado único e da união aduaneira do bloco com 27 nações da UE.