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Renata Nicolli Nasrala / Editora com informações do R7

28 de maio de 2020 - 00:00

Atualizado em 28 de maio de 2020 - 00:00

Coronavírus

Recuperado de coronavírus diz que ‘o medo de morrer o fez permanecer vivo’

Para Paulo, o momento ainda é difícil, mas o pior já passou. Agora falta pouco

Recuperado de coronavírus diz que ‘o medo de morrer o fez permanecer vivo’
Arquivo pessoal

Para Paulo Matias, de 50 anos, recuperado do coronavírus, o medo de morrer foi o que o fez permanecer vivo.

Em uma semana, Paulo passou de um estado febril para internação em estado grave em uma ala própria para pacientes com a Covid-19.

Por sorte, mesmo sendo do grupo de risco por ter hipertensão, o homem melhorou no hospital e voltou para casa, onde agora segue o tratamento.

Recuperado de coronavírus conta como foi impactado pela doença

Morador de Itapevi, na Grande São Paulo, Paulo conta que além dos impactos no corpo, o psicológico fica muito abalado pelos pensamentos do que poderia ter acontecido caso ele tivesse agido de forma diferente.

“Passa um monte de coisas na minha cabeça, no que poderia ter acontecido se eu não tivesse procurado o médico assim que comecei a sentir febre, e se eu tivesse me negado ir ao pronto-socorro, tudo isto poderia ter sido um obstáculo maior para a minha recuperação. Mas o medo de morrer me fez ficar vivo”, conta.

De acordo com Paulo, tudo começou no dia 9 de maio, véspera do Dia das Mães. “Comecei a perceber que eu estava meio febril, me sentia estranho, mas acreditei que fosse psicológico, por medo. No domingo, a febre ficou forte e o corpo começou a doer”.

Até o início do estado febril, Paulo estava trabalhando em home office, mas teria que ir até a empresa na segunda-feira (11) para resolver algumas questões presenciais. Os planos mudaram no final de semana quando os sintomas se deram início.

Na segunda-feira, a febre piorou e Paulo fez o primeiro contato com médico, via videochamada. Conforme ele, a orientação recebida foi para tomar um antibiótico. E assim foi feito.

Na quarta-feira a febre de Paulo continuou, e foi aí que começaram os primeiros sinais de falta de ar.

Em outra consulta, um médico receitou ao paciente um anti-inflamatório, que também não adiantou em nada.

“Nada de passar a febre, muito pelo contrário, os sintomas persistiam, e a febre aumentava”, lembra.

Na sexta-feira (15), Paulo fez sua terceira consulta por meio de vídeo com o médico, e então recebeu a orientação para procurar um pronto-socorro.

No hospital, o homem fez o raio-x dos pulmões e foi constatado que já estavam bem comprometidos. Seria necessária internação imediata.

“Me colocaram o cateter com oxigênio e pediram a minha remoção para o hospital”.

O medo da morte e a recuperação

Quando soube que ficaria internado, Paulo começou a temer sua morte.

“O medo me estrangulava, medo de não voltar mais para casa, de ser entubado, de não conseguir lutar e morrer” lembra.

Conforme Paulo, a força dos médicos no dia em que foi transferido de ambulância entre um hospital e outro o deu conforto.

“Quando perguntei o que fazer com o medo, o médico respondeu: ‘Engane o medo, faça de conta que você é corajoso, não deixe ele perceber que você está com medo. Olha, você está respirando, continue. Se tudo vai ficar bem eu não sei, depende da situação e da circunstância de cada um, mas eu sei que a gente não precisa desistir, e isso já é o começo’”, lembra.

No dia 17 de maio Paulo começou a sentir melhoras. A febre passou e as dores pelo corpo amenizaram. Seguindo as recomendações da OMS, ele seguiu em isolamento no hospital, recebendo oxigênio no cateter e medicação.

No mesmo dia, houve a diminuição de oxigênio e a reação foi boa, e no dia 19 ele pode dar continuidade ao tratamento em casa.

Agora fora do hospital e com a carteirinha de quem veceu o coronavírus, a luta segue, assim como o isolamento, que deve seguir até dia 2 de junho.

Para Paulo, o momento ainda é difícil, mas o pior já passou. Agora falta pouco. “Só vou dizer que estou completamente curado quando puder abraçar a minha esposa e os meus filhos”.