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Queiroga passa bem e segue assintomático após teste positivo para Covid em NY

Ministro da Saúde estava na comitiva que foi à Assembleia-Geral das Nações Unidas e não retornará ao Brasil

Reuters
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Queiroga passa bem e segue assintomático após teste positivo para Covid em NY
Brazil's President Bolsonaro eats pizza ahead of the United Nations General Assembly in New York City

22 de setembro de 2021 - 11:12 - Atualizado em 22 de setembro de 2021 - 11:15

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) – O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, passa bem e está assintomático depois de ter um teste positivo para Covid em Nova York, onde acompanhava o presidente Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, disse nesta quarta-feira o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz.

Em conversa com jornalistas, Cruz disse ter falado com Queiroga, que faz quarentena em Nova York, na noite de terça-feira.

“Ele está bem. Falei com ele ontem à noite. Mandei uma mensagem hoje, não tive resposta ainda, mas por enquanto está assintomático”, disse o secretário.

Bolsonaro e outros membros da comitiva presidencial, por sua vez, retornaram ao Brasil nesta manhã. O presidente foi para o Palácio da Alvorada e não conversou com apoiadores.

O ministro das Relações Exteriores, Carlos França, permaneceu em Nova York pois tinha agendado encontros com autoridades de outros países, mas não havia ainda informações sobre se as reuniões seriam mantidas após o teste positivo de Queiroga, com quem França teve contato.

Nas primeiras horas desta quarta, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) enviou ofício à Casa Civil da Presidência da República recomendando que Bolsonaro e os demais membros da comitiva que o acompanharam em Nova York façam isolamento por 14 dias na volta ao Brasil.

A Presidência da República ainda não respondeu a questionamento feito pela Reuters sobre se o presidente e os membros da sua comitiva atenderão à recomendação da Anvisa.

Em nota divulgada na noite de terça, a Secretaria de Comunicação da Presidência informou que Queiroga não retornou ao Brasil com a comitiva brasileira e ficará em isolamento em Nova York por cerca de 15 dias. Os demais membros da comitiva –no total, 15 pessoas acompanharam Bolsonaro na viagem–, segundo a Presidência, já teriam sido testados, com resultado negativo.

Pouco depois, o próprio Queiroga comentou sua situação.

“Comunico a todos que hoje testei positivo para #Covid19. Ficarei em quarentena nos #EUA, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária. Enquanto isso, o @minsaude seguirá firme nas ações de enfrentamento à pandemia no Brasil”, disse o ministro no Twitter.

Desde domingo, Queiroga teve convivência próxima, inclusive em locais fechados e em que ficou sem máscara, com vários membros da delegação, inclusive o próprio presidente e a primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Na noite de domingo, o ministro foi fotografado com o presidente e outros membros da delegação comendo uma pizza na calçada em Nova York. Na segunda, participou de encontros com investidores e uma ação sobre doenças raras com a primeira-dama Michelle Bolsonaro –nessas ocasiões, foi fotografado de máscara.

Queiroga também era um dos membros da delegação que esteve na reunião bilateral com o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, na segunda. À noite, esteve no jantar oferecido pelo representante do Brasil na Missão Brasileira na ONU, embaixador Ronaldo Costa Filho. Na saída, foi filmado dentro de uma van com os demais ministros fazendo um gesto obsceno para manifestantes contrários ao governo –também de máscara.

A infecção foi detectada em testes de rotina, antes da viagem de volta ao Brasil. O ministro, que é médico cardiologista, foi vacinado no início da campanha no Brasil, como profissional de saúde.

Apesar da afirmação da Secom de que os demais membros da delegação foram já testados, o tempo não é suficiente para detectar a contaminação. Especialista alertam que, em casos assintomáticos, é necessário esperar pelo menos três dias após o contato para garantir um resultado mais preciso.

Em Nova York, o trabalho presencial na Missão Brasileira na ONU foi suspenso e os servidores, enviados para home office.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro)

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