Coronavírus

De famílias a fábricas, projeto une mais de 100 pessoas na produção de máscaras para enfrentar coronavírus

Lucas
Lucas Sarzi
De famílias a fábricas, projeto une mais de 100 pessoas na produção de máscaras para enfrentar coronavírus
Foto: Reprodução/Lucas Sarzi/RIC TV Record.

17 de abril de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:46

A pandemia do novo coronavírus tem feito com que a gente passe a olhar para o próximo. A orientação do uso das máscaras para sairmos às ruas fez com que um grupo grande se formasse para ajudar neste momento, tudo através de doações e da união das pessoas. É o movimento Tudo pela Vida, que atua na doação de máscaras numa iniciativa para fazer com que todos passem a usá-las.

O projeto, que já arrecadou R$29.566,08 desde quando surgiu, tudo através de uma vaquinha online, começou quando um grupo de amigos percebeu que depois que as máscaras se tornaram um bem essencial para as nossas necessidades, a união entre as pessoas seria importante. Hoje, o Tudo pela Vida envolve mais de 100 pessoas e tem produzido muito.

“A iniciativa surgiu de forma bem espontânea, quando começamos a pensar numa forma de colaborar com o isolamento. Hoje nós trabalhamos em várias frentes, a principal delas é a confecção de máscaras“, destacou Alexandre Nasser de Melo, representante do projeto.

Bem organizado, o Tudo pela Vida tem várias equipes unidas: equipes produzindo máscaras comuns (de uso tanto de médicos como de pessoas comuns), o pessoal que faz a montagem e a impressão das máscaras-escudo (usadas nos hospitais e unidades médicas) e uma equipe que faz toda a logística da busca dos materiais, entrega para a produção e da produção aos hospitais e entidades.

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Foto: Reprodução/Lucas Sarzi/RIC TV Record.

Fábrica adaptada para produção das máscaras

Em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, uma fábrica de equipamentos para montanhismo, que precisou parar as atividades, viu no projeto Tudo pela Vida uma forma de voltar a ativa. E com a solidariedade. “Estava em casa sem fazer nada porque a fábrica estava parada, depois de dois dias vim para a fábrica e fiz um modelo de máscara. Postei na internet para ver se alguma entidade se interessava e chegamos ao projeto“, disse Edemilson Padilha, proprietário da fábrica.

A fábrica de Edemilson passou a produzir as máscaras para doação, mas foi um pouco alem. A produção das máscaras doadas permitiu que outras pessoas se interessassem por comprá-las e a fábrica aderiu. Com o dinheiro das máscaras vendidas, Edemilson conseguiu não só injetar renda na empresa, como também pagar costureiras que produzem as máscaras que vão ser doadas.

“De um momento que para uma empresa pequena, como a nossa, é drástico, conseguimos algo. Em pensar no próximo ao invés de pensar só na gente, acabamos sendo agraciados por hoje ter alguma receita entrando que consigamos pagar algumas contas e ainda quem está nos ajudando”, destacou Edemilson.

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Foto: Reprodução/Lucas Sarzi/RIC TV Record.

Pai e filho na produção das máscaras para doação

A missão do projeto juntou também pai e filho. Aposentado, Vandelino Gonçalves, aos 71 anos, começou a fazer as máscaras em casa, com seu filho Thiago Gonçalves. “Um amigo apresentou o problema e a gente de forma orgânica se organizou e começou a encontrar soluções para as máscaras. Percebemos que a máscara seria uma boa solução para achatar a curva da evolução do vírus e começamos a procurar uma forma de colocar isso em prática”, contou Thiago, que participou também do surgimento do projeto.

Junto com seu pai, Thiago já fez mais de mil máscaras, mas o que mais se tornou significativo é a união entre os dois. “A gente já sabe como conversar um com o outro, como trabalhar, até mesmo como resolver conflitos. Mas a urgência da situação faz com que a gente supere muito mais rápido qualquer tipo de conflito”.

Vandelino, que poderia estar só preocupado com sua condição, que por ser idoso é do grupo de risco, foi além. “Ele não sabia usar a máquina de custura, mas aprendeu a costurar, dobrar, cortar. Sozinho ele faz 90 máscaras num dia. A necessidade faz com que venha uma energia de dentro que faz com que você consiga produzir mais, feliz e vencer até qualquer tipo de depressão”, disse Thiago. “E se eu puder ajudar uma pessoa que seja, já estarei feliz”, completou Vandelino.

Como fazer sua própria máscara de pano?

Se você quiser aprender a fazer a sua própria máscara em casa, o Thiago preparou um material exclusivo. Veja o vídeo:

Dois projetos unidos na produção das máscaras-escudo

Além das máscaras tradicionais, de TNT ou de tecido, o Tudo pela Vida também abraçou outro projeto, o Atitude 3D, que faz as máscaras-escudo. Estas máscaras, chamadas de faceshields, são importantes para os profissionais da saúde, pois impedem que qualquer secreção entre em contato com seus olhos.

Com o sócio, o empresário Daniel Delfino botou sua empresa para funcionar em prol da ação. “Adaptamos a empresa, realmente, porque percebemos que poderíamos fazer alguma coisa para ajudar nesse momento. Do pouco que começamos surgiu o movimento Atitude 3D, que se tornou grande”, destacou.

Até agora, já foram produzidas mais de 20 mil máscaras-escudo e o objetivo é chegar aos 60 mil. “No primeiro momento não imaginamos que a demanda seria tão grande, mas como fomos recebendo os pedidos conseguimos enxergar. A gente se emociona todos os dias com a relevância que os profissionais da saúde passam para a gente, realmente estão no front, enxergam o que está acontecendo. Ver o envolvimento dos voluntários também tem sido um momento muito importante para minha vida de empresário e para os meus sócios também”.

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Foto: Reprodução/Lucas Sarzi/RIC TV Record.

União das pessoas é importante para enfrentar a pandemia

Para o governo do Paraná, são iniciativas como essas que mostram o quanto somos fortes. “Esse é um exemplo claro de como a união da sociedade civil, do governo, da iniciativa privada, com muita tecnologia e inovação pode efetivamente ajudar a salvar vidas“, definiu Henrique Domakoski, superintendente-geral de inovação do governo do Paraná.

Para Henrique, o trabalho social das pessoas neste momento também é uma forma de união com o que vem sendo feito pelos governos estaduais e municipais. “Porque além de fazer o nosso papel, apoiamos também todos aqueles que estão fazendo um trabalho sério. Com isso vamos conseguir ajudar mais pessoas, salvar mais vidas e proteger aqueles profissionais que nos protegem ali na linha de frente”.

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Foto: Reprodução/Lucas Sarzi/RIC TV Record.