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Lucas Sarzi

29 de maio de 2020 - 00:00

Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:41

Coronavírus

Pandemia faz profissionais se adaptarem e buscarem saídas para continuar

Pandemia faz profissionais se adaptarem e buscarem saídas para continuar
Casal que trabalha com transporte escolar começou a pintar quadros para poder manter renda. Foto: Lucas Sarzi.

A pausa nas mais diversas atividades por causa da pandemia de coronavírus fez com que as pessoas se vissem em meio à necessidade de se reinventar. Muita gente trocou de emprego, foi demitido ou pelo menos precisou adaptar o próprio negócio para segurar ao máximo a falência.

Em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), os eventos que eram atendidos por uma empresa de som e luz acabaram ficando para depois. Com isso, os quatro funcionários foram dispensados e o empresário teve que buscar uma saída.

“A gente viu que precisávamos nos reinventar. Analisando nosso trabalho, dentro da nossa empresa tem o setor de transporte para o nosso equipamento. Como tudo isso ficou parado, resolvemos usar o nosso transporte para fazer transporte para outras pessoas, de fora da empresa, com o caminhão”, disse Rubens Koligowski.

Além dos fretes, que ajudaram a manter parte do rendimento, a empresa montou um espaço para a transmissão de lives, que funcionaram até mesmo como forma de arrecadar doação para ajudar mais pessoas. “Como temos vários parceiros que nos procuram para fazer a live, temos feito isso. Os parceiros usam nossa estrutura e nós transmitimos“. O contato da empresa de Rubens é o (41) 3585-3142.

“Muitas pessoas acabam doando alimentos e produtos de limpeza. A gente recolhe e tem ajudado as pessoas que trabalham com evento e que estão passando dificuldade. Se pra nós já está difícil, tem gente passando muito mais dificuldade“, disse Rubens.

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Rubens aproveitou os caminhões para fazer frete. Foto: Lucas Sarzi.

Fotógrafa aproveitou a tecnologia para inovar

A reinvenção dentro da própria profissão foi também o caminho que Gisele Koprowski, fotógrafa de Curitiba, acabou encontrando para enfrentar a crise. Ao perceber que seus trabalhos estavam sendo cancelados, buscou uma saída e começou a fazer fotos online.

Imediatamente eu comecei a buscar alternativas, não esperei uma semana. Enfiei a cara na internet, comecei a ver o que eu poderia fazer. Não só pela necessidade, mas por não querer ficar parada também. Descobri que dava pra fazer fotos online, já tinha algumas pessoas fazendo, então comecei a meter a cara nisso“, explicou Gisele.

A partir de uma chamada de vídeo com o cliente, a fotógrafa vai adaptando os mais diversos ambientes e possibilidades de fazer a foto pelo meio virtual. Nesse novo formato, os clientes participam mais ativamente do processo de produção da fotografia.

Não é uma foto que você fala ‘uau’, com muita qualidade. Mas ela é uma memória desse tempo que, se Deus quiser, a gente nunca mais vai passar”, considerou a fotógrafa.

Desde quando começou a fazer, Gisele atendeu várias pessoas e foi descobrindo um novo universo da fotografia dentro desse olhar diferente para o contexto. De modo geral, ao literalmente entrar na vida das pessoas pela internet, ela acaba também tirando algo disso. “Ajudo a perceber o ambiente onde eles vivem, que geralmente é um santuário para a gente. Tem tido bastante interesse, bastante reconhecimento”, disse.

Para quem usou o serviço digital, a sensação é totalmente nova. Esse foi o caso de Uliana Kuczynski, que resolveu comemorar os quatro anos de casamento com o marido fazendo algumas fotos com Gisele. “Jamais tinha imaginado que seria possível, foi uma experiência muito diferente”. Para contratar o serviço da fotógrafa, é só entrar em contato pelo telefone (41) 99964-1064.

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Fotos de quatro anos de casados foram feitas virtualmente. Foto: Arquivo Pessoal.

Da van escolar para os quadros coloridos

Para o casal Josiane e Marcos, que trabalha com transporte escolar, a mudança teve que ser radical, mas sem perder a criatividade. Com as aulas suspensas, acabaram adiados também os contratos e os dois viram na pintura, um antigo hobby, que inclusive já foi usada na estilização da van, a saída para uma nova fonte de renda.

Mas partiram por um outro caminho e começaram a pintar quadros. “A gente sempre exerceu a criatividade, temos essa habilidade artística, resolvemos usar isso para complementar a renda. A gente vai fazendo os trabalhos, as pessoas vão recomendando para as outras pessoas e assim vai caminhando”, comentou Josiane Pacheco.

dez anos atuando com o transporte escolar, o que o casal, que já está há mais de dois meses sem exercer a função, espera ansiosamente é para voltar a fazer o que amam. Mas eles, assim como todos os que tiveram que se adaptar à nova realidade, já sabem que nada será mais como era antes.

“A lição que fica é que a gente tem que se adaptar e viver da melhor forma possível dentro das condições que nós temos”, disse Josiane.

Segundo a mulher, o casal mal vê a hora de voltar. “Estamos morrendo de saudade de ver aqueles sorrisinhos, acreditamos que a gente vai valorizar ainda mais tudo isso, essa alegria de poder acordar cedo e ir trabalhar. Não vemos a hora disso acontecer“. Para encomendar um quadro, é só entrar em contato pelos telefones (41) 99262-5393 ou 99124-6115.

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Os “tios da van” mal veem a hora de voltar a trabalhar. Foto: Lucas Sarzi.