Balanço Geral Curitiba

Professor torturado e morto: 7 pessoas são indiciadas por homofobia em Curitiba

Quatro envolvidos foram acusados por homicídio triplamente qualificado; uma menor de idade irá responder por atos infracionais

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com reportagem da RIC Record TV, Curitiba

21 de fevereiro de 2020 - 00:00 - Atualizado em 1 de julho de 2020 - 14:54

A Polícia Civil indiciou sete pessoas por envolvimento com o assassinato do professor Ronaldo Pescador, de 40 anos. O crime ocorreu no dia 30 de novembro de 2019 em uma residência no bairro Boqueirão em Curitiba. (Assista entrevista abaixo)

Cada um deverá responder por sua conduta individualizada no crime, mas todos foram acusados por homofobia. “A vítima sofreu discriminação e preconceito em virtude de sua orientação sexual manifestada naquele momento. A  vítima foi subjugada, humilhada e torturada nos limites da imaginação humana”, diz um trecho do inquérito divulgado nesta sexta-feira (21). De acordo com o documento, após ser torturado, o professor foi morto com o golpe de uma faca no coração.

Por outro lado, apenas quatro deles foram indiciados por homicídio triplamente qualificado – por motivo fútil, asfixia, tortura, traição e recursos que impossibilitaram a defesa da vítima. São: 

  • Guilherme de Jesus;
  • Jhoe Mateus Mariano;
  • Marcelo Hotmayer;
  • Gabriela Ferraz Gonçalves, de 21 anos. 

Os três primeiros esperam pelo julgamento na cadeia, enquanto a jovem responde em liberdadeTito Livio Barichello, delegado responsável pela investigação, chegou a pedir a prisão preventiva de Gabriela, mas a Justiça não autorizou.

“Ela foi coautora, ela que fomentou, ela que organizou. Tanto que ela vai responder como os autores diretos. Ela não bateu, não torturou, mas ela estava ao lado e ela incentiva. A gravidade é tão grande que, em determinado momento, o Marcelo Hotmayer diz para o grupo que estava ali reunido que deveriam cortar o corpo em partes para buscar impunidade e só não fizeram porque não acharam na casa uma faca em condições de cortar o corpo”, explica Barichello.

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Gabriela responde em liberdade. (Foto: Reprodução/RIC Record TV)

Marcelo, Jhoe e Gabriela, que é namorada de Joe, também foram acusados de fraude processual porque limparam a cena do crime; ocultação de cadáver; fornecimento de bebida alcoólica à adolescente e corrupção de menores já que uma menor de idade estava no local usando drogas. Guilherme não responderá por fraude processual e ocultação de cadáver porque não participou dessas ações. 

“Parece um filme de terror, mas um filme de terror em pleno século 21. Nós temos uma festa rave em que a vítima, um professor aclamado e respeitado, sai dessa festa com Joe dirigindo seu carro. Vão até esse sobrado onde, em determinado momento, por questões homofóbicas Joe Mateus Mariano, Guilherme de Jesus, Marcelo Hotmayer e Gabriela Ferraz Gonçalves passam a torturar a vítima física e psicologicamente. Deitam ele no chão, batem com um martelo, usar uma cinta, esganam com as mãos, estrangulam com um fio. Enfiam na garganta dele uma peça de roupa íntima feminina, sufocando a vítima. Isso tudo, tendo mais quatro pessoas assistindo”, completa do delegado. 

Já os outros quatro envolvidos, entre eles uma adolescente, não participaram diretamente do assassinato, por isso, foram acusados de fraude processual; ocultação de cadáver, omissão do socorro, fornecimento de bebida alcoólica à adolescente e homofobia. A menor de idade, não responde por crimes e sim por atos infracionais

Assista à entrevista completa com Tito Barichello:

O crime

professor conheceu Joe em uma festa rave no bairro Alto Boqueirão, em Curitiba, entre a noite de 29 e a madrugada de 30 de novembro. Já durante a manhã do dia 30, os dois seguiram até uma residência, localizada no mesmo bairro, para um after. Lá, amigos de Joe já estavam bebendo e usando drogas. Segundo depoimentos, antes de ir até a casa, o professor e Joe teriam passado em um ponto de venda de drogas para comprar cocaína.

A motivação do crime foi homofóbica, já que os suspeitos resolveram matar a vítima quando perceberam que ele era homossexual. Além disso, antes de ser brutalmente assassinadoRonaldo foi espancado e torturado dentro da casa.

Sobre o tempo em que Pescador permaneceu dentro da residência, Barichello explicou que ainda em dezembro de 2019 que: “segundo prova testemunhal, o professor chega na casa por volta das 6 ou 7h da manhã, e ele perde a vida por volta das duas ou três horas da tarde”, disse.

Depois de ser morto, o corpo foi enrolado em um pedaço de carpete, colocado dentro de seu próprio veículo e abandonado em um lote baldio a cerca de 1,5 Km de distância. Ronaldo foi encontrado na manhã do dia 1º de dezembro, amarrado com fios elétricos e com um body feminino dentro da boca.