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Prefeita de povoado, marido e filho são encontrados enterrados em cova rasa perto de Kiev

A indignação global ganhou força nesta segunda-feira sobre as mortes de civis na Ucrânia, após o surgimento de provas de pessoas presas que levaram tiros à queima roupa e a descoberta de uma vala

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Prefeita de povoado, marido e filho são encontrados enterrados em cova rasa perto de Kiev
(Foto: Reprodução/ Ukrinform)

4 de abril de 2022 - 09:22 - Atualizado em 4 de abril de 2022 - 09:31

MOTYZHYN, Ucrânia (Reuters) – A prefeita do povoado de Motyzhyn, seu marido e seu filho foram mortos e enterrados em uma cova rasa, disse nesta segunda-feira (4) um assessor do Ministério do Interior ucraniano, mostrando seus corpos parcialmente cobertos por terra.

Desde que as tropas russas se retiraram das cidades e aldeias ao redor da capital Kiev, na semana passada, as tropas ucranianas têm se movimentado pela região, mostrando aos jornalistas corpos que dizem ser de civis mortos pelas forças russas, casas destruídas e carros incendiados.

A Reuters não pôde verificar independentemente quem matou a família vista na cova em Motyzhyn, a oeste de Kiev. A Rússia nega ter como alvo civis e disse que relatos semelhantes de assassinatos foram “encenados” para manchar o nome da Rússia.

“Havia ocupantes russos aqui. Eles torturaram e assassinaram toda a família da prefeita do povoado”, disse Anton Herashchenko, nomeando os mortos como Olha Sukhenko, seu marido, Ihor Sukhenko, e seu filho, Oleksandr.

“Os ocupantes suspeitavam que eles estavam colaborando com nossos militares, dando localizações de onde apontar nossa artilharia. Esta escória torturou, massacrou e matou toda a família. Eles serão responsabilizados por isso”, acrescentou.

Corpos em covas rasas

Um repórter da Reuters viu os corpos em uma floresta perto de uma fazenda, que havia sido praticamente destruída, nos arredores da vila de Motyzhyn. Um trator queimado podia ser visto ao lado, e um dos corpos enterrados estava com a cabeça vendada.

O jornalista da Reuters também viu outro corpo de um homem em um poço próximo à fazenda queimada, onde marcas de fogo eram vistas nas poucas paredes restantes.

A indignação global ganhou força nesta segunda-feira sobre as mortes de civis na Ucrânia, após o surgimento de provas de pessoas presas que levaram tiros à queima roupa e a descoberta de uma vala comum em áreas recuperadas das tropas russas.

Repórteres da Reuters viram no domingo (3) vários cadáveres à beira da estrada na cidade ucraniana de Bucha, um deles com as mãos atadas atrás das costas e um ferimento de bala na cabeça –um dos centenas de moradores locais que, segundo as autoridades, foram encontrados mortos após cinco semanas de ocupação russa.

No domingo, o Ministério da Defesa da Rússia disse em comunicado que todas as fotografias e vídeos publicados pelas autoridades ucranianas alegando crimes das tropas russas em Bucha eram uma “provocação” e que nenhum morador de Bucha sofreu violência das mãos das tropas russas.

Por Marko Djurica

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