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Portugal vota em eleição presidencial com distanciamento social em auge da pandemia

Reuters
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24 de janeiro de 2021 - 15:56 - Atualizado em 24 de janeiro de 2021 - 15:56

LISBOA (Reuters) – Mascarados, distanciados e cada um usando sua própria caneta para evitar a propagação de germes, os portugueses dirigiram-se às urnas neste domingo para votar para presidente, um cargo mais decorativo, mesmo com os casos de coronavírus atingindo níveis recordes no país.

As pesquisas de opinião mostram que o atual presidente Marcelo Rebelo de Sousa, do Partido Social-Democrata de centro-direita, provavelmente vencerá com facilidade.

“Estou aqui entre os primeiros para evitar grupos e filas”, disse Cristina Queda, 58, que chegou ao seu local de voto em Lisboa assim que abriu, às 8 horas. “Como a data das eleições não foi alterada, decidi vir mais cedo para evitar essa situação.”

Pouco menos de dois terços dos portugueses consideram que as eleições deviam ter sido adiadas por causa da pandemia, de acordo com uma sondagem realizada na semana passada pelo instituto de investigação ISC / ISCTE.

Algumas pessoas que chegaram mais tarde relataram ter de esperar cerca de meia hora nas filas que circundavam o quarteirão, já que as regras determinavam que os eleitores deveriam ficar a dois metros de distância, com apenas uma pessoa permitida dentro do espaço de votação cada vez.

As pesquisas preveem uma abstenção recorde de 60% a 70% em parte porque centenas de milhares de eleitores estão em quarentena.

Ao votar numa escola de Lisboa, o primeiro-ministro Antonio Costa disse que todas as medidas foram tomadas para prevenir o contágio.

“Todas as provisões estão em vigor”, disse Costa. “Estamos em um ponto muito grave da pandemia – tudo foi feito para que as pessoas pudessem exercer seu direito democrático de voto”.

O país de 10 milhões de habitantes está passando por um grave surto de pandemia pós-Natal, com a maior média de novos casos e mortes per capita em sete dias, de acordo com o rastreador de dados da Universidade de Oxford.

O número de mortes por Covid-19 bateu recordes pelo sétimo dia consecutivo neste domingo com 275 óbitos, com hospitalizações também em recorde e ambulâncias em fila de espera durante várias horas nos hospitais de Lisboa lotados.

“Não concordo que a data não tenha sido alterada”, disse José Antonio Queda, 72, que também votou antecipadamente com sua esposa. “Se estivermos em confinamento, devemos evitar o vírus o máximo possível”.

(Reportagem de Victoria Waldersee, Miguel Pereira e Catarina Demony)

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