Notícias

Portas não estão fechadas para Sputnik V, diz gerente de medicamentos da Anvisa

Reuters
Reuters
Portas não estão fechadas para Sputnik V, diz gerente de medicamentos da Anvisa
Vacina russa Sputnik V

27 de abril de 2021 - 16:22 - Atualizado em 27 de abril de 2021 - 16:25

Por Lisandra Paraguassu e Eduardo Simões

BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) – As portas não estão fechadas para a vacina russa contra Covid-19 Sputnik V, disse nesta terça-feira o gerente de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, um dia depois de o órgão regulador rejeitar o primeiro de vários pedidos feitos por Estados para importar o imunizante.

Em audiência em comissão da Câmara dos Deputados que acompanha a pandemia, Mendes disse que, com os dados que recebeu sobre a vacina até o momento, a conclusão da área técnica da Anvisa foi de que o balanço risco-benefício da Sputnik V não compensa.

No entanto, ressaltou que a negativa de autorização de importação excepcional, dada na noite de quinta, não impede que a vacina russa volte a ser analisada, desde que sejam apresentados os dados exigidos pela agência.

“Ainda temos processos em aberto em que novas informações podem ser acrescentadas e a gente possa ter uma decisão diferente. Não inviabilizamos a vacina”, afirmou o gerente da Anvisa. Segundo ele, a tecnologia usada pelos russos para a Sputnik V “faz sentido cientificamente” e é “amplamente conhecida”.

O problema, segundo o gerente da Anvisa, um funcionário de carreira da agência, é que o Instituto Gamaleya, que fabrica o imunizante, não enviou as informações solicitadas pelo órgão regulador brasileiro e que são necessárias para garantir sua eficácia e segurança.

“As informações que solicitamos são mínimas, critérios consideramos mínimos para garantir qualidade segurança e eficácia”, disse.

Durante a audiência, Mendes repetiu alguns dos problemas encontrados pela Anvisa ao analisar os documentos entregues pelos russos, e também respondeu ao questionamento recorrente de que a vacina já é usada em dezenas de países.

Mendes afirmou que foi feito contato com vários dos países que estão com a Sputnik V em uso mas, de acordo com o gerente da Anvisa, a maior parte dos órgãos reguladores dessas nações não faz parte dos fóruns internacionais de vigilância e não compartilha informações. Um dos únicos que participa, a Argentina, não tinha dados suficientes para embasar a agência brasileira.

“Eu não consigo julgar o que levou outros países a autorizar a Sputnik. As agências que aprovaram até agora não fazem parte dos fóruns internacionais que trocam informações. Não conseguimos ter acesso a informação desses países de maneira clara”, disse.

O pedido de importação analisado ontem pela Anvisa foi o feito pelo governo do Maranhão. Nesse caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski deu 30 dias para a Anvisa analisar o pedido. No entanto, outros ainda estão dentro do prazo e, se novas informações surgirem, a decisão da agência pode mudar.

“Existe espaço para que se possa apresentar informações, mas com que a gente tem hoje, não dá. O balanço risco-benefício na nossa decisão hoje com dados que foram apresentados, não compensaram”, explicou.

GOVERNADORES

As vacinas Sputnik V foram negociadas no Brasil, através do Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF), com diversos Estados e municípios e com o Ministério da Saúde. Havia a previsão de importação de cerca de 50 milhões de doses, entre compras feitas pelo governo federal, consórcios de Estados do Nordeste, do Centro-Oeste e de municípios.

Depois de o STF autorizar que Estados e municípios fossem em busca de vacinas por conta própria, prefeitos e governadores passaram a procurar fabricantes, e os russos foram os únicos que se dispuseram a vender sem passar pela intermediação do governo federal e poder começar as entregas já nesse mês.

A Anvisa, no entanto, afirmou que o Gamaleya nunca entregou toda a documentação básica pedida e, em uma missão de inspeção à Rússia, os técnicos da agência não tiveram acesso a plantas de fabricação e outros dados necessários.

Depois da decisão tomada na noite de segunda, governadores tiveram uma reunião nesta terça com representantes do Instituto Gamaleya, do governo russo e da agência de vigilância sanitária russa. De acordo com Carlos Gabbas, representante do consórcio de governadores do Nordeste, foi exigido aos russos que entreguem a documentação pedida pela Anvisa para que a negociação possa ser finalizada.

“O que fizemos hoje foi exatamente solicitar aos técnicos do governo russo que eles apresentem a documentação, as comprovações, consigam esclarecer todas as dúvidas levantadas pela Anvisa”, disse Gabbas.

“Não temos preferência por esta ou aquela vacina. O que os governadores estão fazendo é buscar vacinas onde houver.”

Coordenador para o tema de vacinas do Fórum de Governadores, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), também afirmou que os governadores cobraram informações dos russos.

“Se tem um lado dizendo que a vacina é segura, outro dizendo que traz riscos, alguém está errado. A ideia é que agora a Rússia, através da Gamaleya, da agencia reguladora, apresente as informações sobre esta vacina. Da nossa parte, vamos seguir nos fóruns de governadores buscando alternativas de vacinas”, disse Dias.

tagreuters.com2021binary_LYNXMPEH3Q0Y4-BASEIMAGE

Informamos aos nossos visitantes que nosso site utiliza cookies. Ao usar nosso site, você concorda com nossos Termos de Uso. A maioria dos navegadores aceita cookies automaticamente. Para ver quais cookies utilizamos, acesse nossa Política de Privacidade.