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Por quê Zuckerberg está correto ao adotar o trabalho remoto de forma permanente?

Angelo
Angelo Binder conteúdo Comando News com assessoria
Por quê Zuckerberg está correto ao adotar o trabalho remoto de forma permanente?

26 de maio de 2020 - 00:00 - Atualizado em 26 de maio de 2020 - 00:00

O Facebook anunciou que espera que em torno de metade de seus funcionários esteja trabalhando remotamente nos próximos cinco a 10 anos. Em uma live, Marc Zuckerberg disse que a empresa está “abrindo agressivamente a contratação remota.” E por que o CEO da maior rede social do mundo estaria certo?

As novas relações de trabalho, suportadas não apenas pela tecnologia, mas também pela própria modificação da sociedade em função da pandemia da COVID-19, criam espaço para realidades que afrontam a concepção de emprego que empresas, governos e mesmo pessoas ainda possuem:

  • Trabalho à distância e virtual;
  • Uso de recursos próprios;
  • Gestão por projetos;
  • Multiplicidade de competências e funções;
  • Avanço dos contratos de curto prazo;
  • Modificações no campo da ética do trabalho;
  • Crescimento do capital intelectual em detrimento do capital motor.

A despeito dessa migração para a economia de serviços, a nossa sociedade pré-pandemia permaneceu, por alguma razão, apoiada nos valores do horário comercial e do trabalho em turnos. Mas as gerações que começarão a ingressar no mercado a partir desse momento jamais compartilharão do ponto de vista tradicional.

O discurso sempre se mantém conservador nos primeiros passos. Com as novas relações de trabalho, não poderia ser diferente. Como ocorreu em diversas circunstâncias anteriores, a tecnologia é vista como uma ameaça por alguns grupos organizados, como sindicatos e associações.

A verdade é que determinados mitos associados às modificações dos processos e da cultura do trabalho não sobrevivem a uma segunda argumentação, mas de forma a organizar, podemos dizer que há três previsões que afrontam diretamente os mitos relacionados ao futuro do trabalho:

1. A robótica e a inteligência artificial criarão novas funções e possibilidades de trabalho e não o desemprego em massa. Máquinas não se criam sozinhas, fisicamente e tecnologicamente falando;

2. A guerra por talentos colocará cidades e países em confronto direto. Com trabalhadores assumindo projetos e posições a despeito de onde possam estar em escala global, por conta da internet, cidades e até países passarão a competir entre si por talentos;

3. Freelancers serão uma maioria em alguns países e setores. Previsões apontam, por exemplo, que a força de trabalho norte-americana será majoritariamente freelancer a partir do ano de 2027.

Desta forma, o que posso recomendar é uma reavaliação das relações de trabalho e modelos de negócio em si, mas lembrando que você não precisa ser um Zuckerberg para isso, a mudança já bateu em sua porta.

Por André Telles, especialista no tema de governos inteligentes e inovação é assessor de Gestão Inteligente e Inovação no governo do Estado do Paraná, coordenador dos aplicativos Paraná Serviços e Paraná Solidário – ambos considerados cases inovadores lançados pelo Governo do Estado. Telles é co-fundador/ex-sócio do iCities, empresa responsável pelo congresso mundial de cidades inteligentes da FIRA Barcelona no Brasil. Autor de cinco livros relacionados ao tema da tecnologia e inovação, foi autor da primeira publicação brasileira sobre mídias sociais, em 2005. Seu último livro, O Futuro é Smart, é considerado um sucesso de crítica por ditar tendências ainda pouco conhecidas na área de inovação.

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