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Políticos derrotados nas urnas se aposentam e ganham até R$ 32 mil

Redação RIC Mais
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24 de fevereiro de 2019 - 00:00 - Atualizado em 24 de fevereiro de 2019 - 00:00

Lobão e Jucá (foto) receberão mais de R$ 20 mil por mês. (Foto: Pedro França/Agência Senado)

Enquanto os brasileiros se preocupam com as mudanças na reforma da previdência, os políticos do país vivem uma realidade de privilégios e valores muito acima da média nacional paga pelo INSS (R$ 1.520,80)

Enquanto os brasileiros se preocupam com as mudanças que a reforma da previdência trará para suas aposentadorias, alguns senadores derrotados nas eleições de 2018 já estão aposentados com salários muito acima da média nacional paga pelo INSS (R$ 1.520,80).

Caso de Romero Jucá (MDB)

Como, por exemplo, Romero Jucá (MDB-RO), de 64 anos. Depois de 24 anos no Senado, em Brasília, ele não conseguiu se reeleger em 2018 e em fevereiro entrou com pedido para receber aposentadoria como ex-parlamentar. O benefício mensal será de R$ 23.151,77, o equivalente a 68,5% da remuneração mensal de deputados e senadores, que é de R$ 30.763.

‘Quadrilhão do MDB’

A Procuradoria-Geral da República apontou Romero como um dos participantes de um esquema de corrupção que envolvia os grandes nomes do partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB), antigo PMDB, e ficou conhecido como ‘Quadrilhão do MDB’.

Edison Lobão (MDB)

Outro político do MDB que também não conseguiu renovar o mandato e igualmente foi citado no ‘Quadrilhão do MDB’ é Edison Lobão (MDB-MA), 82 anos. O ex-senador e ex-ministro é investigado na Lava Jato por supostos recebimentos de propina nas obras da usina hidrelétrica de Belo Monte.

Ele foi eleito pela primeira vez em 1987 e ficou até 1991. Em 1995, tornou-se novamente senador e foi reeleito nos quatro pleitos seguintes. Entretanto, na maior parte do período entre 2008 e 2015 não esteve no Senado, pois ocupou o Ministério de Minas e Energia nos governos Lula e Dilma.

Aposentado pelo antigo IPC (Instituto de Previdência dos Congressistas), que exigia 50 anos de idade mínima para requerer o benefício, Lobão recebeu R$ 25.274,01 neste mês.

José Agripino Maia (DEM)

A maior aposentadoria entre esses ex-senadores será a de José Agripino Maia (DEM-RN), que não conseguiu se eleger deputado federal e conquistou apenas uma vaga de suplente na chapa. O político teve mandato no Senado de 1987 a 1991 e de 1995 a 2019 (32 anos) e recebeu neste mês mais do que o salário de um parlamentar: R$ 32.894,80.

Maia virou réu, no fim de 2017, em um processo de corrupção envolvendo as obras da Arena das Dunas, em Natal (RN).

Outros exemplos

Outro cacique regional que não renovou o mandato, após 24 anos no Senado, foi Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). O político recebeu R$ 24.212,89 de aposentadoria em fevereiro.

Armando Monteiro (PTB-PE), de 67 anos, teve apenas um mandato (oito anos) no Senado e três consecutivos de deputado federal (1999 a 2011). Ele requereu aposentadoria após perder a eleição para o governo de Pernambuco e passa a receber R$ 19.293,14 mensais.

Já o ex-senador José Pimentel (PT-CE), de 65 anos, aposentou-se com vencimentos de R$ 23.151,77. Ele, que foi deputado federal de 1995 a 2011 e senador de 2011 a 2019, não chegou a disputar eleições, uma vez que o partido decidiu não lançar candidato ao Senado, e ele ficou sem cargo.

Fim da aposentadoria para ex-governadores do Paraná

Em 2019, o governador do estado Carlos Massa Ratinho Junior apresentou na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim do pagamento de aposentadorias vitalícias a ex-governadores.

Conforme o documento, “o pagamento deste subsídio mensal e vitalício afronta os princípios da moralidade administrativa e da impessoalidade, pois visa premiar aquele que tenha exercido mandato com uma graça remuneratória vitalícia, em desacordo com o interesse público e causando grave lesão à economia pública”.

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