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Por Paulo Martins

Política
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Boulos, um invasor a serviço do PT

Boulos é um invasor consentido. Como é um filho da cultura petista, o PT cede espaço para avançar.

Boulos, um invasor a serviço do PT

16 de novembro de 2020 - 16:29 - Atualizado em 16 de novembro de 2020 - 16:29

Sempre entendi que os petistas mais perigosos eram aqueles bem educados, com ternos alinhados, barba aparada e boas maneiras à mesa.  Digo isso porque o petista barbudão – aquele tradicional, no estilo Karl Marx do ABC – já entrega de cara suas intenções e, por isso, tem menos condições de encantar alguém que esteja livre da cadeia mental vermelha.  Já o petista refinado, esse tem capacidade de seduzir.  Pense no Palocci, ou mesmo no Lula, depois que tomou um banho de loja promovido pelo Duda Mendonça para civilizar-se e ganhar a eleição de 2002.

Algumas pessoas pensam que não há mais o que temer, pois a cadeia – não a mental, a física mesmo – construída com os crimes do esquema do Petrolão acabou com o glamour dos petistas mais refinados. Pensou no Palocci, né? 

Acontece que essas pessoas estão erradas.  O PT não é uma organização comum. Seu alcance não está limitado por sua atuação formal. O partido é uma ideia, é uma cultura, que é assimilada por outras siglas, organizações e indivíduos.

Se a guilhotina eleitoral tem sido impiedosa com os petistas estrelados, a organização permite que seu espaço no espectro eleitoral seja oportunamente invadido por outros representantes de sua cultura, nascidos de sua própria costela. Falo do Psol e de Guilherme Boulos. 

O Psol jura que foi criado por dissidentes petistas, só que no jogo do poder sempre faz tudo o que o PT manda.  Na verdade, o partido foi criado para suprir a necessidade da esquerda de trabalhar a pauta dos “costumes” e, assim, atrair o eleitorado jovem, universitário, ricos com “consciência social, através de uma sigla com identidade original com essa temática, missão que o PT não tinha vocação para cumprir”.

Não há nada de relevante no projeto de poder petista com que o Psol não esteja de acordo.  A diferença das siglas é um detalhe irrelevante dentro da cultura, que envolve ambas e as faz complementares.  Eis o que quero dizer: o Psol com expectativa de poder é o PT, Guilherme Boulos é a nova face do PT, um PT com botox e sem ficha.

O eleitorado com consciência social ou sem consciência alguma, que se sentia constrangido com os crimes petistas, encontra nessa nova face uma condição moral de servir ao partido mãe, enquanto os desavisados são induzidos a fazê-lo acreditando que trabalham por uma mudança.  Digitam 50, mas lacram 13.

Boulos é um invasor consentido.  Como é um filho da cultura petista, o PT cede espaço para avançar. Somente o PT, escorado em uma cultura que transcende seus limites, seria capaz de tamanha engenhosidade. 

Passei por tudo isso para concluir: Guilherme Boulos é PT, porque o PT é mais que um partido, é um estado mental.

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