Política

Três paranaenses são citados na CPI da Covid durante depoimentos sobre propina

Denúncias foram feitas durante discussões sobre possível propina na compra de vacinas da AstraZeneca, de uma farmacêutica americana, e da Covaxim

Guilherme
Guilherme Becker / Editor com informações da rádio Jovem Pan Paraná
Três paranaenses são citados na CPI da Covid durante depoimentos sobre propina
Abelardo Lupion, Roberto Ferreira Dias e Ricardo Barros (Fotos: Câmara dos Deputados/ PR/ Agência Brasil)

2 de julho de 2021 - 10:16 - Atualizado em 2 de julho de 2021 - 10:23

Três paranaenses foram citados durante sessões da CPI da Covid nesta semana, em Brasília. Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, Ricardo Barros, deputado federal e líder do governo na Câmara, e Abelardo Lupion, ex-deputado federal, tiveram os nomes mencionados em diferentes discussões sobre possíveis propinas na aquisição de vacinas.

Duas denúncias de irregularidades na compra de vacinas foram destacadas na CPI, uma em relação a vacina Covaxim e outra com referência a compra da vacina AstraZeneca, fornecida por uma farmacêutica norte-americana.

Denúncia contra paranaense na CPI

Na última terça-feira (29), o policial militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa americana Davati Medical Suplly, afirmou que foi solicitado o pagamento de US$ 1 (um dólar) por dose da vacina AstraZeneca, como forma de propina. A negociação teria sido intermediada pelo então diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias. O paranaense foi exonerado do cargo no mesmo dia da denúncia.

Nesta quinta-feira (1), em novo depoimento, Dominguetti voltou a ser ouvido na CPI da Covid. O policial reafirmou a acusação de propina e citou que o pedido aconteceu em 25 de fevereiro, em um restaurante, em um shopping de Brasília. Entretanto, desta vez, o representante da empresa citou um áudio supostamente do deputado Luis Miranda (DEM), relacionado a negociação de vacinas.

Após ouvir o áudio, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), se reuniu com outros senadores e com Luis Miranda. O deputado revelou que o áudio era de 2020 e não se referia a respeito da compra de vacinas. Então o celular de Dominguetti foi apreendido e o próprio depoente voltou atrás e afirmou que não sabia qual era o contexto da gravação.

A empresa de Dominguetti também tentou vender vacinas para o Consórcio Paraná Saúde, que conta com 398 cidades. Documento de 9 de março deste ano mostra que o consórcio tinha interesse em 2 milhões de doses da AstraZeneca, mas o negócio não evoluiu devido a inviabilidade de entrega e a impossibilidade de exclusividade de compras por estados e municípios.

Paranaenses na CPI

Roberto Dias, que é funcionário de carreira da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), chegou a Brasília por indicação do ex-deputado Abelardo Lupion, que era presidente da companhia. A indicação ocorreu no período em que Cida Borghetti, esposa de Ricardo Barros, era governadora do Paraná.

Barros, que é líder do governo na Câmara, teve o nome envolvido em uma suspeita de irregularidades na compra de vacinas da Índia, da Covaxin. Procurado pelo Grupo RIC, o deputado  negou as acusações e esclareceu que não há nada de concreto na denúncia. Além disso, informou que as acusações de Luiz Miranda são falsas e que não possui envolvimento na indicação de Dias ao cargo.

Abelardo Lupion confirmou a indicação de Dias ao cargo, mas revelou que o motivo foi baseado na formação técnica e na experiência em gestão pública.

Nos próximos dias, os paranaenses devem ser ouvidos na CPI.