Política

Grupo RIC abre espaço para discussão sobre novo modelo de pedágio no Paraná

Entrevista na rádio Jovem Pan Paraná promoveu debate entre lideranças do oeste do estado

Guilherme
Guilherme Becker / Editor com informações de Marc Sousa e da rádio Jovem Pan Paraná

O Grupo RIC, por meio da rádio Jovem Pan Paraná, promoveu na manhã desta sexta-feira (16) um debate sobre o novo modelo de pedágio no estado. Com a presença de lideranças do setor produtivo do oeste, o jornalista Marc Sousa conduziu a discussão que teve como objetivo esclarecer o novo contrato de 30 anos que deve afetar a população paranaense.

Estiveram presentes no debate: Evandro Rogério Roman, deputado federal; Rainer Zielasko, presidente do programa Oeste em Desenvolvimento; Dilvo Grolli, diretor presidente da Coopavel; e Edson Vasconcelos, vice-presidente da Fiep.

Novo modelo de pedágio

Com o fim dos contratos atuais no dia 28 de novembro de 2020, o governo federal vai assumir o novo processo de concessões no estado.

Além das rodovias federais, o projeto também prevê algumas mudanças estaduais. Com isso, o total de estradas pedagiadas no Paraná pode passar de 2.493 km para 3.327. E o número de praças de pedágios de 27 para 42. A nova concessão está dividida em seis lotes, que o governo federal espera  leiloar em um novo modelo híbrido.

Os trechos de rodovias são leiloados separadamente na bolsa de valores de São Paulo, com média de redução nas tarifas entre os lotes de, no máximo, 17,4%. Aquele que ofertar a menor tarifa possível é declarado vencedor. Em  caso de empate ganha quem pagar a maior outorga, um valor a mais que será pago ao governo federal.

Debate na rádio Jovem Pan

Durante o debate, os participantes se posicionaram contra a proposta do governo federal, até mesmo o deputado federal Evandro Roman, que faz parte da base aliada a Bolsonaro. As lideranças do setor produtivo questionaram a inclusão de mais praças, principalmente em trechos onde a rodovia já é duplicada. Confira os principais posicionamentos:

Dilvo Grolli – Diretor presidente da Coopavel

“Esse novo modelo proposto pelo Governo Federal, através do Ministério de Infraestrutura, ele é nada mais que uma continuidade com a mudança de alguns nomes. […] Não podemos, jamais, nos calar com o que está acontecendo no Paraná nos últimos 24 anos e o que vai acontecer nos próximos 30 anos […] Quem paga essa conta somos nós consumidores. É fácil fazer festa com chapéu dos outros”,

declarou Dilvo Griolli durante o debate.

O presidente da Coopavel destacou que irá lutar por uma concessão mais justa que possa garantir um futuro mais competitivo para as indústrias e cooperativas do oeste do estado.

Rainer Zielasko – Presidente do programa Oeste em Desenvolvimento

“Nós estamos longe do centro consumidor, estamos longe da capital, e precisamos tanto transportar nosso produto industrializado quanto receber nossos insumos. Aí você vê um modelo de pedágio que vem repetindo aquela história que já estamos acostumados”,

disse Rainer Zielasko.

O presidente do programa Oeste em Desenvolvimento criticou duramente a instalação de uma praça de pedágio entre as cidades de Cascavel e Toledo. Segundo o representante, o trecho já é duplicado e o valor de R$ 9,98 por eixo é inadmissível. “Uma coisa realmente inaceitável. O máximo que a população aceitaria fazer parte deste pacote seria um pedágio de manutenção, algo parecido com Santa Catarina a R$ 1,75 ou R$ 2,25”, destacou.

debate jovem pan
Rainer Zielasko e Edson Vasconcelos no debate (FOTO: BEATRIZ FREHNER/ RIC RECORD TV)

Evandro Roman – Deputado federal

“Mesmo sendo base do governo, deixamos muito claro que é algo que não serve para nós […] Ele (governo federal) terá que aprimorar. Ele sabe que nós não vamos estar aceitando, vamos até às últimas consequências. Quando se fala em degrau tarifário, é trabalhar com meritocracia. Do contrário, teremos mais do mesmo que já sofremos há 24 anos”,

falou Evandro Roman.

O deputado comentou sobre o problema de obras que não foram concluídas nas rodovias pedagiadas nos últimos 25 anos, e ressaltou que isso pode se repetir na nova concessão. “Pagamos a primeira e não recebemos, vamos ter que pagar a segunda e sabemos que não vai sair”, finalizou.

Edson Vasconcelos – Vice-presidente da Fiep

“Entendemos cada vez mais que discutir o pedágio no Paraná é olhar e debater os erros que o Paraná teve. Respeitamos a experiência do ministro, mas nós não podemos deixar de falar daquilo que aconteceu no Paraná. Nunca tivemos os problemas que ele relata, de tarifas baixas e de problemas de pessoas e empresas que estiveram na Lava-Jato e não conseguiram cumprir seus compromissos de financiamento de obras devido ao processo de corrupção”,

comentou Edson Vasconcelos.

O vice-presidente da Fiep exigiu que seja feito um levantamento para saber onde foram os erros dos últimos 25 anos, e assim sanar na próxima gestão. Vasconcelos ainda pontuou que diante de um contrato que deve arrecadar R$ 156 bilhões, o debate é sempre em torno do risco dos 42 bilhões que seriam destinados a obras de melhorias. “Nós vamos ficar 30 anos de relacionamento e cobrando para que as obras aconteçam”, ressaltou.

Assista ao debate na íntegra:

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