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Não adianta inventar, diz Bolsonaro sobre acusação que envolve Covaxin

O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a pasta que comanda não se preocupa com o assunto da Covaxin

Reuters
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Não adianta inventar, diz Bolsonaro sobre acusação que envolve Covaxin
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto

24 de junho de 2021 - 13:09 - Atualizado em 24 de junho de 2021 - 14:07

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) – O presidente Jair Bolsonaro procurou nesta quinta-feira (24) minimizar as suspeitas de irregularidades no processo de compra pelo governo do imunizante indiano contra Covid-19 Covaxin, que está sendo investigado pela CPI da Covid do Senado e pelo Ministério Público Federal, ao dizer que não adianta “inventar”.

“Não adianta inventar vacina, porque não recebemos uma dose sequer dessa que entrou na ordem do dia da imprensa ontem (quarta)”, disse Bolsonaro em cerimônia de liberação de recursos para a obra de uma barragem no Rio Grande do Norte.

O presidente voltou a repetir, de forma equivocada, que seu governo não sofreu qualquer acusação de irregularidade, apesar de investigações sobre a Covaxin e sobre a atuação de Ricardo Salles, que na quarta-feira (23) pediu demissão do cargo de ministro do Meio Ambiente.

“Para tristeza de alguns poucos, um governo que está completando dois anos e meio sem uma acusação sequer de corrupção”, disse.

“Nós temos um compromisso, se algo estiver errado, apuraremos, mas graças a Deus, até o momento, graças à qualidade dos nossos ministros, não temos um só ato de corrupção em dois anos e meio. Quem podia esperar isso daí?”, comentou.

Na véspera, entretanto, Salles, deixou o cargo após forte pressão que vinha sofrendo. Ele é alvo de duas investigações criminais por suspeitas de irregularidades num esquema de contrabando de madeiras.

Covaxin

Em fevereiro, mesmo antes de aprovação da Anvisa, que até o momento não ocorreu, o governo federal fechou um contrato para a compra de 20 milhões de doses da vacina Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech, por R$ 1,6 bilhão.

Em março, Bolsonaro teria sido pessoalmente alertado das suspeitas de irregularidades na compra pelo deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) e pelo irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda. Ambos irão depor à CPI da Covid na sexta-feira (25).

Em resposta às denúncias, entretanto, o Palácio do Planalto preferiu questionar os denunciantes. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, afirmou que foi determinado à Polícia Federal que investigue os irmãos Miranda por denunciação caluniosa –supostamente terem apontado um crime que não existe.

Mais cedo, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a pasta que comanda não se preocupa com o assunto da Covaxin e que está trabalhando para garantir uma maior oferta de vacinas aos brasileiros.

“Preocupação do Ministério da Saúde com esse assunto Covaxin é zero. Zero!”, garantiu ele ao jornalistas.