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Por Marc Sousa

Política
Marc Sousa

Vereador é acusado de assédio sexual e rachadinha

Assessores procuraram a polícia para denunciar Felipe Passos, vereador em Ponta Grossa. PSDB abriu sindicância para apurar denúncias

Vereador é acusado de assédio sexual e rachadinha

7 de janeiro de 2021 - 20:16 - Atualizado em 8 de janeiro de 2021 - 08:03

Assessores do vereador Felipe Passos (PSDB), de Ponta Grossa, afirmam que eram assediados sexualmente pelo parlamentar e teriam sido obrigados a devolver parte dos salários, a chamada “rachadinha”. Pelo menos dois ex-funcionários fizeram atas notariais, documentos registrados em cartório, com cópias de supostas conversas com o parlamentar pelo celular. A coluna deve acesso aos “prints”. Em algumas trocas de mensagens, Passos teria dito a um deles que o amava e feito elogios com cunho sexual, além de convites para encontros íntimos. Também é possível ver que os assessores mandavam comprovantes de depósitos feitos na conta pessoal do vereador.

Vereador teria feito convites a assessores sugerindo um contato mais íntimo

Um dos assessores registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil no último dia 22 de dezembro alegando que era assediado. Ele conversou com a coluna, e sob a condição de não ter o nome divulgado, contou que Passos frequentemente tentava contatos sexuais. “O assédio sexual era frequente, a maioria por mensagens de WhatsApp, e vários pessoalmente”, conta o ex-funcionário. “Dentro do gabinete ele chegava todo dia e vinha do lado da minha mesa tentar alguma coisa. Me puxava pela mão e eu empurrava a cadeira dele pra longe.” , relembra. O então assessor diz que a situação o levou a pedir demissão. “Ele fazia investidas sempre, e eu sempre levei na brincadeira, até que ficou insuportável.”, disse.

Sobre as “rachadinhas”, os assessores dizem que o vereador afirmava que todos tinham que ajudar ele, que isso faria parte de um projeto maior. Um deles conta que estaria juntando dinheiro para comprar um computador para o filho, mas Passos o abordava dizendo que tinha que ajudar com o valor guardando na campanha. O ex-chefe de gabinete de Passos, Felipe Reis, confirma que fez repasses do salário para o parlamentar, mas diz que fez isso de forma consciente. “O meu não era bem ‘rachadinha’, pois eu guardei todos os meses pra usar na campanha. Eu pagava as contas dele, sempre que ele pedia. Na época da campanha, o dinheiro que ia ser usado pra campanha, ele me mandou pagar boletos, os quais eu tenho os comprovantes de pagamento. Fecha em torno de 25 mil em boletos.”, revela.

O ex-prefeito de Ponta Grossa, Marcelo Rangel, que é presidente do PSDB na cidade, informou hoje, dia 07, ao presidente da Câmara de Vereadores que o partido abriu sindicância interna para apurar a situação. O documento diz que há “fortes indícios de crimes praticados pelo vereador eleito, dentre eles, assédio sexual e peculato, comumente conhecido como “rachadinha”, previstos no artigo 216-A e artigo 312, ambos do Código Penal, respectivamente.”. O Conselho de Ética da legenda vai acompanhar o caso.

Felipe Ramon dos Passos ficou famoso em 2013, quando se organizou com amigos para arrecadar dinheiro e ir a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro. Na época ele foi assaltado e acabou baleado no pescoço. O tiro lhe deixou paraplégico. Meses depois, a história chegou até o Papa Francisco, o que lhe ajudou a dar projeção. O vereador está em seu segundo mandato.

Felipe Passos nega as acusações. “Em política temos de ter o couro duro. Principalmente quem é honesto como eu. As manifestações e defesas serão apresentadas, todas, no foro competente. E medidas serão tomadas em sua máxima extensão contra os caluniadores.”, afirmou.

Vereador teria indicado a conta pessoal para fazer depósitos
Assessor teria enviado comprovantes de depósitos. A glosa na imagem é para preservar a identidade do ex-funcionário
Elogios com cunho sexuais eram frequentes, segundo assessores

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