Política

Justiça do Paraná absolve juíza que citou raça ao condenar negro

De acordo com o Tribunal de Justiça do Paraná, a frase em que a juíza cita a raça foi tirada de contexto

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais
Justiça do Paraná absolve juíza que citou raça ao condenar negro
(Foto: Divulgação)

28 de setembro de 2020 - 19:09 - Atualizado em 28 de setembro de 2020 - 19:09

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) arquivou o processo disciplinar contra a juíza Inês Marchalek Zarpelon, da 1ª Vara Criminal de Curitiba (PR), que mencionou a raça de um réu negro ao condená-lo a 14 anos e 2 meses de prisão por furto. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (28).

Na decisão, do dia 19 de junho deste ano, a juíza escreveu:

“Sobre sua conduta social nada se sabe. Seguramente integrante do grupo criminoso, em razão da sua raça, agia de forma extremamente discreta os delitos e o seu comportamento, juntamente com os demais, causavam o desassossego e a desesperança da população, pelo que deve ser valorada negativamente”.

Os membros do Tribunal de Justiça concluíram que não houve qualquer indícios de racismo. Um dos pontos apresentados pelo Órgão Especial, foi que a magistrada teria concedido a mesma pena para todos os membros da organização criminosa.

De acordo com o TJ, a frase foi retirada de contexto. Segundo os desembargadores, o termo “em razão da sua raça” estaria subordinado à oração subsequente – “agia de forma extremamente discreta” –, e não à antecedente – “seguramente integrante do grupo criminoso”.

Durante a sessão, os desembargadores elogiaram o histórico da juíza Inês Zarpelon e, ainda, culparam a imprensa por uma suposta avaliação precipitada. “Nós temos que interpretar a sentença com boa fé. Não se trata de uma sentença de três linhas”, afirmou o desembargador Clayton Maranhão.

“Parece que as pessoas têm preguiça de ler, mas não têm preguiça de sair atacando nas redes sociais”, completou Maranhão. Veja, a seguir, a íntegra da sentença, que contém 115 laudas. A citação da raça pela juíza Inês Marchalek Zarpelon foi feita na página 107.