José Nêumanne Pinto
Direto ao Assunto

Por José Nêumanne Pinto

Política

7 de junho de 2020 - 15:15

Atualizado em 7 de junho de 2020 - 15:17

A sinhá escravista e o general covarde

Mulher do prefeito socialista leva filho negro da doméstica à morte e ministro da Saúde foge à luta

José Nêumanne Pinto
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Jornalista do Estadão, comentarista da TV Gazeta e da Rádio Eldorado, poeta e escritor. Viver é minha arte e liberdade é meu ofício.

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A sinhá escravista e o general covarde
Reprodução R7

Mirtes Santana, funcionária fantasma da prefeitura de Tamandaré (PE), levou o cãozinho da patroa Sari Corte Real, mulher do prefeito Sérgio Hacker, a passeio, e deixou o filho Miguel Otávio, de 5 anos a seu cuidado.

O garoto sentiu falta da mãe e, para não ser perturbada enquanto fazia as unhas, a primeira-dama do município onde fica a bela praia dos Carneiros levou-o ao elevador.

O menino não conseguiu marcar o andar e ela apertou o botão do nono. Ao se abrir a porta, ele saiu, subiu no equipamento do ar-condicionado e caiu 35 metros. Foi socorrido, morreu e sinhô e sinhá foram ao velório chorar.

Mas imagens do condomínio revelaram o crime da sinhazinha: homicídio culposo, sem intenção de matar, decretou a compreensiva polícia do partido fundado por Miguel Arraes, ícone da esquerda brasileira. E cobrou módica fiança de R$ 20 mil.

Como diz o professor de Direito da USP Modesto Carvalhosa, que assinou um belíssimo artigo intitulado Racismo e amor na página 2 do Estadão, neste país não há discriminação, mas servidão. Foi o que ocorreu no edifício luxuoso, confirmando consequências da forma como aqui se aboliu a escravidão, há 132 anos, apontadas pelo genial abolicionista Joaquim Nabuco, nascido no engenho Maçangana, no mesmo Pernambuco.

No dia 4 de junho de 2020, quando o Brasil tomou conhecimento do trágico recorde diário de 1.473 novos óbitos registrados em 24 horas, esta Pátria cruel e escravista atingiu a marca de  34.021 vidas perdidas pela covid-19. Passou a Itália e ficou em terceiro lugar no mundo inteiro. Justamente nesse dia, o permanente ministro provisório do governo do capitão cloroquina, general Eduardo Pazuello (vulgo pançudo), desertou do campo de batalha contra a pandemia para se esconder vai saber onde. Recentemente, ele foi visto ao lado do chefe sobrevoando manifestações fascistoides golpistas na Esplanada dos Ministérios. Mas na hora de explicar seu malogro como intendente, função militar que ocupa na pasta que deveria cuidar da doença, ele desertou da trincheira, sorrateiramente.

Em seu perfil no Facebook, o Exército brasileiro, em que o permanente ministro provisório milita, registrou frase célebre de um guerreiro histórico, o corso Napoleão Bonaparte, sobre sua função: “Um exército marcha sobre seu estômago”.

Incapaz de ajudar Estados e prefeituras que combatem pra valer o contágio do novo coronavírus, o oficial da ativa preferiu sumir a deixar as tropas avançarem sobre seu ventre.

No começo do combate à endemia, envergando um colete do SUS, o então ministro da área, Luiz Henrique Mandetta, dava explicações sobre os resultados funestos da falta de testes e de leitos de UTI minuciosa e diariamente. Pazuello prefere fugir à luta, escondido no próprio silêncio.