Jeulliano Pedroso
Estratégia Política

Por Jeulliano Pedroso

Política
Jeulliano Pedroso

#LulaLivre: e agora, Jair Bolsonaro?

Mesmo com um cenário instalável para as eleições de 2022, Lula ainda é seu adversário mais direto. Confira os pontos favoráveis e desfavoráveis para Bolsonaro.

#LulaLivre: e agora, Jair Bolsonaro?
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

19 de março de 2021 - 14:30 - Atualizado em 19 de março de 2021 - 14:30

No artigo anterior abordei alguns aspectos analíticos das possibilidades do ex-presidente Lula no pleito de 2022, após analisar os movimentos ocorridos no STF – a anulação das condenações de Lula, somadas com a possibilidade da suspeição de Moro. Neste texto vamos dar uma olhada no principal concorrente do pleito de 2022, segundo as pesquisas: Jair Bolsonaro.

A entrada de Lula no cenário, agora elegível, afeta bastante o jogo político do atual presidente, pois, diferente de alguns de seus apoiadores, que consideram Lula um adversário fácil de ser batido, Jair Bolsonaro tem clareza que Lula é mais competitivo do que um outro candidato genérico do PT.

Como fica o cenário político de Jair Bolsonaro nesta conjuntura?

– Histórico: no Brasil, nenhum presidente que postulou a reeleição deixou de ser bem-sucedido, nem mesmo Dilma pós manifestações de 2013. Ainda, 2022 pode ser também a primeira vez que um ex-presidente enfrentaria um presidente em candidatura de reeleição.

– Máquina: a capilaridade administrativa do Governo Federal e o acesso ao orçamento (que tende a atrair prefeitos e deputados) são elementos que o então candidato de 2018 não podia contar e agora pode, o que, convenhamos, não é pouco.

– Clareza: com Lula na disputa fica mais claro quem será seu principal opositor, permitindo ao presidente antecipar movimentos e conquistar eleitores mais moderados (já passou inclusive a usar máscara e adotar medidas pró-vacina), pois os mais radicais à direita tendem a aderir quase que automaticamente pelo sentimento de antipetismo.

– EUA: com a derrota de Donald Trump, além de perder o apoio (mesmo que simbólico) dos EUA, o presidente também amarga um prenúncio ruim, pois ambos compartilhavam agendas e métodos em comum. O revés de um pode significar um caminho mais árduo para o outro.

Força política: seus aliados ganharam as mesas diretoras da Câmara Federal e do Senado. Os partidos do centrão que participaram da vitória da direção do Congresso também foram vitoriosos nas eleições municipais. Dos 14 partidos que tiveram acréscimos de prefeituras em 2020 (em relação a 2016), 9 estavam no bloco de apoio ao deputado Arthur Lira, esse número sobe para 10 se considerarmos o DEM, já que mesmo não formalizando adesão ao bloco, liberou seus deputados para votar no candidato do governo o que inclusive gerou uma crise com o deputado Rodrigo Maia.

Bolsonaro está derrotado?

Para aqueles oposicionistas mais animados, que sistematicamente afirmam que o presidente já está derrotado, vale uma dose redobrada de cautela, pois ele é, antes de mais nada, um sobrevivente, conseguindo reverter situações desfavoráveis e tirar proveito delas. Exemplos: em 2018, quando sem coligação partidária cravaram sua inviabilidade eleitoral; nas acusações em relação ao Queiroz/Flávio, cujas investigações vem perdendo força; na saída do ministro Mandetta (incluindo a forma de gerir o enfrentamento a pandemia); na saída do ministro Moro; e na questão do auxílio emergencial.

Alguns analistas já foram categóricos em cravar a sua derrocada, mas ele sempre conseguiu manter seu núcleo duro de apoiadores unidos e aquecidos. A própria pesquisa DataFolha, divulgada em 17/03/2021, mostra uma estabilidade na faixa de 30% de favoráveis.

Outro aspecto importante na distinção entre Lula e Bolsonaro é a pauta de costumes que pode ser determinante para alguns setores. Os evangélicos são proporcionalmente o setor onde o apoio ao presidente alcança os melhores percentuais. Em 2018, por exemplo, mais de 70% (segundo pesquisa do DataFolha de 18/out/2018) declararam que votariam nele no segundo turno.

Devemos estar atentos a um outro fator que tende a impactar o pleito de 2022 e se converter em vantagem para o presidente: a questão do comparecimento, o votar de fato. Por ter uma postura aguerrida e seu eleitor ter um vínculo emocional tão intenso com ele, a motivação de comparecer para votar é maior. Claro que por gerar sentimentos tão fortes a rejeição tende a ser grande fator motivacional de comparecimento também para a oposição, algo que também vimos nas eleições americanas.

Esta análise não termina aqui. Temos ainda outros atores para acompanhar: o papel do ex-juiz Sérgio Moro e de outros possíveis competidores, como Huck, Mandetta, Marina, Ciro e etc.

Não se enganem: por mais que o cenário esteja ficando mais delimitado, nada ainda está solidificado.

Até a próxima semana!

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