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Guilherme Becker / Editor

17 de outubro de 2019 - 00:00

Atualizado em 17 de outubro de 2019 - 00:00

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Escolas sem refrigerante: nutricionistas e pediatras pedem projeto que proíbe comercialização

A proposta já foi feita há 12 anos, porém, segue em análise na Câmara dos Deputados

Em audiência pública realizada na Comissão de Seguridade Social e Família, nesta quinta-feira (17), nutricionistas, pediatras e organizações não governamentais pediram a aprovação do projeto de lei que proíbe a venda de refrigerantes nas escolas de educação básica públicas e privadas (PL 1755/07). A proposta já foi apresentada pelo deputado Fábio Ramalho (MDB-MG) há 12 anos, porém, até hoje aguarda votação pelo Plenário.

Os especialistas destacaram a importância da medida para combater a “epidemia” de obesidade, que atinge a população brasileira. De acordo com dados apresentados, em 2009, mais de 30% das crianças estavam com obesidade ou sobrepeso.

Alerta para a saúde das crianças

“Da maneira que está caminhando em 2022 vamos ter, entre as crianças do sexo masculino de 5 a 9 anos, em torno de 46,5% de obesidade e, entre as meninas, em torno de 38% – ou seja, a gente está se aproximando para quase metade das crianças com obesidade”, destacou a vice-presidente do Conselho Federal de Nutricionistas, Nancy de Araujo Aguiar.

Além disso, Nancy relatou que a situação é preocupante, pois estão crianças com doenças relacionadas a peso precisarão de atendimentos complexos, o que pode impactar no financiamento da saúde.

Salgadinhos, biscoitos e refrigerantes

Entre as causas que geram problemas de obesidade em crianças, a nutricionista destacou o alto consumo de alimentos ultra processados, como salgadinhos, biscoitos e bebidas açucaradas. “As pessoas que consomem esses alimentos têm chance 37% maior de serem obesas”, ressaltou Nancy, que ainda afirmou que o brasileiro está cada vez mais substituindo o consumo de alimentos básicos.

Segundo a nutricionista, a escola é um espaço privilegiado para a formação de valores e hábitos saudáveis. Ela acrescentou que 32,3% das crianças menores de 2 anos já consomem refrigerantes ou sucos artificiais e que o refrigerante é a sexta bebida mais consumida entre os adolescentes brasileiros.

Aprovação do projeto

A proposta está há 12 anos esperando por aprovação na Câmara dos Deputados, o projeto já passou por análises e comissões, entretanto, ainda não foi para votação no Plenário. Em 2016, as empresas Coca-Cola, Pepsi e Ambev anunciaram que não iriam mais vender refrigerante nas escolas, porém, a diretora executiva da ACT Promoção da Saúde, Paula Johns, alertou que se tratava de uma estratégia de auto regulação, para evitar a aprovação do projeto.

Paula ainda destacou que as empresas não conseguem ter o controle sobre as distribuidoras que vendem a bebida aos estabelecimentos escolares.

Conforme pesquisa realizada pela entidade, em conjunto com o Datafolha, 77% dos brasileiros são contra a venda de bebidas açucaradas em escolas públicas e privadas e 61% dos brasileiros são a favor do aumento dos tributos sobre refrigerantes, chás prontos e sucos de caixinha. Ela acrescentou que o estado brasileiro subsidia a fabricação de refrigerantes na Zona Franca de Manaus. “Isso é inaceitável”, avaliou.

*Com informações Câmara dos Deputados