Política

Em entrevista, Lula defende ciência e critica atuação do governo: “Feche a boca, Bolsonaro”

“Espero que o Bolsonaro esteja assistindo essa entrevista porque queria mandar um recado para ele: ‘Deixe de ser ignorante, presidente'”, declarou

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais com informações da entrevista exclusiva a BandNews FM
Em entrevista, Lula defende ciência e critica atuação do governo: “Feche a boca, Bolsonaro”
(FOTO: REPRODUÇÃO/ YOUTUBE BANDNEWS)

2 de abril de 2021 - 08:54 - Atualizado em 2 de abril de 2021 - 08:54

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista exclusiva a BandNews FM nesta quinta-feira (1º). Ao âncora do programa O É da CoisaReinaldo Azevedo, Lula foi indagado sobre a disputa presidencial do ano que vem. O ex-presidente afirmou que não precisa, necessariamente, ser candidato, mas que não queria tratar desse assunto agora. Segundo ele, 2021 é ano de falar na pandemia e em como superá-la.

Apesar dessa resposta, Lula fez acenos ao centro e à esquerda durante a conversa com o âncora da emissora.

Após o manifesto de seis presidenciáveis, entre eles, Ciro Gomes e João Doria, o ex-presidente disse que, ‘se preciso’, vai ‘chegar no centro’. O petista criticou ainda os signatários desse documento que, segundo ele, não apoiaram Fernando Haddad em 2018 e ajudaram a fazer com que o país chegasse aonde chegou.

Entrevista Lula

Em vários momentos, Lula subiu o tom contra Jair Bolsonaro, revelou que nunca conversou com o presidente e pediu que ele siga a ciência e ouça as pessoas que estudam o assunto.

Espero que o Bolsonaro esteja assistindo essa entrevista porque queria mandar um recado para ele: ‘Deixe de ser ignorante, presidente. […] Feche a boca, Bolsonaro. Se for para continuar falando bobagem, melhor não falar. Ouça a ciência’”,

declarou Lula.

O ex-presidente afirmou ainda que o governo federal deveria se esforçar em comprar as vacinas e imunizar toda a população antes de falar em retomada da economia. Ele acrescentou que o auxílio emergencial deveria ser de R$ 600 e defendeu um programa de ajuda aos empresários.

“Temos que garantir o auxílio emergencial para o povo conseguir ficar em casa e se proteger, e para os micro e pequenos empresários que precisam sobreviver”,

destacou o ex-presidente.

Para Lula, “um governo só consegue governar se tiver duas características: credibilidade e previsibilidade”. Ele lembrou ainda que pediu, em entrevistas a veículos internacionais, ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao presidente da França, Emmanuel Macron, e à chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que se reunissem para discutir a crise da Covid-19. Nesse momento, voltou a criticar o atual presidente da República, pois, segundo Lula, “temos um presidente que não consegue falar com nenhum outro”. Para o petista, o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, representa bem esse governo: “bruto e ignorante”.

Provocado pelo jornalista Reinaldo Azevedo, Lula evitou falar em privatizações, mas admitiu que algumas estatais virem empresas de economia mista, como Furnas, a Eletrobras e a Caixa Econômica Federal. “Eu sou contra governo empresarial. Sou favorável a um governo que seja indutor do processo de desenvolvimento”, declarou.

Nessa parte da entrevista, o âncora lembrou que parte do mercado elogiou o governo Lula e que não seria necessária uma nova “carta ao povo brasileiro agora”. Lula, por sua vez, elevou o tom contra o mercado e indagou: “Quem é esse tal de mercado? Ele está preocupado com quem dorme na rua em São Paulo? […] A coisa mais importante que oferecemos aos empresários foi mercado. O povo podia comprar. […] O mercado, se tivesse juízo, ia para Aparecida do Norte fazer promessa para eu voltar”.

Questionado, por fim, sobre os dias na prisão, Lula disse que tinha como foco provar sua inocência e acrescentou: “Hoje posso dizer que a Lava Jato desapareceu da minha vida. Eu durmo tranquilo e sei que eles não dormem“.

A entrevista na íntegra está disponível no YouTube da BandNews FM.

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