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Bolsonaro minimiza questão racial e diz que violência atinge todos

Dados divulgados em 2019 pelo IBGE, ligado ao governo federal, apontam que pessoas negras têm quase três vezes mais chances de serem assassinadas do que as brancas

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Bolsonaro minimiza questão racial e diz que violência atinge todos
A fala do precidente foi motivada pelo recente assassinato de um homem negro por seguranças. (Foto: Reprodução/Fotos Públicas)

21 de novembro de 2020 - 10:20 - Atualizado em 21 de novembro de 2020 - 12:01

SÃO PAULO (Reuters) – Após um homem negro ser espancado até a morte em uma loja da rede Carrefour Brasil em Porto Alegre na noite de quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro disse que é “daltônico”, que os problemas do Brasil vão além de questões raciais e afirmou que a violência atinge a todos.

Em uma publicação no Twitter na noite de sexta-feira, o presidente também criticou aqueles que, na visão dele, buscam destruir o que chamou de “única família brasileira” em que, mais uma vez na avaliação do presidente, “brancos, negros, pardos e índios compõem o espírito de um povo rico e maravilhoso”.

“Contudo, há quem queira destruí-la, e colocar em seu lugar o conflito, o ressentimento, o ódio e a divisão entre classes, sempre mascarados de ‘luta por igualdade’ ou ‘justiça social‘, tudo em busca de poder”, acusou Bolsonaro sem citar nomes e sem mencionar diretamente o assassinato por espancamento de João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, em uma loja da rede Carrefour Brasil, em Porto Alegre.

Freitas foi espancado até a morte por um segurança da loja e por um policial militar temporário que estava fora de serviço e um vídeo do espancamento viralizou nas redes sociais na sexta-feira, dia em que várias cidades do Brasil comemoraram o Dia da Consciência Negra. O crime, o mais recente episódio de violência uma loja do Carrefour no Brasil, provocou protestos e ataques a unidades da rede varejista em várias cidades.

Em sua série de tuítes, Bolsonaro minimizou a questão racial no Brasil.

“Estamos longe de ser perfeitos. Temos, sim, os nossos problemas, problemas esses muito mais complexos e que vão além de questões raciais. O grande mal do país continua sendo a corrupção moral, política e econômica. Os que negam este fato ajudam a perpetuá-lo”, afirmou.

“Não adianta dividir o sofrimento do povo brasileiro em grupos. Problemas como o da violência são vivenciados por todos, de todas as formas, seja um pai ou uma mãe que perde o filho, seja um caso de violência doméstica, seja um morador de uma área dominada pelo crime organizado.”

Na sexta, o vice-presidente Hamilton Mourão, indagado sobre o assassinato em Porto Alegre, disse não haver racismo no Brasil e disse que o crime foi resultado de uma segurança despreparada.

Apesar das falas de Bolsonaro e Mourão minimizarem a questão racial no Brasil, dados divulgados em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ligado ao governo federal, apontam que pessoas negras têm quase três vezes mais chances de serem assassinadas do que as brancas.

A data do Dia da Consciência Negra faz alusão à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Os quilombos eram os locais para onde iam os negros que escapavam da escravidão, regime que durou 300 anos no Brasil –desde os tempos em que era colônia de Portugal, até depois da Independência, sendo abolida em 1888, há menos de 200 anos, pouco mais de um ano antes da Proclamação da República.

(Por Eduardo Simões)

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