Política

As três eleições no caminho de JAIR BOLSONARO

No que Trump, Maia e Alcolumbre podem influenciar na próxima eleição de Jair Bolsonaro?

As três eleições no caminho de JAIR BOLSONARO
Jair Bolsonaro, Maia e Donald Trump.

7 de agosto de 2020 - 10:45 - Atualizado em 7 de agosto de 2020 - 13:25

Política não é constituída apenas por eleições, vai muito além delas. Entretanto, é inegável que as eleições têm um efeito catalisador para o campo político, sendo nelas que muitos ajustes de composição das forças políticas da sociedade se reordenam e se ajustam.

O presidente Bolsonaro tem em seu percurso, até as eleições nacionais de 2022, três ou quatro eleições que podem tornar mais fácil ou mais difícil seu caminho. Em ordem cronológica, são elas:

1. Eleição Presidencial nos EUA (prevista para 3 de Novembro de 2020)

A eleição americana tem a força de afetar a geopolítica mundial e este efeito é ainda mais relevante no Brasil, afinal os EUA são o segundo maior destino de nossas exportações. Mas como essa eleição em particular poderia afetar a força de Bolsonaro?

Uma eventual vitória de Trump reforçaria o campo ideológico ao qual Bolsonaro se alinha e poderia gerar uma possível reciprocidade eleitoral (Eduardo Bolsonaro tem apoiado publicamente a eleição do Republicano).

Já com uma vitória de Biden o campo Bolsonarista sofreria um importante revés, pois mostraria um arrefecimento das forças conservadoras no continente e apontaria que métodos compartilhados por ambos nas redes sociais podem não ser tão eficientes agora como foram na eleição passada.

No aspecto comercial a tendência é que a relação se mantenha estável com uma vitória de Trump (as crescentes medidas protecionistas não devem afetar mais o Brasil); se Biden assumir a presidência a relação econômica poderia ficar mais difícil, principalmente por conta das políticas ambientais do governo brasileiro, já que a tendência de Biden é seguir um caminho muito parecido com o de países europeus, onde a sustentabilidade é muito relevante na escolha dos parceiros comerciais.

 2. Eleições Municipais (15 e 29 de Novembro de 2020)

Da mesma forma como as eleições municipais passadas nos permitiram antever a onda eleitoral que culminou em Bolsonaro, elegendo antes Kalil, Doria, Crivella e outros, a eleição deste ano pode ser um ótimo termômetro para avaliar quais ideias encontram mais ressonância junto a sociedade.

Além do aspecto de mensuração a eleição poderá fortalecer as estruturas de campanha de 2022, pois é de extrema utilidade contar com prefeitos parceiros na execução de políticas públicas (com a possibilidade de transferência de recursos federais direto aos municípios) e também como cabos eleitorais do candidato à presidência. O fato de Bolsonaro não estar filiado a algum partido nos leva a duas conclusões:

  • A vitória ou a derrota do presidente ficará menos explícita;
  • O presidente poderá cooptar os eleitos para compor seu novo partido, trilhando um atalho eleitoral.

 3. Eleição da Mesa Diretora da Câmara Federal e do Senado (1º de fevereiro de 2021)

Neste ponto o Presidente do Executivo tem poucas possibilidades de uma vitória concreta, pois a disputa que vem se desenhando pode lhe garantir apenas um “mal menor” que seria a eleição do Deputado Arthur Lira (tem atuado como um líder informal do governo, porém não tem compromisso umbilical com Bolsonaro).

Lira é um profissional da política e sua aliança é mero casuísmo que, sem grandes pudores, pode mudar o rumo de seu apoio.

Já a vitória de um Deputado mais alinhado com o atual Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, representaria mais dois anos de maior “independência” da Câmara, com menor probabilidade de vermos avançar a pauta de costumes tão cara à parte do eleitorado do Presidente Bolsonaro, com exceção da pauta econômica, visto que a câmara apresentou um maior protagonismo inclusive frente ao Executivo.

Lembremos também que quaisquer pedidos de impeachment dependem do Presidente da Câmara para iniciar.

Já no Senado as articulações têm andado mais devagar, por conta de uma consulta ao STF do Presidente Davi Alcolumbre sobre a possibilidade de ser candidato a reeleição, possibilidade hoje negada pela Constituição.  Importante não perdermos de vista que passará pelo Senado a aprovação das indicações de Bolsonaro para as vagas no STF e da recondução ou não de Aras como Procurador Geral Da República.

O jogo político é complexo e em um cenário tão conflagrado quaisquer variáveis podem gerar grandes impactos. As eleições citadas acima requerem nossa atenção para antever as cores que pintarão o cenário de 2022. Sigamos juntos, pensando estrategicamente.