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PM suspeito de desaparecimento de Andriely é preso

Redação RIC Mais
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19 de maio de 2018 - 00:00 - Atualizado em 19 de maio de 2018 - 00:00

Andriele está desaparecida desde quarta-feira (9). (Foto: Reprodução/Facebook)

O policial saiu do hospital psiquiátrico, que estava desde o desaparecimento da ex-companheira, e foi encaminhado para à delegacia do Alto Maracanã

O mandado de prisão temporária contra o policial militar Diogo Coelho foi cumprido no início da tarde deste sábado (19) em Curitiba. Ele é suspeito do desaparecimento da ex-mulher, Andriely Gonçalves, de 22 anos, que foi vista pela última vez no dia 9 de maio.

O PM estava há dois anos na corporação e foi internado em um hospital psiquiátrico com crise de ansiedade um dia depois do desaparecimento da ex-mulher. Desde então, ele estava sob cuidados médicos e afastado das funções. Neste sábado, o pedido de prisão preventiva foi expedido e cumprido. Coelho foi encaminhado para à delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, que investiga o caso, para prestar depoimento. A Polícia Militar do Paraná se pronunciou por meio de nota, leia na íntegra:

“A Polícia Militar informa que cumpriu, por meio do 22º Batalhão, na final da manhã deste sábado (19) a prisão temporária do policial militar suspeito pelo desaparecimento de sua ex-esposa, ocorrido na semana passada, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O pedido de prisão preventiva foi emitido pela justiça de Colombo, após solicitação. O policial militar estava internado no hospital Bom Retiro desde a última quinta-feira (10). A partir de então ficou afastado das funções como policial militar. O Batalhão informa ainda que as suspeitas em relação a ele surgiram somente após o internamento. Agora o policial está à disposição da Polícia Judiciária e da Justiça e ficará preso em uma unidade da Polícia Militar, conforme é previsto. O processo sobre o caso é de responsabilidade da Polícia Civil, que continua com as investigações. A PM lembra também que desde a denúncia recebida, o 22° BPM está empenhado em esclarecer os fatos e abriu um procedimento ­administrativo interno para apurar a situação. Além disso, está colaborando com a Polícia Civil nas investigações. A PM não compactua com desvios de conduta de seus integrantes e ressalta que, para qualquer situação potencial envolvendo policiais, busca a elucidação de todos os fatos, e, se restar comprovada responsabilidade, os instrumentos adequados de saneamento, correição e expurgo são adotados, na forma legal, sendo respeitados os direitos ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, para qualquer militar estadual e neste caso não é diferente.”

Desaparecimento

A estudante de direito estava sozinha em seu apartamento, em Colombo, e conversava por chamada de vídeo com um amigo quando fez uma cara de pânico e a chamada caiu. Pouco tempo antes, ela teria dito que acreditava que alguém havia entrado no local, já que a porta estaria destrancada.

Na madrugada do desaparecimento, o policial tentou pegar imagens de câmera de segurança de um estabelecimento que fica em frente ao prédio onde eles moravam, mas não conseguiu. Nessas imagens, ele aparece fardado em uma viatura e na companhia de outro PM. O apartamento, que está no nome dele, era usado pela jovem desde a separação. Apesar disso, o ex-marido ainda tinha as chaves do local porque não havia levado todas suas coisas da residência.

Relacionamento

O policial e a estudante de direito foram casados por quatro anos e há seis meses estavam separados. Eles não chegaram a oficializar o relacionamento, mas viveram no mesmo apartamento até o início do ano. Segundo pessoas próximas, o ex-companheiro estaria tentando reatar o relacionamento quando o desaparecimento aconteceu.

Investigações

Uma perícia realizada pela Polícia Civil com o reagente luminol apontou vestígios de sangue no banco traseiro e no porta-malas do carro do policial militar na última terça-feira (15). Imagens de câmeras de segurança da rua flagraram Andriely e o ex-marido saindo do prédio por volta das 3h30 da madrugada de quarta-feira (9). Na quinta, o policial foi visto voltando sozinho ao apartamento.

Imagens também capturaram o momento que o ex-marido chega ao prédio, na noite do desaparecimento, por isso, acredita-se que ele estaria dentro do quarto quando a jovem levou o susto. Dentro do apartamento peritos encontraram um tufo de cabelo da jovem em uma sacola.

Para o delegado Reinaldo Zequinão, da Delegacia da Polícia Civil do Alto Maracanã, responsável pelas investigações, o único suspeito é Diogo Coelho e a principal linha de investigação gira em torno do ex-marido de Andriely.

Comportamento agressivo

A mãe da jovem, Cleusa Gonçalves, afirmou que o policial estaria apresentando um comportamento agressivo nos últimos meses e isso teria contribuído para o fim do relacionamento. “No começo do casamento ele trancou ela em um quarto. Ela chegou a passar mal. Ele deixou ela praticamente uma noite inteira trancada” afirmou a mãe que diz não saber o que teria motivado tal ação. “Na época ela era nova, era apaixonada por ele. Ela me contou. Eu conversei com ele, dei muito conselho e eles continuaram vivendo” disse à equipe de reportagem da RICTV | Record.

A mãe disse que a filha nunca reclamou de agressões e outras violências, mas dizia apenas que ele era grosso quando estava estressado com o trabalho. Cleusa, buscando respostas, mandou uma mensagem de texto para o PM, já que ele ainda tinha chaves do apartamento, e na conversa, ele disse que não encontrou a ex-companheira no local. Com informações desencontradas, a mãe resolveu procurar a polícia e solicitou uma investigação para o desaparecimento da filha. Ela chegou a ir até o apartamento de Andriely junto com policiais e o ex-genro também estava lá.

“Eu estranhei porque ele estava com muitos arranhões, no pescoço, no rosto. Eu perguntei: “vocês brigaram?”, ele respondeu não. “E esses arranhões?” “Foi em uma ocorrência que eu tive”. Aí, eu perguntei para ele: “com qual mochila que a Adriele foi embora, Diogo?” Ele de repente me respondeu: “com uma mochila preta”. Ai eu disse “como você sabe que é uma mochila preta se você disse que não estava no apartamento?”, aí ele se calou”, conta Cleusa sobre a conversa entre os dois.