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Perícia não concluiu se o jogador Daniel foi mutilado vivo ou morto

Redação RIC Mais
Redação RIC Mais

22 de novembro de 2018 - 00:00 - Atualizado em 22 de novembro de 2018 - 00:00

O jogador Daniel foi assassinado no final de outubro (Foto: Reprodução/Twitter)

Fragmentos do órgão sexual do jogador serão mantido pelas autoridades para ser usado como contraprova caso necessário

Laudos feitos pela Polícia Científica do Paraná e pelo Instituto Médico Legal (IML) não conseguiram concluir se o jogador Daniel Corrêa, de 24 anos, teve o pênis extirpado enquanto estava vivo ou após ter sido assassinado. Por isso, fragmentos do órgão serão mantido pelas autoridades para ser usado como contraprova caso necessário. 

O fato do pênis de Daniel ter sido cortado antes ou após sua morte inlfuencia diretamente nos crimes e qualificadores por quais responderão os indiciados. (Veja como foram os indiciados os sete suspeitos abaixo)

Já o que causou a morte do jogador foi comprovado. De acordo com Paulino Pastre, diretor do IML, foi possível afirmar que a causa mortis “evidentemente foi a degola”“A conclusão é que o Daniel foi degolado, uma degola parcial quase completa com exposição da coluna cervical e, em tempo muito próximo, não se pode precisar exatamente, também foi parcialmente emasculado”, explicou durante uma coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira (22).

Jogador foi degolado e mutilado com faca de churrasco

Ainda conforme Pastre, é possível saber que a faca usada para o crime estava bem afiada pelo tipo de corte que promoveu em Daniel. “Foi utilizado um instrumento cortante altamente afiado”, contou o diretor. Em entrevista no dia 9 de novembro, o delegado responsável pelo caso, Amadeu Trevisan já havia informado que o jogador foi assassinado com uma faca de churrasco de aproximadamente 30 cm. O instrumento foi jogado em um riacho de São José dos Pinhais, junto com as roupas sujas de sangue de Edison Brittes, e não foi localizado pela polícia. 

Violência e tortura

Os exames também comprovaram a violência com que o jogador foi agredido antes do assassinato. “Um estudo detectou claramente a ocorrência de muitas lesões decorrentes de ações contundentes, que se pode exemplificar como chutes, socos”, afirmou Pastre.

Paulino Pastre, diretor do IML, durante coletiva de imprensa. (Foto: Reprodução/RICTV)

Duas pessoas arrastaram o corpo de Daniel

O exame de necropsia apontou que a vítima foi arrastada por duas pessoas até o matagal onde foi abandonada. E não apenas por Edison Brittes como foi afirmado em todos os depoimentos dos suspeitos. “Sugere que duas pessoas arrastaram o corpo, permitindo um pequeno encosto no solo. Os dados colhidos sugerem que mais de uma pessoa agiu para o deslocamento do corpo”, explicou Pastre à imprensa.

Tentativa de estupro

Um exame realizado no órgão sexual de Daniel, encontrado alguns dias depois que o jovem foi sepultado, revelou que não havia sêmen no órgão. No entanto, de acordo com o IML, isso não comprova que não houve relação sexual.

O delegado Trevisan mais uma afirmou que não acredita na versão sobre a tentativa de estupro. “Eu não vejo tentativa de estupro em razão daquilo que eu disse para vocês desde o começo que nós estamos falando e conversando. Ninguém na casa, nós inclusive falamos isso, ouviu os gritos de uma mulher sendo estuprada. O que seria normal, o que seria natural, de uma reação feminina diante de uma agressão dessa natureza”

Fotos tiradas pelo jogador Daniel e enviadas para amigos pouco tempo antes do assassinato. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
Inquérito concluído

O delegado Trevisan encerrou o inquérito policial nesta quarta-feira (21). Sete suspeitos que já estão presos foram indiciados por crimes diferentes. O documento foi entregue ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que tem até cinco dias corridos para analisá-lo e apresentar a denúncia à Justiça ou pedir novas diligências para a polícia.

Segundo o promotor que acompanha o caso, João Milton Salles, por enquanto, o processo seguirá em sigilo, pois existem medidas cautelares que precisam ser cumpridas. “Chegando o inquérito policial para mim e pelo o que eu já conheço do inquérito, se nesse percurso não tiver nada – porque nós fomos surpreendidos com várias questões novas nessas duas semanas – se nesse momento não tiver nada que surpreenda, certamente a denúncia até o final de semana estará apresentada”,  completou o promotor sobre a denúncia. 

Investigações sobre o assassinato do jogador Daniel

As investigações foram concluídas depois de 25 dias de investigações e vinte e uma pessoas ouvidas. Sete suspeitos continuam presos, entre elas Edison, Cristiana e Allana Brittes. Eles cumprem prisão temporária, com prazo determinado. A partir de agora, é o Ministério Público que irá decidir se as prisões serão prorrogadas ou convertidas em preventivas (sem prazo determinado para acabar).

De acordo com o delegado, o inquérito, que tem mais de 370 páginas, reúne relatórios policiais, informações de diligências, mídias e laudos periciais solicitados durante o período de investigação. O MP também deve pedir à Justiça, junto ao oferecimento da denúncia, a quebra do sigilo telefônico dos envolvidos na morte do jogador Daniel.

Em entrevista coletiva, o delegado confirmou o indiciamento de cada um dos suspeitos. As penas somadas ultrapassam 40 anos de reclusão.

Confira quem foram os indiciados pela morte:

Edison Brittes – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;

Eduardo da Silva – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;

Ygor King – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;

David Willian da Silva – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;

Cristiana Brittes – coação de testemunha e fraude processual;

Allana Brittes – coação de testemunha e fraude processual;

Eduardo Purkote – lesões graves.

Indiciados no caso do jogador Daniel Correa. (Infográfico: Luana Silvério/RIC)

 Relembre o caso Daniel

Local onde o corpo do jogador Daniel foi encontrado. (Foto: Reprodução/RICTV)

O corpo do jogador Daniel Corrêa Freitas foi localizado no dia 27 de outubro de 2018, na Colônia Mergulhão, na zona rural de São José dos Pinhais, depois que um morador da região viu marcas de sangue no chão em uma estrada e seguiu o rastro até o corpo do jovem. Ele estava vestido apenas com uma camiseta, com sinais de tortura, com o pênis decepado e com cortes profundos no pescoço, a ponto de quase ter sido degolado.

Daniel, que jogou pelo Coritiba em 2017, teria aproveitado o fim de semana para visitar amigos na capital do Paraná e participar da festa de 18 anos de Allana.

Em 2017, Daniel participou do aniversário de 17 anos de Allana. (Foto: Reprodução/Rede Social)

No dia 31 de outubro, quatro dias após o crime, a primeira pessoa envolvida com o assassinato foi presa. Cristiana Brittes foi detida pela polícia enquanto estava a caminho do escritório de um advogado. No dia seguinte, 30 de outubro, Edison Brittes e Alanna Brittes se apresentaram na Delegacia da Polícia Civil em São José dos Pinhais. A polícia chegou até eles depois que uma testemunha-chave contou tudo o que sabia sobre o caso. Essa pessoa esteve na casa onde Daniel foi espancado e de onde foi levado, dentro do porta-malas de um veículo, para o local onde foi morto.

Testemunha que denunciou Edison Brittes está sendo ameaçada de morte

Na sequência foram presos David Willian da Silva, Ygor King e Eduardo Henrique da Silva. Os três agrediram o jogador dentro da residência dos Brittes e auxiliaram no assassinato. Em depoimento, todos afirmaram que não ajudaram a assassinar Daniel, mas que seguiram junto com Edison no veículo até a Colônia Mergulhão.

Durante as investigações, os detalhes dos depoimentos chocaram até os policiais acostumados com crimes: Eduardo revelou que Edison já saiu da casa com a intenção de extirpar o órgão sexual do jogador e que ele começou a cortar o pescoço da vítima logo que chegaram na estrada rural. David também contou detalhes perturbadores, ele admitiu que comprou roupas para Edison trocar as que usava quando assassinou Daniel e que chegou a ouvir o jogador engasgando com o próprio sangue enquanto era degolado.

Edison confessou o assassinato e disse que fez tudo porque Daniel tentou estuprar sua mulher. Para o delegado Trevisan, a tentativa de estupro nunca aconteceu. “Nós não acreditamos nessa hipótese de estupro. Não tem como provar. Acreditamos apenas que o rapaz tenha deitado ao lado dela [mulher de Edison], tenha tirado fotografia e tenha dito que tinha estuprado apenas para aparecer para os amigos. Enfim, coisa de pessoa imatura apenas. […] Acreditamos que tenha sido um momento de imaturidade de Daniel acompanhado de um gesto desproporcional”, afirmou ainda durante a entrevista ainda durante as investigações. No entanto, Trevisan confirma que a motivação do assassinato de Daniel foi ele ter sido flagrado por Edison, no quarto do casal Brittes, na cama com Cristiana.

Eduardo Purkote Chiurrato foi preso apenas depois que a polícia colheu os depoimentos de todos os suspeitos e testemunhas. Ele acabou detido porque aparece na versão de alguns deles como um dos agressores, dentro da casa dos Birttes, de Daniel.

Após o assassinato, Allana postou uma foto com Daniel em sua rede social com uma mensagem de luto e também entrou em contato com a mãe do jogador, Eliane Corrêa, e mentiu sobre o que teria ocorrido durante a pós-festa em sua casa. Além disso, o próprio Edison chegou a ligar para Eliane para dar os pêsames e oferecer auxílio.

Parte da conversa entre a mãe do jogador Daniel e Allana Brittes. (Imagens: Reprodução/WhatsApp)

A família Brittes também chegou a se reunir, em um shopping de São José dos Pinhais, com testemunhas que estavam na residência para combinar uma versão para o dia do crime. As imagens, gravadas por câmeras de segurança do local, mostram o encontro que ocorreu no dia 29 de outubro – dois dias depois do assassinato de Daniel.

Edison, Cristiana e Allana se reuniram para coagir testemunhas após morte do jogador Daniel (Foto: Reprodução/Câmera de Segurança)

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