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Pazuello afirma que fase crítica de falta de oxigênio em Manaus durou 3 dias e é acusado de mentir

Reuters
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Pazuello afirma que fase crítica de falta de oxigênio em Manaus durou 3 dias e é acusado de mentir
Ex-ministro Eduardo Pazuello presta depoimento à CPI da Covid

19 de maio de 2021 - 16:54 - Atualizado em 19 de maio de 2021 - 16:55

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – Em depoimento à CPI da Covid no Senado, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou que a fase crítica de desabastecimento de oxigênio durou cerca de três dias durante a crise sanitária em Manaus no início deste ano, levando parlamentares a acusarem-no de mentir.

Pazuello valeu-se de dados sobre o estoque regulador da White Martins, empresa fornecedora de oxigênio, para sustentar sua declaração sobre o prazo de desabastecimento crítico de oxigênio em Manaus.

“A White Martins foi consumindo o seu estoque até chegar em 13 para 14, quando teve uma queda de 20% mais ou menos… não atendidos. E isso aconteceu por dois a três dias, entre 13 e dia 15. No dia 15, já voltou a ser positivo o estoque de Manaus. Isso aqui está claro em dados da White Martins, tá?”, argumentou o ex-ministro.

“Aqui você observa claramente a curva da White Martins e os três dias onde ela cai. Esse V de queda são três dias, 13, 14 e 15, considerando que 15 ela começa a ficar positiva no seu estoque regulador. Ela começa a refazer o estoque regulador e volta novamente a atender a demanda completa”, argumentou.

O líder do MDB, Eduardo Braga (MDB-AM), no entanto, questionou a declaração do ex-ministro, afirmando que o desabastecimento de oxigênio se prolongou por cerca de 20 dias.

“É preciso dizer ao povo brasileiro, sob pena de nós estarmos aqui sendo coniventes com uma informação errada, desculpe a expressão, mentirosa: não faltou oxigênio no Amazonas apenas três dias, pelo amor de Deus! Ministro Pazuello, pelo amor de Deus! Faltou oxigênio na cidade de Manaus mais de 20 dias. É só ver o número de mortos. É só ver o desespero das pessoas tentando chegar ao oxigênio”, disse o senador Braga.

Pazuello respondeu o senador, afirmando que não eram esses os dados que tinha consigo.

Em outro episódio tenso da CPI, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), e o vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), questionaram os dados do ex-titular da Saúde sobre o fornecimento de oxigênio ao Estado.

Aziz também chegou a bater-boca com o senador Carlos Heinze (PP-RS), após o parlamentar afirmar que foram liberados mais de 2 bilhões de reais ao Amazonas em 2020.

“Não é verdade isso que você está falando. Isso é uma mentira multiplicada”, disse o presidente da CPI a Heinze.

O senador gaúcho, por sua vez, afirmou que irá “puxar a tabela” para ver “quanto foi para lá”.

“Foi o dinheiro lá. Não é irresponsabilidade do governo federal, é do governo lá do Amazonas”, acusou.

Pazuello alegou ter sido informado do risco de desabastecimento de oxigênio apenas no dia 10 de janeiro, em uma reunião presencial com o governador e o secretário de Saúde. O ministro também relatou reunião com a White Martins em Manaus no dia seguinte, quando foram colocadas “dificuldades logísticas grandes”.

Ele aproveitou ainda para negar que tenha sido informado sobre os riscos relacionados aos estoques de oxigênio em conversa com secretário no dia 7 à noite. Na ocasião, explicou, houve um pedido de ajuda para transporte de oxigênio, mas não foi mencionada possibilidade de desabastecimento.

“No dia 7 à noite, ele não me falou nada de colapso de oxigênio. Foi a solicitação de transporte, a logística de Belém para Manaus, que foi feita no dia 8 e 10.”

O ex-ministro reiterou que a competência para fornecimento de oxigênio era do governo do Estado, mas argumentou que agiu imediatamente assim que soube do problema e tomou todas as medidas possíveis. Ponderou, ainda, que poderia ter agido antes se tivesse sido avisado com antecedência.

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