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Paranaense briga na justiça para continuar em concurso da PRF com apenas um rim

O candidato de 34 anos diz ter descoberto a inexistência do rim direito no meio do processo seletivo

Caroline
Caroline Maltaca / Estagiária com supervisão de Rodrigo Sigmura
Paranaense briga na justiça para continuar em concurso da PRF com apenas um rim
(Foto: Divulgação/PRF)

22 de outubro de 2021 - 18:46 - Atualizado em 22 de outubro de 2021 - 18:53

Já imaginou descobrir aos 34 anos que não pode exercer sua profissão dos sonhos, porque você nasceu sem um órgão que, até então, imaginava ter? Para um paranaense, do norte do estado, a ausência do rim direito fez o sonho de ser policial ficar mais distante. Isso porque, em meio ao processo seletivo do concurso da Polícia Rodoviária Federal (PRF) deste ano, ele descobriu que havia nascido apenas com um dos órgãos.

“[Fiz uma] ecografia completa do abdômen e aí não acharam nada no local do rim direito”,

afirmou ele, em entrevista ao RIC Mais.

O candidato, que pediu para não ter o nome divulgado por medo de possíveis retaliações, contou que a carreira de policial sempre foi seu maior desejo. Formado em Fisioterapia e Direito, hoje, o homem diz estar empenhado para se sentir realizado no futuro. Ele conta que se dedicou por anos para o concurso e que, lidar com a desclassificação na fase dos exames médicos, por uma condição que nem sequer sabia que tinha, torna a situação frustrante e desumana.

“Faltava somente aquele edital confirmando meu futuro, minha vaga, ratificação de que sou capaz de conseguir realizar um sonho”,

conta o paranaense.

Diante da surpresa da inexistência de rim, o candidato chegou a vender o carro para custear os gastos que um processo jurídico acaba exigindo. Ao lado do advogado, ele foi submetido a diversos exames que constataram sua capacidade para realizar as atividades propostas pela profissão de um policial.

Com isso em mãos, o advogado conseguiu uma liminar que permite que seu cliente continue no processo seletivo. No entanto, a permissão não é definitiva, ou seja, pode ser que a Justiça volte atrás na decisão.

“Eu não sei o que é ter uma noite tranquila de sono a muito tempo, acredito que meus pais também”, relata o homem.

Segundo Agnaldo Bastos, existem outros candidatos enfrentando a mesma situação que o paranaense. Para ele, o problema está no fato de as exigências serem muito amplas, gerando motivos para eliminarem qualquer pessoa que tenha uma situação considerada “diferente”. Porém, para o advogado, o diferente nem sempre é sinônimo de uma deficiência ou a falta de capacidade, pode ser apenas uma condição atípica que não deve ser motivo para definir o futuro de uma pessoa.

Impressionados

De acordo com o fisioterapeuta, a surpresa dele ter nascido apenas com um rim não só o impressionou, como também a família toda. Ele conta que sua mãe chegou a chorar e até mesmo a se culpar.

“Minha mãe? Chorou desesperadamente, afinal, ‘você reprovou por minha culpa, eu sou a culpada’. Não foi fácil levantar a cabeça, entender o que estava acontecendo. Mobilizou todos que estão comigo nessa jornada: familiares, amigos… Difícil quem não chorou, pois foram anos de estudos, empenho, dedicação, abdicação de muita coisa nesse tempo”.

Apesar da novidade constatada no concurso, o paranaense afirma que nestes 34 anos nunca teve uma doença muito séria ou um quadro de internação que pudesse indicar a falta do órgão. Aliás, o candidato diz manter uma rotina muito ligada aos esportes. Ele conta que vai a academia cinco vezes na semana, além de correr, pedalar e nadar frequentemente.

“Eis a pergunta: se eu passei no teste de aptidão física, meus exames laboratoriais e clínicos são 100%, o que me impede de exercer a função? Enfim. Não houve avaliação nenhuma, desrespeito com o candidato”.

Para o candidato, a única coisa que o motiva a insistir nesta causa é o fato de seu sonho falar mais alto, pois se tirar isso, o que sobra é o desgaste e o estresse.

O RIC Mais pediu um posicionamento da PRF e aguarda um retorno.