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Caroline Berticelli / Editora

14 de agosto de 2019 - 00:00

Atualizado em 1 de julho de 2020 - 15:41

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“Tiveram coragem de matar meu filho. Por que não olham pra mim?”, diz pai para criminosos

Os pais do biólogo Guilherme Neves de Almeida, morto durante um assalto, estiveram frente a frente com os assassinos nesta quarta-feira (14)

“Tiveram coragem de matar meu filho. Por que não olham pra mim?”, diz pai para criminosos
Pais encontram assassinos do filho único em São José dos Pinhais. (Foto: Montagem/RIC Mais)

Os pais do biólogo Guilherme Neves de Almeida, de 32 anos, morto durante um assalto, ocorrido em 24 de junho, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, ficaram frente a frente com os criminosos que tiraram a vida de seu único filho nesta quarta-feira (14). (Assista vídeo abaixo)

Pai e mãe foram até a delegacia para ver os assassinos do filho

Ainda muito abalados com a recente perda, Sônia Maria de Almeida e Amilton de Almeida fizeram questão de ir até a delegacia para ver os dois jovens, de 18 e 24 anos, presos. Conforme seus relatos, nada irá trazer a vida de Guilherme de volta, mas saber que os assassinos estão atrás das grades os deixa mais tranquilos. 

“É muito difícil pra um pai olhar pra dois rapazes que podiam ser gente, mas não são gente, eu queria olhar, mas eles não olham pra mim. Podem olhar pra mim, vocês tiveram coragem de matar meu filho. Por que vocês não olham pra mim, covardes. Vocês não merecem ter nome de gente não. Nem animais fazem o que vocês fizeram, destruíram a mim, a minha família, a todos nós vocês conseguiram destruir por causa de um porcaria de um carro que não vale nada. Vocês não têm noção do que vocês fizeram pra gente, minha mãe está definhando, a vó dele está definhando por causa de vocês e vocês tão aí”, declarou Amilton emocionado. 

“Podem olhar pra mim, vocês tiveram coragem de matar meu filho. Por que vocês não olham pra mim, covardes”.

Sônia contou que a família não consegue se recuperar da morte prematura e tão violenta de Guilherme. “Amanheço o dia e durmo pensando no meu menino de ouro, que ele era um menino de ouro. O filho mais correto, a pessoa mais correta, mais honesta que eu conheci era o meu filho. Infelizmente, aconteceu essa tragédia e a gente está sem chão, a gente não tem estrutura pra nada. Por enquanto a gente não achou ainda alguma coisa que faça com que passe essa dor, essa angústia pra gente”. 

Durante o encontro, os dois rapazes mantiveram suas cabeças baixas durante todo o tempo e se negaram a olhar para os pais do homem que eles mataram. Como resposta ao sofrimento do casal, a única coisa dita por um deles foi: “Não tenho nada a falar não, senhor. Arrependido tamo, né”.

“Não tenho nada a falar não, senhor. Arrependido tamo, né”, disse um dos criminosos.

Casal não perdoa criminosos

O casal também explicou que não perdoa os dois jovens por terem assassinado seu filho por causa de um carro. “Infelizmente não consigo. Eu não tenho assim esse dom de perdoar, porque até Deus eu tô renegando por causa deles. Não tenho como acreditar. Como que eu vou perdoar? A minha dor é muito mais forte, infelizmente. Eu não tenho esse dom de perdoar quem fez isso com meu filho, filho único”.

Os pais fizeram questão de ver quem foram os jovens que mataram seu único filho. (Foto: Reprodução/RICTV)

“Só quem perdoa é Deus, eu jamais perdoo. E a própria vida vai se encarregar de tirar esses elementos do nosso meio. Você pode ter certeza disso. Eu não tive nem coragem de olhar pra cara deles. […] É muito difícil, a gente tem vontade de esganar, de ir lá e fazer o que eles fizeram com meu filho. A verdade é essa. Uma dor de um pai e de uma mãe nunca passa, pode até amenizar, mas a saudade e a dor essa é imensurável, você não sabe nem expressar o que sente de tão doído que é”, disse Sônia. 

Os criminosos estão presos preventivamente e permanecem à disposição da Justiça. Ambos serão indiciados, pela Polícia Civil, por latrocínio, que é roubo seguido de morte, e podem pegar de 20 a 30 anos de prisão. 

Entenda o crime

Guilherme foi morto na madrugada de 24 de junho quando esperava pela namorada, com a qual iria se casar em breve, na saída de uma festa no bairro Afonso Pena.

O crime foi registrado por uma câmera de segurança. (Foto: Reprodução/RICTV)

Na ocasião, os criminosos surpreenderam a vítima, anunciaram o assalto e dispararam quando o veículo começou a andar. O pai de Guilherme não acredita que ele tenha tentado fugir do assalto, mas sim que o carro automático andou porque o filho se assuntou e tirou o pé do freio. “A gente sempre conversava sobre isso. E ele dizia ‘eu tiro a minha roupa, eu fico pelado, mas eu não vou reagir meu velho. Ele não reagiu, simplesmente o pé estava no freio e deve ter escapado e o carro começou a andar”, ressaltou Amilton. 

Atingido na cabeça, o biólogo chegou a ser socorrido e encaminhado ao hospital. Mas não resistiu aos ferimentos e morreu três dias depois, justamente no dia de seu aniversário.

Assista ao vídeo:

Os pais ficaram frente a frente com o assassinos de seu filho