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Oficiais x clandestinos: motoristas de aplicativo brigam no aeroporto Afonso Pena

Motoristas oficiais expulsaram a socos e chutes motoristas que pegavam corridas de forma clandestina no terminal

Giselle
Giselle Ulbrich
Oficiais x clandestinos: motoristas de aplicativo brigam no aeroporto Afonso Pena

24 de setembro de 2021 - 21:40 - Atualizado em 24 de setembro de 2021 - 21:41

Pelo menos dois motoristas clandestinos de aplicativos foram agredidos por motoristas oficiais dos apps, na tarde desta sexta-feira (24), no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Um deles registrou boletim de ocorrência contra os agressores. Alguns passageiros ficaram assustados, pois se viram rodeados pela confusão, sem saber do que se tratava.

A briga entre os motoristas é antiga e teve um episódio com socos, chutes e empurrões nesta sexta. De um lado há os motoristas oficiais, que só aceitam corridas acionadas pelos clientes via aplicativo, por segurança, já que andam com motoristas devidamente identificados. Se houver alguma ocorrência ou acidente, o passageiro e o motorista têm suporte do aplicativo.

Já os clandestinos fazem corridas mais baratas porque as oferecem diretamente aos clientes, sem intermédio do app. Não pagando as taxas cobradas pelas plataformas, conseguem repassar o desconto aos clientes e ainda ganham um lucro melhor. Muitos passageiros aceitam pagar mais barato, mesmo seguindo viagem com um “desconhecido”. E os motoristas oficiais acabam perdendo não só os clientes, mas também a sua pontuação positiva no aplicativo, já que o passageiro cancela a corrida solicitada via aplicativo para ir com o motorista clandestino.

Socos

Nesta sexta-feira (24), os motoristas oficiais decidiram “intimar” os clandestinos e retirá-los do aeroporto à força. Chegaram em grupos, filmaram os rostos dos clandestinos, as placas dos carros e, aos gritos, socos e chutes, foram retirando um a um do terminal. Pelo menos dois foram agredidos fisicamente e um registrou boletim de ocorrência.

Os oficiais ainda reclamam de outra situação. Em grandes terminais de passageiros, os aplicativos, em geral, organizam os motoristas em “filas” e vão direcionando aos clientes o motorista que chegou primeiro. Já os clandestinos não respeitam as filas. Chegam direto no terminal e vão negociando as corridas. Com isto, os oficiais ou esperam mais tempo pelos clientes, ou voltam para o fim da fila, já que os clientes cancelas as corridas para aceitarem as viagens mais baratas dos clandestinos.

Vigilantes

A equipe da RIC Record TV esteve no Afonso Pena. Além de conversar com motoristas de ambos os lados, também flagrou a ação de vigilantes do aeroporto, que acabam, de certa forma, auxiliando os motoristas clandestinos ao “ignorar” a ação deles no terminal.

A Infraero, que administra o aeroporto, informou que tão logo ficaram cientes da confusão, chamaram a Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Municipal. Também disseram que não houve registro de dano a passageiros, usuários ou ao patrimônio do aeroporto. 

A Infraero não se pronunciou sobre a “vista grossa” dos vigilantes em relação aos clandestinos.

Excluídos

A Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) acusa uma das plataformas de carona de excluir mais de 15 mil motoristas dos aplicativos, por motivos diversos. Entre as justificativas, está o alto número de cancelamento de corridas atribuídos aos motoristas.

Porém não são apenas as exclusões que estão fazendo os motoristas pegarem corridas fora dos aplicativos. Além da taxa que eles precisam pagar à plataforma, que fica em torno de 30% do valor da corrida, há também o custo com o combustível, que gira e torno de 40 a 50% da viagem. Há de se considerar ainda os sucessivos aumentos dos combustíveis ocorridos ao longo deste ano, que tem levado os motoristas a escolherem as corridas mais longas e rentáveis para conseguirem algum lucro.

Sem contar a manutenção do veículo, o lucro dos motoristas oficiais gira entre 10 a 30%. Já para os clandestinos, o lucro pode chegar a até 60% do valor da viagem. Para passageiros, fica o dilema segurança x economia. Para os motoristas, fica a briga entre rodar correto e com segurança x se arriscar para aumentar o lucro.