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Obesidade: SUS passa a oferecer cirurgia bariátrica por vídeo

Redação RIC Mais
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1 de fevereiro de 2017 - 00:00 - Atualizado em 1 de fevereiro de 2017 - 00:00

Foto: Raul Spinassé, Agência A Tarde

A intervenção não é indicada como tratamento estético, e sim para melhora de doenças associadas à obesidade

De cerca de 100 mil cirurgias bariátricas realizadas no Brasil em 2016, apenas 10% foram na rede pública, diz a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Esse número está prestes a mudar. A Portaria n° 5, publicada nesta quarta-feira (1o) no Diário Oficial da União, oficializa a incorporação da videolaparoscopia nos procedimentos de cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS – Sistema Único de Saúde.

“É uma grande conquista por se tratar de uma reivindicação antiga da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. Com certeza terá um efeito positivo nos serviços de cirurgia bariátrica da rede pública e, principalmente, nos pacientes que aguardam para realizar a cirurgia”, comemora Dr. Caetano Marchesini, presidente da SBCBM.

Ele acrescenta: “Com a videolaparoscopia, podemos ampliar os atendimentos no SUS, pois tanto a cirurgia quanto a recuperação do paciente demandam um tempo menor”.

Considerado um procedimento menos invasivo, mais seguro, a cirurgia não tem indicação como tratamento estético e sim para melhora de doenças associadas à obesidade e à qualidade de vida. Deve ser recomendada apenas para pacientes com IMC igual ou maior que 40 e pode ser realizada em casos de IMC entre 35 e 40 desde que o paciente tenha doenças como, por exemplo, diabetes e hipertensão. O IMC é calculado a partir da divisão do peso pela altura ao quadrado.

Cirurgia por vídeo: menos invasiva e com recuperação mais rápida

As diferenças começam nos dias de internação. Na cirurgia aberta de obesidade, são necessários de três a quatro dias de internação. No procedimento laparoscópico, geralmente são apenas dois dias.

Na cirurgia realizada por videolaparoscopia são feitas cinco ou seis pequenas incisões no abdômen de 0,5 cm e 1 cm para a introdução das cânulas, por onde são introduzidas as pinças para realizar o procedimento, e uma câmera, responsável pela visualização do abdômen. Na cirurgia aberta, a incisão pode variar de 15 cm a 30 cm.

Enquanto na cirurgia aberta os pacientes levam de 30 a 60 dias para voltarem as suas atividades de trabalho, na cirurgia laparoscópica eles estarão liberados em 15 dias.

Outras vantagens são a diminuição do risco de hérnias e de infecção da ferida cirúrgica, diminuição do risco de complicações pulmonares e menor dor pós-operatória.

Indicações para a cirurgia bariátrica

A primeira recomendação para o tratamento da obesidade deve ser o tratamento clínico pela mudança de estilo de vida, com reeducação alimentar, a adoção de hábitos saudáveis e exercícios físicos regulares. O passo seguinte é a associação de medicamentos que auxiliem na perda de peso. Quando o médico e o paciente se convencem de que se esgotou a tentativa de tratar a obesidade exclusivamente pela mudança do estilo de vida, a alternativa mais eficaz é a cirurgia bariátrica e metabólica.

Também é preciso estar com o IMC dentro do parâmetro indicado anteriormente.

O preparo pré-operatório visa diminuir o risco para a cirurgia e otimizar a segurança e os resultados metabólicos e melhora de outras comorbidades. Problemas de saúde que o paciente já venha apresentando devem ser compensados da melhor forma possível, com medidas como ajuste de doses de medicamentos, dieta específica, fisioterapia e preparo psicológico. Nessa fase, também é obrigatório o preenchimento do documento Consentimento Informado, no qual o paciente reconhece estar devidamente informado sobre os benefícios e riscos da cirurgia.

No pós-operatório, além do acompanhamento nutricional, o acompanhamento psicológico também é muito importante e deve ser sempre preventivo e educativo. É necessário considerar o aparecimento de novos fatores de estresse e ansiedade após a cirurgia. Além disso, o paciente pode criar expectativas que não serão atingidas, também em relação à velocidade de melhora.

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