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O agronegócio será a “salvação da lavoura” em tempos de pandemia

Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, o agronegócio brasileiro caminha para se consolidar mais uma vez como uma área livre de recessão

Gabriel
Gabriel Azevedo
O agronegócio será a “salvação da lavoura” em tempos de pandemia

13 de maio de 2020 - 00:00 - Atualizado em 13 de maio de 2020 - 00:00

Mesmo com a pandemia do novo coronavírus, o agronegócio brasileiro caminha para se consolidar mais uma vez como uma área livre de recessão. Enquanto outros setores da economia patinam, o campo acaba de vivenciar a maior colheita da história: 250,9 milhões de toneladas, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume é 3,6% maior do que na safra passada.

O Paraná, segundo maior produtor de alimentos do Brasil, também comemora. No estado, a expectativa é de que produção chegue a 24,6 milhões de toneladas, o que equivale a 25% a mais que em 2018/2019, conforme a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab).

E as notícias boas não param por aí. A soja, principal commoditie brasileira, teve um desempenho excepcional nas lavouras. Serão 120,3 milhões de toneladas. Pela primeira vez na história, o Brasil, além de ser o maior exportador da oleoginosa, também toma a liderança dos Estados Unidos na produção. E uma liderança consolidada. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (12), pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o Brasil deve produzir 131 milhões de toneladas.

Preço recorde 

Se não bastasse a quantidade, o preço da soja nunca foi tão alto no Brasil. Usado especialmente na ração de animais, a China, principal cliente do País, continua com uma demanda aquecida, mesmo com a pandemia do novo coronavírus. Cenário que, aliados com outros fatores, sustentam os preços lá cima. Em resumo, nunca houve tanto grão disponível com um preço tão atraente. O resultado estão nas exportações, que batem recordes sucessivos.

Na soja, os embarques totalizaram 16,3 milhões de toneladas. O recorde anterior tinha sido em março deste ano, de 11,64 milhões de toneladas. O farelo de soja também registrou nova marca em abril: 1,7 milhão de toneladas. Os dados são do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a medida em que soja vai sendo vendida, e o volume dos estoque vão caindo no país, a competitividade da soja brasileira aumentou.

Na última semana, o indicador Esalq/BM&FBovespa da soja no Porto de Paranaguá, no Litoral do Paraná, registrou significativa alta de 7,57%, fechando a R$ 111,4 por saca de 60 quilos. Nesta terça-feira (12), foram relatadas vendas de R$ 117 por saca.

Alta do dólar

Um dos principais fatores que tem impulsionado os preços, principalmente nos portos, é a cotação do dólar, que se valorizou em mais de 7% nos últimos dez dias, que fechou em R$ 5,89 nesta terça-feira (12).

O bom momento fez com que os produtores rurais corressem para a venda. A Integrada, cooperativa agrícola de Londrina, no Norte do Paraná,  já fixaram preço para cerca de 80% da produção de soja 2019/20, aproveitando os preços remuneradores. De um total estimado em mais de 21 milhões de sacas, 16 milhões foram negociadas pelos produtores até o momento.

No Mato Grosso, maior produtor brasileiro de grãos, 37,25% do grão da próxima safra, que ainda não foi plantada, já foi negociado. É um cenário nunca antes registrado para a época.